segunda, 10 de maio de 2021

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Corpo de Bombeiros da Paraíba tem ‘tropa de elite canina’ que salva vidas

Socorro e Silva / 02 de julho de 2017
Foto: Assuero Lima
À primeira vista os belos labradores Lost, Luna e Shogum de pelagem preta brilhante, e o pastor belga malinois, Radar, parecem cachorros comuns. Novos - com idades entre 9 meses e 5 anos - o interesse deles na maior parte do tempo é correr pelo gramado e brincar com que encontram pela frente. Seriam cães 'normais' não fizessem parte do Batalhão de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros da Paraíba, treinados para o resgate de pessoas. Recentemente, Lost ganhou as páginas dos noticiários ao salvar uma idosa em Santa Rita. "Em duas horas e meia ele conseguiu encontrar a mulher desaparecida e procurada há mais de 48 horas ", informa orgulhoso o chefe do canil, capitão Edson Ferraz.

Não é qualquer cachorro que está apto a fazer parte do seleto grupo de salvamento do Corpo de Bombeiros. Muito mais do que o faro apurado, o cão precisa ser curioso, disposto, focado e forte para suportar o treinamento intenso e diário. O trabalho começa bem cedo ainda na ninhada, onde é avaliado se o bicho tem perfil para a vida de especialista em resgate. Frutos de doações, principalmente de outras entidades militares, todos chegaram bem pequenos ao canil de Corpo de Bombeiros.

O treinamento torna o cachorro especialista para alguma função de resgate: Lost é perito em encontrar vivos; Shogun em cadáveres; Luna tanto vivos como mortos e Radar ainda está em treinamento. Cada um tem um treinador responsável pelo cão que lhe ensina os comandos básicos como sentar, deitar, parar, obedecer e encontrar pessoas. Tudo em francês para evitar que qualquer pessoa dê comandos equivocados. O treinamento envolve posições e locais variados para que o bicho não fique condicionado a buscar apenas pessoas deitadas, por exemplo. "Eles aprendem a buscar em terra e até em cima de árvores", informa o capitão.

Histórias de sucesso. O treinamento é constante e intenso para que nas situações de busca, o resultado seja sempre positivo. Shogun é um exemplo disso. Em uma recente ação de busca em um canavial, onde a polícia havia recebido a denúncia de um corpo abandonado, o cachorro não encontrou nada e a área foi excluída como suspeita. "O cão é muito preciso, mas ainda assim, há quem duvide dessa precisão", conta o capitão. "Quando o cão finaliza um trabalho, eu tenho certeza do resultado, mas para quem não tem noção do treinamento e do trabalho desenvolvido junto ao animal, fica a dúvida", completa.

Com 5 anos, Shogun coleciona histórias. Em outra ação, no município de Guarabira, ele atuou na busca de um homem desaparecido que a mãe julgava estar morto e enterrado em um sítio. Após a denúncia de que havia uma cova recente no local, o cão foi levado e não parou sobre onde apontava a mulher. “Se ele não parou, com certeza não havia pessoa morta ali, mas a mãe em desespero não acreditou e tivemos que abrir o local para confirmar que o cadáver era de um cachorro e não de um ser humano”, contou. O capitão informa que, no caso dele, o treinamento é para detectar exclusivamente humanos.

Capacidade. A capacidade de trabalho de um cão farejador para localizar pessoas equivale a 20 homens desempenhando a mesma função de busca, sendo que animal pode realizar em uma hora, a tarefa que seria realizada em 12 horas.

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