terça, 16 de julho de 2019
João Pessoa
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Igrejas são refúgios no Centro de João Pessoa

Lucilene Meireles / 27 de janeiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Pelo Centro de João Pessoa, circulam 88 linhas de ônibus que transportam, diariamente, mais de 190 mil passageiros. Nas ruas, são outras centenas de pessoas que vêm e vão de um lado para o outro num ritmo frenético para vencer os desafios diários. Em meio a todo esse movimento, porém, é possível encontrar espaços de paz, onde o silêncio e a sensação de quietude transbordam: as igrejas.

Os templos religiosos emergem bem ali no meio da agitação e, para muitos, são verdadeiros refúgios de fé em meio ao caos urbano. Alguns mantêm suas portas abertas desde cedo para receber os que desejam fazer uma oração, se conectar, com Deus, confessar os pecados, aliviar as dores da alma.

A Igreja da Misericórdia, localizada na Avenida Duque de Caxias, se encaixa bem nessa descrição. Construída no século XVI e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio nacional em 1938, todos os dias recebe dezenas de pessoas que buscam paz de espírito. Alguns sentam nos antigos bancos de madeira e ficam ali contemplando o cenário cheio de detalhes, cada um com seu significado. Outros ajoelham-se, fecham os olhos e, alheios a todo o frenesi que já começa na calçada, com os ambulantes e transeuntes apressados, mergulham num universo espiritual, esquecem os problemas lá fora.



"A igreja é casa de Deus, mas também é casa do povo de Deus. Não faria sentido a casa do povo de Deus estar fechada para este povo que, muitas vezes, no cansaço, na correria, nas tribulações do dia a dia procuram um refúgio, um lugar para rezar, para refletir sobre a vida". Padre Luiz Júnior. Vigário Geral da Arquidiocese da Paraíba.





Em busca de paz. Antes de iniciar a jornada de trabalho numa loja de calçados, o vendedor José Justino da Silva, de 55 anos, cumpre um ritual diário de gratidão. Ele faz questão de visitar o templo e ali passa alguns momentos imerso em orações.

“Como trabalho bem perto da igreja, aproveito para vir sempre agradecer pelo ontem e pedir que dê certo o que há de vir. É muito bom ter a igreja sempre aberta. A gente fala com Deus, relaxa. Saio tranquilo para cumprir minhas obrigações”, relatou.

Enquanto José mantém o hábito da oração diária, o vigilante Carlos Antônio Soares, que trabalha à noite, disse que não costuma ir à igreja com frequência, mas vez por outra sente vontade de entrar, refletir, fazer uma prece.

“Hoje mesmo saí do trabalho e resolvi parar aqui, orar, agradecer, pedir. Me sinto mais leve quando venho. É bom ter a igreja aberta para esses momentos”, resumiu.

Alívio para aflições



“Simbolicamente, é muito significativo que eles pensem na igreja como sendo este lugar de refúgio. Eu diria até que é um oásis, um lugar onde a gente encontra refrigério para nossas aflições”. A declaração é do padre Luiz Júnior, vigário geral da Arquidiocese da Paraíba, que responde interinamente pela Arquidiocese durante as férias do arcebispo Metropolitano. Dom Manoel Delson.

Ele observou que encontrar as igrejas sempre de portas abertas é uma tradição muito forte na Paraíba, principalmente nas igrejas do Centro da cidade.

“As pessoas ali ficam entre um expediente e outro, entre uma ocupação e outra fazendo suas orações e, às vezes, até mesmo descansando das fadigas do corpo, das fadigas da alma”, observou.

Para o vigário, é muito importante que as igrejas sejam casas abertas, casas acolhedoras. “O Papa Francisco sempre insiste nisso, de que as pessoas devem encontrar a casa de Deus, que também é sua, com as portas sempre abertas, principalmente para os momentos de dificuldade, de aflições e a busca da oração”, completou o religioso.

Misericórdia: a igreja mais antiga



A Igreja da Misericórdia, fundada por Duarte Gomes da Silveira, é um autêntico exemplar da arquitetura maneirista, edificada no Centro Histórico da Capital, no último quarto do século XVI. Ela ressalta o uso da pedra calcária como expressão da simplicidade do período colonial. É o templo mais antigo e o mais visitado pelos fiéis no Centro Histórico.

