quinta, 04 de março de 2021

João Pessoa
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CRM e Ministério Público estão de olho nas macas retidas no Trauma de João Pessoa

Bárbara Wanderley / 22 de agosto de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
O Conselho Regional de Medicina na Paraíba (CRM-PB) e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) realizaram, na manhã dessa segunda-feira (21), uma fiscalização no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, e constataram a retenção de duas macas pertencentes ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os dois equipamentos estavam na ala vermelha da unidade hospitalar e, segundo o depoimento das equipes do Samu, algumas vezes elas ficam no hospital por até 24 horas.

Além da fiscalização no Hospital de Trauma, outras duas vistorias das equipes do CRM foram realizadas na sede do Samu, em Água Fria, e no Corpo de Bombeiros. Nos dois locais, os funcionários afirmaram e revelaram por meio de relatórios a retenção de macas no Hospital por até 24 horas. “Conversamos com os coordenadores do Samu e eles expuseram queixas a respeito da retenção de macas, colares e pranchas”, disse o fiscal do CRM, Marnio Costa.

A ação do CRM e do MPPB foi motivada por denúncias. O programa da rádio Correio (98 FM), Balanço Geral, já havia denunciado um caso em que o Samu deixou de prestar socorro por falta de maca, na semana passada.

A promotora da Saúde do MPPB, Maria das Graças Azevedo dos Santos, afirmou que se o problema persistir, o hospital será multado e os responsáveis podem ser presos. Por sua vez, o diretor de fiscalização do CRM, João Alberto Morais lembrou que uma resolução em vigor desde fevereiro de 2015, impetrada pela 3ª Vara da Fazendo Pública da capital, determina que o tempo máximo para a retenção de macas do Samu nas unidades hospitalares da cidade não pode ultrapassar 30 minutos, sob pena de multa.

“Na fiscalização nós flagramos duas macas retidas na ala vermelha e os próprios funcionários do Samu e do Corpo de Bombeiros denunciaram essa situação. Vamos convocar os responsáveis e utilizar essa liminar como garantia de que isso não pode continuar acontecendo”, disse João Alberto.

A promotora Maria das Graças informou que na próxima sexta-feira haverá uma audiência com os responsáveis pelo Samu, Hospital de Trauma e a Cruz Vermelha, que é quem administra o hospital. “Já aconteceu comigo. Há cerca de um mês, chamei o Samu e eles disseram que não poderiam ir porque não tinha maca e nem tinha previsão”, contou o auditor Francisco Guedes Vasconcelos Júnior, que estava no hospital acompanhando a mãe. Ele explicou que, na época da negativa, o pai estava passando mal devido à pressão arterial estar muito alta, mas conseguiu estabilizar com medicamentos sem precisar esperar mais pela ambulância.

Um condutor de ambulância, que estava saindo do hospital após deixar um paciente, afirmou que iria retornar para a base sem maca após esperar por duas horas. “Vou tentar recuperar uma maca lá, se tiver. O Samu até já doou algumas macas para o hospital, mas não adiantou. Outro dia tive que emprestar um equipamento de oxigênio da ambulância porque o hospital não tinha disponível”, contou ele.

A assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou o problema através de uma nota, ressaltando que o Samu já fez Boletim de Ocorrência e que o setor jurídico da SMS já enviou ofícios aos Ministérios Públicos Estadual e Federal relatando a situação e solicitando providências.

“Na Capital, a maioria das ocorrências é encaminhada para o Hospital de Emergência e Trauma, o que resulta na retenção das macas das ambulâncias na unidade hospitalar. Cada ambulância possui uma maca própria que é específica para o uso dentro da unidade, não podendo ser substituída por outra e sua retenção inviabiliza o uso da unidade e a prestação de socorro”, diz a nota.

Hospital nega

O Hospital de Emergência e Trauma nega a retenção das macas. “Ocorre que em casos de pacientes graves e instáveis o primeiro atendimento deve ocorrer nas macas das ambulâncias. Estas são liberadas o quanto antes, conforme protocolo do Advanced Trauma Life Support (ATLS) de atendimento hospitalar a pacientes graves”, diz a nota divulgada pela assessoria de comunicação do hospital.

O superintendente do Trauma, Milton Pacífico, afirmou que já encomendou mais 12 macas para o hospital. “Não temos problema com falta de maca aqui, mas de qualquer forma, mandei comprar mais 12, que devem chegar em 10 ou 15 dias”, disse. Milton Pacífico sugeriu que se o Samu tivesse uma reserva de macas, o problema seria solucionado. “Nós fazemos de tudo para não reter macas, mas no caso de um paciente com fraturas múltiplas, por exemplo, nós não podemos movê-lo, então o atendimento tem que ser feito na maca mesmo. Se eles tivessem uma maca reserva para substituir, a ambulância já poderia voltar a circular”.

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