terça, 24 de abril de 2018
João Pessoa
Compartilhar:

Idosos penam com violência dos familiares

Beto Pessoa / 12 de setembro de 2017
Foto: Rafael Passos
A Região Metropolitana de João Pessoa registra a média de 210 crimes contra idosos por semana. São aproximadamente 30 ocorrências por dia, segundo estimativa divulgada pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso. Filhos, netos e parentes próximos, em geral, são os principais responsáveis pelas agressões, que vão desde violência física até psicológica.

De acordo com a titular da Delegacia do Idoso, Vera Lúcia de Lima, as ocorrências têm configurações variadas, mas todas denunciam o desrespeito sofrido por esta parcela da população.

“A gente recebe crimes de estelionato, golpes de saidinha de banco, entre outros crimes que acontecem fora de casa, mas a maior parte das ocorrências vem de dentro de casa. É um neto que toma o dinheiro do avô; o filho que agride fisicamente a mãe; familiares que não querem tomar conta do idoso debilitado”, disse.

A delegada destacou ainda as violências geradas pela negligência afetiva. “Recebemos um caso semana passada, via denúncia anônima, de uma idosa que tem 10 filhos e nenhum queria cuidar dela. Uma senhora debilitada, que vivia só, triste e doente. Íamos abrir um processo na justiça por desprezo, até que uma nora decidiu tomar conta dela”, destacou Vera Lúcia.

Em toda Paraíba são duas delegacias especializadas nestes atendimentos, uma em João Pessoa e outra em Campina Grande, número que nem sempre condiz com o volume de denúncias recebidas.

Abandono. Outro problema enfrentado pelos idosos é a falta de equipamentos e políticas públicas que atendam suas necessidades básicas, é o que destaca a promotora do Idoso, Sônia Maia. “É verdade que a violência começa dentro de casa, mas temos percebido uma crescente negligência do poder público, seja na área da saúde, quando solicitamos atendimentos ou ambulância do Samu, mas também em diversas outras políticas”.

Entre elas, destacou a promotora, estão às políticas habitacionais. “Muitos idosos estão em situações precárias de habitação e não têm onde serem abrigados, porque o poder público não disponibiliza estes espaços. São idosos acamados ou que são deixados na rua, são trazidos pela polícia e não temos onde abrigá-los temporariamente”, disse.

Considerado por muitos uma referência em habitação para idosos, o Programa Cidade Madura, do Governo do Estado, não atende às reais necessidades desta população, avalia a promotora Sônia Maia. “O programa é para idosos em boa situação econômica. Ele não atende aos que mais precisam, que são os pobres, pois há diversas restrições para acesso”, disse.

A reportagem tentou ouvir a secretária de Desenvolvimento Humano do Estado, responsável pela administração do Cidade Madura, mas foi informada pela assessoria que Cida Ramos estava em reunião e não podia retornar o contato até o fechamento desta edição.

Refúgio. O “Cidade Madura” já dispõe de condomínios em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e Cajazeiras. Cada um possui 40 unidades habitacionais e possui equipamentos como redário, horta coletiva, academia de ginástica e posto de saúde. De acordo com o Governo do Estado, um quinto condomínio está em fase de conclusão em Sousa e o sexto, em local ainda não divulgado, está em fase de licitação.

Relacionadas