sábado, 23 de janeiro de 2021

João Pessoa
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Mangabeira: uma cidade dentro da cidade, que comemora 34 anos

Luís Eduardo Andrade / 23 de abril de 2017
Foto: Luís Eduardo Andrade
 

Cem mil habitantes, 20 mil domicílios, 75 mil habitantes, 10,96 quilômetros quadrados de área, território maior que países como Líbano, Vaticano e Palestina. Os números estratosféricos evidenciam a grandiosidade do bairro de Mangabeira, que se considerado cidade, seria a 4ª maior do estado da Paraíba. Fundado em 23 de abril de 1983, o bairro completa 34 anos no dia de hoje. E o primeiro nome do aniversariante do dia foi Conjunto Habitacional Tarcísio de Miranda Burity, em referência ao ex-governador da Paraíba. Com o passar dos anos, aproximadamente em 1990, o bairro começou a ficar popularmente conhecido como bairro das mangabeiras, por conta de uma grande fazenda que cultivava mangabas. E não demorou muito para o novo nome ser oficializado, a partir daquele momento o conjunto habitacional tinha nova identidade: Mangabeira. Hoje em dia, o bairro da Zona Sul da cidade é dividido em oito partes e se estende do Colégio CAIC até a ladeira do Valentina.

E é impossível falar do bairro sem mencionar o comércio. Principal fonte de renda da maioria da população, Mangabeira ainda conta com a principal avenida comercial da cidade: a Josefa Taveira. O vigor tipicamente nordestino é potencializado no mangabeirense, e isso reflete diretamente no comércio. A origem sertaneja da maioria dos habitantes deu ao povo um espírito de escavador para alcançar seus objetivos. E o comércio foi justamente o meio para atingir este fim. Entre serviços, lojas de automóveis e restaurantes, as vendas e são responsáveis por impulsionar a economia do bairro, que cresceu muito ao longo dos anos. E há quem tenha participado de toda essa evolução.

O passado e o futuro. Luzia de Lima Araújo, 62 anos, funcionária pública. Pedro Paulo da Silva, 13 anos, estudante. Os dois não se conhecem, mas têm algo em comum: representam tempos distintos do maior bairro da cidade. Dona Luzia chegou à Mangabeira em 1983, justamente no ano de fundação do bairro, e presenciou todas as mudanças que ali ocorreram. Já Pedro Paulo, no auge de sua pré-adolescência, representa o futuro da população mangabeirense. A funcionária pública narra que quando chegou ao bairro passou momentos de dificuldade. “Na época não tinha transporte. Tinha apenas um ônibus e o ponto final era no começo do bairro, então era muito dificultoso, principalmente pra quem morava no final. Quando cheguei aqui meus filhos eram pequenos e foi muito difícil porque não tinha colégio e eles tinham que estudar no Centro, mas hoje meus netos estudam aqui porque tem muitas escolas boas”, afirmou dona Luzia. E Pedro Paulo confirma a informação. “Eu gosto muito da minha escola e do meu bairro. Eu estudava em outro colégio e as pessoas não eram tão legais quanto aqui”, atesta o garoto.

Por fim, Luzia nos fala das mudanças que percebeu no bairro e como se tornou um excelente lugar para construir um futuro para jovens como Pedro Paulo. “Eu sinceramente me sinto muito em casa aqui, é onde criei meus filhos e meus netos, para mim é uma honra. Aqui tem bancos, comércio bom, um shopping. E o bairro só tem a melhorar. Com certeza é um lugar bom pra se viver”, garantiu Luzia. E Pedro, confirma seu desejo de permanecer em Mangabeira. “Eu não pretendo me mudar daqui quando eu crescer. Queria que meus filhos morassem aqui também (risos)”, finaliza o adolescente.



