sexta, 15 de janeiro de 2021

João Pessoa
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Moradores do conjunto Nice Oliveira têm casa, mas faltam creches e postos de saúde

Bruna Vieira / 06 de maio de 2017
Foto: Assuero Lima
Com a concretização do sonho da casa própria, surgiram as dificuldades para as 776 famílias beneficiadas no Residencial Nice Oliveira, no Planalto da Boa Esperança, em João Pessoa. Os moradores se queixam da falta de infraestrutura no bairro, como farmácia, supermercado, postos de saúde e parada de ônibus. Mas, o principal problema é que as escolas mais próximas não têm vagas para receber os estudantes e sem condições de continuar estudando nos bairros em que moravam antes, algumas crianças pararam de estudar. A Secretaria de Educação disse que avaliando a abertura de novas turmas.

As famílias que já são de baixa renda precisam de mais dinheiro para pagar passagem de ônibus para deixar os filhos nas escolas em que estudavam antes de se mudarem. A maior parte em bairros muito distantes. Para quem depende do Bolsa Família como renda, há o risco de perder o benefício por falta de frequência escolar. Os moradores organizam uma manifestação para a próxima quarta-feira na avenida principal de Nova Mangabeira, pedindo solução à Prefeitura Municipal.

Carla Pinheiro está desempregada e aflita, porque com a filha em casa, também não consegue trabalhar.

“É só eu e ela, com sete anos. Preciso trabalhar, mas, não posso deixar ela sozinha. Antes morava em Cabedelo, não tem como ela ir estudar lá, já procurei vaga em três escolas e não consigo a transferência. Vou perder o Bolsa Família porque ela não está indo à escola e essa é minha única renda. Estou entrando em desespero. A Lei diz que é um dever do governo manter todas as crianças na escola. De 4h já tem criança com as bolsinha nas costas porque vão caminhar muito para chegar na escola”, lamentou.



Peregrinação. Para não deixar os filhos sem estudar, a dona de casa Silvana Maria da Conceição faz um sacrifício de tempo e dinheiro. “Tenho três filhos que estudam à tarde. Antes das 11h já vou deixar eles na escola, que começa às 13h. Isso porque o ônibus demora a passar e faço uma peregrinação. Saio para o Valentina, para pegar um circular e deixar as meninas no Costa e Silva onde morava e depois vou para a Integração, no Varadouro, pegar outro coletivo para deixar o menino, que é especial, no Helena Holanda, no João Agripino. Não dá tempo voltar para casa antes do horário de ir buscá-los. Então eu espero na escola até eles saírem. Como não tem ônibus direto, a gente só chega em casa perto das 20h. É o dia todo fora e nem tenho dinheiro para pagar desse tanto de passagem e não integra”, desabafa.

A rotina é comum no condomínio. “Tiveram um ano e quatro meses para planejar e até agora estamos sem resposta. Tem famílias com seis e até nove crianças dentro de casa, sem fazer nada. A vizinha nem vai deixar uns na escola, porque os outros não podem ficar só. Sem contar a distância, nem todo mundo tem transporte. Dizem que as escolas próximas estão superlotadas. Eu volto a pé com eles da parada de ônibus à noite, mas, é um risco. Como meu filho é especial, tem direito ao transporte no domicílio, mas, pedi e negaram porque o roteiro não faz essa rota”, narrou Silvana.

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