sexta, 22 de fevereiro de 2019
João Pessoa
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Mãe de Aryane Thais desabafa após prisão do acusado

Aline Martins / 15 de junho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
“É como se eu tivesse enterrado de novo a minha filha...”, disse Hipernestre Carneiro, mãe da estudante Aryane Thais Carneiro de Azevedo que foi assassinada em abril de 2010, após o acusado da morte da jovem, o bacharel em Direito Luiz Paes de Araújo Neto condenado a 17 anos e seis meses de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e aborto, se entregar no final da tarde da última segunda-feira, em João Pessoa. Nesse dia, a prisão dele foi decretada. Durante seis anos, a mãe da vítima não descansou enquanto o culpado, por cessar o elo afetivo entre Aryane Thais e mãe/família, fosse preso.

Quando soube da prisão do acusado, Hipernestre Carneiro comemorou e contou que só conseguia gritar o nome da filha. “Thais, minha filha, vencemos”, dizia. Ela temia que houvesse brechas na Justiça que permitisse que Luiz Paes continuasse solto, mas ao saber de que ele tinha sido preso, não teve dúvidas. Logo após a confirmação, a mãe da jovem se reuniu com os outros dois filhos – um que mora em João Pessoa e a outra, nos Estados Unidos. Ao lembrar-se das lutas, do sofrimento até conseguir que o culpado cumprisse sua pena, o choro tomou conta e nesse momento só sentiam a dor do dia que a estudante foi sepultada. “É como se eu tivesse enterrado de novo minha filha... Foi o que eu e meus filhos sentimos”, ressaltou.

No computador e em algumas partes do apartamento onde mora, Hipernestre Carneiro mantém guardada as fotos da filha, dos momentos alegres que compartilhou com a família. “O que agora me resta é saudades”, afirmou. Ela lembrou que durante esse tempo foram feitas várias camisas, banners pedindo o fim da impunidade, Justiça e a que hoje toma conta: “Saudades”. A mãe da jovem revelou que a partir de agora vai ter que aprender a viver com a ausência da filha. “Agora vou ter que aprender a viver sem ela...”, falou emocionada. Comentou ainda que no caso da filha, a Justiça foi feita, mesmo que não saiba quanto tempo de fato o bacharel fique preso.

A mãe de Aryane Thais ainda revelou que sofre também pela família do culpado pela morte da filha. “Eu não queria meu filho no presídio. Eu não queria ter um filho atrás das grades porque é um inferno em vida. Ele vai viver um inferno que ele mesmo procurou”, comentou, destacando que nenhum pai ou mãe cria o filho para entrar na criminalidade. “Ninguém cria um filho para se tornar criminoso, mas também ninguém cria um filho para perder tão cedo. A minha filha tinha 21 anos, minha filha queria viver”, relatou.

Hipernestre Carneiro ainda lembrou que hoje Luiz Paes tem um filho de um ano e dois meses de vida e a partir desse momento, ficará distante do filho e sentirá a saudade que é ficar longe. “Deus deu esse tempo para que a justiça acontecesse para que, justamente no trabalhar de Deus, ainda tivesse o direito de ter um filho e sentir na pele, o que é ficar distante de um filho. Eu sei, ele vai para trás das grades, com um filhinho de um ano e dois meses hoje aqui fora”, comentou. Ela revelou que foi pelo menos seis vezes a Brasília acompanhar o caso da filha. O caso passou pelo Supremo tribunal federal (STF) e retornou para a capital paraibana no início deste mês.

Sem resposta

A reportagem do Jornal Correio da Paraíba ligou para o advogado de Luiz Paes de Araújo Neto, Genival Veloso, para também ouvir o lado da família do réu, mas o telefone celular só chamava. Foi deixado o contato telefônico do Jornal no escritório de advocacia para o retorno da ligação, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos resposta.

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