segunda, 18 de janeiro de 2021

João Pessoa
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‘DJs de ônibus’ descumprem lei que proíbe uso de aparelhos sonoros nos coletivos

Rammom Monte / 03 de março de 2017
Foto: Arquivo
Desde 2013 há uma lei na Paraíba que proíbe a utilização de aparelhos sonoros em transportes púbicos. Mas ao que parece, a determinação ficou apenas no papel. Diariamente, passageiros têm que conviver com o incômodo dos “DJs” dos ônibus. O mais grave é quando o descumprimento da lei parte dos profissionais das próprias empresas : motoristas e cobradores. E é neste momento que as pessoas que utilizam o serviço se perguntam: a quem recorrer?

Foi o caso da funcionária pública Maria Ferreira, que nesta quinta-feira (02) flagrou um cobrador da linha Circular 5100 com um equipamento sonoro funcionando com um volume super alto. A passageira até pensou em reclamar, mas se lembrou de outro caso vivenciado por ela mesma, em que quase foi linchada por pedir a um motorista que diminuísse o volume do equipamento.

“Ontem fiquei com medo de fazer a reclamação do cobrador. Eu pego o ônibus que faz um trajeto longo, mais de uma hora dentro de um ônibus, que já é barulhento, e o cobrador ouvindo música alta, todo mundo reclamando. Cheguei a reclamar e quase fui linchada. O motorista estava ouvindo uma musica evangélica e as pessoas acharam que eu estava reclamando da música. Eu cheguei a fazer a reclamação na empresa e cheguei a registrar um Boletim de Ocorrência. As pessoas ameaçaram jogar meu celular pela janela. Foi uma situação desconfortável, a gente se sente meio sem ter com quem reclamar”, disse.

Além do incômodo, a funcionária pública ainda tem um agravante. Após ter passado por um tratamento de câncer, ela ficou com uma hipersensibilidade na audição, que faz com que qualquer barulho a incomode muito mais do que a outras pessoas.

“Eu fiz um tratamento de quimioterapia e fiquei com uma hipersensibilidade na audição. O som incomoda, segundo o neurologista, qualquer barulho incomoda e causa stress”, afirmou.

Ainda de acordo com Maria, alguns ônibus, inclusive o do caso desta quinta-feira (2), não têm mais a placa informando sobre a lei e o número para qual o passageiro deve ligar em caso de reclamação.

Otorrinolaringologista explica perturbação devido a ruídos

O otorrinolaringologista Marcos França explicou que algumas pessoas têm uma sensibilidade maior na audição e que, por conta disto, elas ficam mais vulneráveis a traumas acústicos. “O problema é o seguinte, algumas pessoas têm sensibilidade acima do normal. O ouvido humano, em circunstâncias normais escutam até 25 decibéis.  Algumas pessoas escutam som inferiores e quanto maior a sensibilidade, mais vulnerável ela é ao trauma acústico”, explicou.

O especialista explicou ainda que determinados ruídos podem ocasionar até a perda da audição. “Ruídos acima de 80 decibéis são potencialmente nocivos à audição e isto é muito normal na cidade, como sons de buzina, de propagandas...  A pessoa que fica muito tempo exposta a este tipo de som é mais pré disposto a ter perdas na audição, como motorista do carro de som, músicos. Não tem perigo de um músico não ter uma certa perda. Todos têm traumatismo”, disse.

Segundo o médico é importante que se evite ficar exposto de forma prolongada a ambientes com muito ruído. Ele citou até o exemplo de uma sala com um ar-condicionado quebrado que emita um som contínuo e que com o passar do tempo pode vir a trazer problemas à saúde do ouvido.

Fiscalização

De acordo com a Lei, os órgãos de defesa do consumidor, como os Procons municipais e estaduais, e a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) são responsáveis por fiscalizar a lei. A reportagem entrou em contato com todos os órgãos acima citados, mas até o fechamento da matéria, não houve retorno.

Também foi feito contato com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros  Municipal (Sintur-JP), que informou ser a Semob a responsável por falar sobre o assunto.

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