quinta, 27 de junho de 2019
João Pessoa
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Feira da diversidade: Mercado Central completa 70 anos de pluralidade

Katiana Ramos / 09 de junho de 2019
Foto: Nalva Figuereido
A disputa é acirrada, e no ‘gogó’, para vender mais e logo repor a mercadoria. Em meio ao espaço apertado, por vezes impossível de comportar dezenas de vendedores e clientes, é possível encontrar um cantinho mais tranquilo para um café com tapioca. Nos bares, o som vai do brega, passando pelo sertanejo, ao funk e forró. Estamos no Mercado Central de João Pessoa, onde a pluralidade de produtos e frequentadores traduz o que é uma das feiras livres mais antigas da cidade. Apesar dos problemas recorrentes, os 70 anos do mercado, completados este ano, seguem contando muitas histórias, entre frutas, verduras e grãos.

Os olhos azuis de Galega, como é conhecida entre os feirantes do Mercado, passam quase despercebidos entre as raízes medicinais e alguns objetos de utilidade doméstica vendidos por ela no box onde trabalha.

“Cheguei aqui com uma caixinha de coentro e tomate. Isso há uns 50 anos. Aqui comecei a vida”, falou Galega com orgulho, embora desconversasse durante toda a entrevista quando perguntada pelo nome de batismo, Severina. “Pouca gente aqui me conhece por esse nome. Mas, precisou de remédio e perguntou por ‘Galega’, todo mundo ensina onde é que eu fico”, completou. Mesmo com as vendas um pouco em baixa, Galega não desanima e se mantém ativa no mercado, todos os dias.

No mesmo pique está Fátima Martins, que chega à feira, de segunda a sábado, às 5h30. A beleza das frutas que vende em seu box traduz bem a realização da comerciante a cada cliente que chega ao local. “Tenho muito prazer em trabalhar aqui. Criei meus filhos aqui. Hoje eles é que estão mais a frente. Mas, todos os dias eu venho e atendo todo mundo do mesmo jeito”, contou. O trabalho na feira Central de João Pessoa tem praticamente a mesma idade do casamento dela, 36 anos.

Se os comerciantes têm alegria de trabalhar no Mercado Central, para os clientes, o sentimento é semelhante e o que chama a atenção é a variedade de produtos. “Aqui você acha de tudo. Tem comida, tem objetos pra casa. Você faz a feira completa. Tem até roupa”, comentou a dona de casa Maria Alice Silveira. Ela mora no bairro de Jaguaribe, mas revelou que vir para o Mercado Central todos os sábados é tradição familiar. “Minha mãe sempre vinha e eu acompanhava. Então, eu continuo”, disse.

Já Luana Pereira mora no bairro da Ilha do Bispo, mas prefere vir ao mercado do Centro da cidade a procurar outro mais próximo. “Tem a feira de Bayeux. Mas aqui é melhor”, falou.



Histórico. O Mercado Público Municipal, o popular ‘Mercado Central’, foi finalizado em 1948 e começou a operar em 1949. A edificação do prédio aconteceu ao longo da gestão do prefeito Francisco Cícero de Melo Filho (1940-1945), como um dos marcos do crescimento urbano da Capital.

Sem obras previstas



A última reforma do Mercado Central foi em 2012. Contudo, a estrutura ainda tem muitos problemas estruturais, como fiação elétrica e rede de esgoto expostas, teto e paredes com infiltrações. Mas, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), não há projeto de requalificação para o mercado no cronograma de obras da Prefeitura para este ano.

De acordo com a Sedurb, atualmente, o Mercado Central comporta 1000 comerciantes, entre boxes e bancas, distribuídos em setores de frutas, verduras, lanchonetes, frigorífico e mercadinhos.

Em relação aos problemas estruturais relatados, a assessoria de comunicação da Sedurb informou que realizou um levantamento dos reparos necessários, inclusive nesta semana, equipes de manutenção da Secretaria estão executando reparos hidráulicos nos banheiros do Mercado, em seguida, será realizado os reparos na rede elétrica.



Vários boxes desocupados



Em maio deste ano, a Sedurb realizou uma operação para o reordenamento urbano nas ruas do entorno ao Parque da Lagoa, onde, segundo a pasta, ambulantes estavam vendendo frutas e verduras provenientes de permissionários de boxes do Mercado Central. Por conta disso, os boxes utilizados apenas para guardar carrinhos de ambulantes foram desocupados. A assessoria da Sedurb informou que a assessoria jurídica da pasta está realizando o levantamento necessário para que, dentro da legislação, esses espaços possam ser cedidos a outros comerciantes cadastrados na PMJP. Esse acompanhamento jurídico é essencial, já que no local a maioria dos boxes é ocupada por donatários.

Sobre o lixo no Mercado Central, situação de constante reclamação entre feirantes e consumidores, lembramos que esse trabalho é realizado em parceria com a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), que diariamente conta com agentes executando os serviços na área. De todo modo, a Sedurb tem disciplinado junto à administração do Mercado para que os comerciantes sejam conscientizados a descartar o lixo de maneira correta, sem obstrução dos corredores.

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