Foi construída para abrigar a sede da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, terceira a ser edificada no Brasil. Desenvolveu um papel relevante no campo da assistência social na Parahyba.

O conjunto original contava também com o antigo Hospital da Caridade que ficava voltado para a Rua Visconde de Pelotas. O prédio recebeu o imperador Dom Pedro II, em 1859, quando ele visitou a Província.

A igreja foi também o primeiro prédio da Paraíba a ser registrado como patrimônio nacional em 1938. A simplicidade de sua arquitetura é a grande marca da igreja e se manteve pouco alterada desde sua fundação.

O templo faz parte do conjunto de monumentos que compõem o cenário colonial da cidade, junto com a Igreja de São Bento, Igreja do Carmo, Igreja e Convento Franciscano, Igreja e Convento Jesuíta, além do traçado urbanístico que permanece íntegro até hoje.

Exemplar do Barroco



A Igreja de São Bento, que funciona no Mosteiro, na Avenida General Osório, é um exemplar da arquitetura barroca religiosa do século XVII que abrigou, até 1921, os monges da Ordem Beneditina. Seus alicerces começaram a ser construídos em 1721, sob ordem do abade Frei Cypriano da Conceição. A partir de 1722, o trabalho se concentrou na construção da capela-mor que foi concluída em 1739. A construção da Igreja e do Mosteiro durou cerca de 161 anos.

No interior do templo, estão o altar, o retábulo do século XIX, quatro imagens do século XVIII: Santa Escolástica, Santa Gertrudes, Santo Amaro e São Bento; e a imagem de Cristo crucificado, do século XIX. Tem ainda uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Mont Serrat, de 1999. Sobre a torre, foi colocado o catavento com perfil de um leão girando em torno de um cajado, símbolo beneditino.

Assim como a Igreja da Misericórdia, foi restaurada através do Convênio Brasil/Espanha, sob a orientação do Projeto de Revitalização do Centro Histórico. Esse trabalho foi concluído em setembro de 1995 pelos alunos da Oficina-Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa, 400 anos após a chegada dos primeiros beneditinos à Paraíba, em 1595.

Igreja do Carmo. Localizada na Praça Dom Adauto, ela envolve um conjunto arquitetônico erguido pelos carmelitas e é composto pela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, pelo Palácio Episcopal - antigo Convento Carmelitano e atual sede da Arquidiocese da Paraíba, e pela Igreja de Santa Teresa de Jesus da Ordem Terceira do Carmo, datada do século XVIII.

A igreja e o palácio foram construídos no século XVI e são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep). Já a Igreja de Santa Teresa foi construída no século XVIII e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Um templo erguido sobre ruínas



Construída em 1843, a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves está localizada próximo ao Rio Sanhauá e, um dos diferenciais é que o templo foi erguido sobre ruínas soterradas, o que foi descoberto durante o processo de restauração, no ano 2000.

De acordo com o Iphan, os vestígios de pedra calcária podem ser das ‘Muralhas do Varadouro’. Em alguns trechos, chega a atingir entre oito e dez metros de altura. Conforme a análise de especialistas do Instituto, as ruínas podem ser do período de 1585.

Centro Cultural. Um dos mais famosos pontos turísticos de João Pessoa também possui uma igreja histórica do período barroco que foi tombada pelo Iphan em 1952. O Centro Cultural São Francisco é composto por um complexo arquitetônico formado pela Igreja de São Francisco, Convento de Santo Antônio, além da Capela da Ordem Terceira de São Francisco.

Também fazem parte do conjunto a Capela de São Benedito, a Casa de Oração dos Terceiros - Capela Dourada -, o Claustro da Ordem Terceira, uma fonte e um grande adro com um cruzeiro.

Basílica. A construção da Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves data de 1586 e é atribuída aos primeiros colonizadores da Paraíba em homenagem a Nossa Senhora das Neves. Na época, o prédio era de taipa e só foi reconstruído no século XVII, passando por reformas posteriormente.

Durante a reforma, em 1881, a igreja passou a ter o formato atual e tornou-se catedral em 1894. Na época, a Diocese da Paraíba havia sido criada, com sede na Igreja de Nossa Senhora das Neves.

O título de Arquidiocese veio em 1914. Já o de Basílica, ocorreu em 1997, durante o episcopado de dom Marcelo Pinto Carvalheira.

As informações foram repassadas pelas administrações das igrejas e pelo portal Turismo João Pessoa.

 

 

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