From Mangabeira. “Mangabeira deixou de ser um bairro e passou a ser um estilo de vida”. A frase do comediante Swami Marques resume bem o orgulho de ser mangabeirense. E a satisfação de ser oriundo do bairro saiu dos corações para estampar camisas. “Eu via que nos Estados Unidos existe um bairrismo muito grande. As pessoas sentem orgulho de ser de um bairro, de uma cidade, e fazem camisas pra mostrar esse orgulho. Geralmente começando com ‘from’, que mostra a origem da pessoa. E eu sentia isso muito forte aqui também, então decidi fazer uma camisa com os dizeres ‘From Mangabeira’”, disse Swami. E de acordo com ele, a exaltação ao bairro refletiu nas vendas. “Eu vendi todas as camisas que mandei fazer e o pessoal ainda ta procurando mais (risos)”, revelou o comediante.

Swami, que mora no bairro desde a infância, relata com orgulho os motivos pelos quais gosta de viver no bairro aniversariante. “Hoje em dia você pode viver em Mangabeira sem sair daqui. Tem tudo. É um bairro acolhedor, que as pessoas se conhecem, são hospitaleiras, não ficam trancadas em seus apartamentos e conseguem interagir umas com as outras. É um bairro em que todos estão em comunhão”, finalizou.

O bairro Rock’n’Roll. E apesar da maioria dos habitantes do bairro ser de origem sertaneja, a pegada do rock se manifestou na juventude mangabeirense.  Um exemplo desse “vírus rock’n’roll” é a banda Divina Comédia Humana. Quatro mangabeirenses “da gema” que se conheceram no ensino médio, beberam das mesmas fontes de inspiração, decidiram nadar contra a maré, fazer rock no Nordeste e utilizar Mangabeira como palco pra sua música. “Começamos tocando violão na frente de casa religiosamente todas as noites. Depois, começamos a tocar por toda parte. Quando não estávamos na frente da casa de algum amigo, estávamos na Praça do Coqueiral ou na Avenida Josefa Taveira, principal do bairro. Lá é um lugar mais agitado e movimentado pra fazer um som com os amigos”, disse o guitarrista e vocalista da banda, Anderson Oliveira.

E o que parecia ser um desafio, tornou-se um facilitador para a Divina Comédia Humana. Tocar rock’n’roll no Nordeste não é das tarefas mais fáceis, mas em Mangabeira o estilo musical tem ganhado seu espaço. Bandas como Mafiota, Terrible Force e Sistema Brutal puxam o bloco do rock alternativo mangabeirense. E Anderson atesta o bom tempo pra fazer rock. “Talvez Mangabeira seja o bairro mais rock’n’roll da cidade (risos)”, finalizou o vocalista.



O que falta? Mangabeira possui uma infraestrutura de dar inveja a muitos bairros. Quando o assunto é mobilidade urbana o bairro conta com três avenidas principais, ruas secundárias grandes, trânsito fluido na maior parte do tempo e o novíssimo Trevo das Mangabeiras. Na educação, 33 escolas púbicas, 12 escolas particulares e um campus do Instituto Federal da Paraíba. Mangabeira ainda conta com Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS), a sede do Distrito Sanitário III, o Complexo Hospitalar Humberto Nóbrega, que abrange o Centro de Ortopedia e Traumatologia (Ortotrauma ou Trauminha) e o Hospital Maternidade Santa Maria, duas Farmácias Populares e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), além de 26 Unidades de Saúde da Família (PSF’s).

Todavia, segundo o líder comunitário do bairro, Wallace de Albuquerde, ainda existe muito a ser melhorado. “Mangabeira tem uma infraesturura maravilhosa, mas a cada dia o bairro cresce e precisa se readaptar. O trânsito está deixando muito a desejar. Temos três avenidas principais, mas precisamos de mais ruas para escoar os congestionamentos. Além disso, é importante a presença da Secretaria de Desenvolvimento Urbano para fiscalizar irregularidades”, revelou Wallace. O líder ainda aponta que a saúde dos PSFs também precisa ser melhorada. Segundo ele, muitos pacientes levam até seis meses para marcar consultas. “Apesar da estrutura boa, a qualidade do atendimento não é. Existem poucas vagas para atendimento. Você tem que chegar de 5h da manhã para ser atendido. É preciso contratar mais pessoas porque a demanda é grande”, finalizou o líder comunitário.

 

 

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