sábado, 16 de janeiro de 2021

João Pessoa
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Esgoto em Marés acende alerta de poluição

Lucilene Meireles / 14 de junho de 2016
Foto: Rafael Passos
“Se fôssemos depender só dos mananciais, a situação ficaria muito complicada. A maior parte da água que sai da estação de Marés vem da Bacia de Gramame, que vai para ser tratada. A poluição de Marés é tão grande que está inviabilizando o uso da água. Não se respeita nada”. A observação é de Tarcísio Cordeiro, doutor em biologia pela universidade alemã Biologische Anstalt Helgoland, e autor do livro ‘O que você precisa saber sobre a água de João Pessoa’. É um processo que vem da urbanização da cidade e da ocupação desordenada da área às margens da represa.

O problema não é recente e foi tema da tese de doutorado, defendida em 2013, por José Reinolds Cardoso de Melo, engenheiro civil pela UFPB e mestre em Engenharia Civil pela UFCG, com experiência em Engenharia Sanitária. O estudo foi em parceria entre UFPB e UFBA, e resultado de quatro anos de investigação. A denúncia foi levada ao Ministério Público, mas ele garante que nada foi feito e os esgotos continuam sendo lançados.

Uma das constatações da pesqi foi feita em Santa Rita. O conjunto habitacional popular Eitel Santiago ocupa parte da bacia do rio Marés que, conforme o decreto estadual 8.047/1979, é área de preservação ecológica justamente para evitar a poluição do reservatório e isso não foi respeitado. “As normas existentes hoje nas três esferas de governo não são suficientes para garantir a proteção dos mananciais”, diz o texto.

Entre as constatações, Reinolds observou a destruição do muro de contorno para proteção da área, lançamento de resíduos, recreação irregular, desmatamento, presença de animais no açude, construções nas áreas de proteção, minerações (areeiros) abandonadas, plantações que não atendem a legislação específica. A Guarda Florestal e vigilantes da Cagepa, conforme o autor, não são suficientes para conter o processo.

Direto no rio. O estudo verificou que, no bairro Jardim Veneza, só 5,6% das casas estão ligadas à rede coletora de esgotos. Algumas têm fossas, mas outras despejam em via pública os esgotos domésticos por valas que seguem direto para o rio Marés. A poluição vem também da presença de animais que tomam banho, urinam e defecam, sem contar que o rio é usado para o lazer nos finais de semana.

Além disso, de acordo com o documento, a infiltração de esgotos das fossas das casas poluem o lençol freático. Em análise feita durante a pesquisa,em 2011, foram encontrados coliformes totais e de Escherichia coli na água. “O manancial apresenta níveis preocupantes de poluição e contaminação”, diz um trecho.

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