quarta, 25 de novembro de 2020

João Pessoa
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Conhecer o acervo arquitetônico de JP é opção de passeio no feriado

Secom-JP / 25 de dezembro de 2015
Foto: Divulgação
Dos muitos testemunhos arquitetônicos deixados em 430 anos de João Pessoa, a história da terceira cidade mais antiga do Brasil começa a ser contada a partir do Varadouro. A cidade voltada para o Sanhauá, onde transcorreu boa parte da vida social e econômica até meados do século XX (quando passou a expandir-se rumo ao leste), guarda joias da arquitetura barroca e rococó, que podem ser visitadas em um belo passeio pelo Centro da Capital.

Emoldurada pelos belos cenários coloniais, a antiga Cidade de Nossa Senhora das Neves é presente, mas sobretudo herança do que passou. O grande acervo histórico-cultural do Centro Histórico tombado ocupa uma área de 370 mil metros quadrados e cobre 502 edificações, sendo 11 igrejas tombadas.

Para atualizar a pesquisa histórica sobre o período colonial paraibano, o professor Mozart Vergetti de Menezes, do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba, destaca os seculares templos, hoje cartões-postais, que guardam o legado da irmandade de misericórdia, do clero secular e das quatro ordens religiosas que aqui se instalaram: carmelita, franciscana, jesuíta e beneditina.

Os templos 

Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves. Erguida em homenagem à padroeira, depois de seladas as pazes com os tabajaras, em 5 de agosto de 1585, esta igreja data do nascedouro da urbanização da cidade. Originalmente feita de taipa, passou por várias transformações ao longo do tempo. Hoje, a Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves não retém marcas do seu passado colonial.

Igreja da Misericórdia – Construída originalmente em pedra lavrada, e já em uso em 1595, o templo de Nossa Senhora da Misericórdia ainda conserva rara arquitetura original do período revisional renascentista, o Maneirismo. Construída pelo olindense Duarte Gomes da Silveira, um rico senhor de engenho, conquistador e colonizador da Paraíba, o templo abriga uma nave ampla com duas capelas laterais. Numa delas, a da esquerda, encontra-se a cripta de Gomes da Silveira e sua esposa, Fulgência Tavares.

Igreja São Francisco e Convento de Santo Antônio – Erguidos em madeira rebocada, em 1589, pelos recém-chegados padres franciscanos, a Igreja e o Convento de Santo de Antônio passaram por algumas versões ao longo do tempo. A grandiosa obra arquitetônica que hoje se vê é fruto de uma longa e lenta construção realizada sob os escombros deixados pelos holandeses (1649), e só foi plenamente terminada em meados do século XIX.

O complexo, transformado em Centro Cultural, é considerado a mais bem acabada representação da escola franciscana de arquitetura do Nordeste. Contém a igreja (cuja nave traz uma importante pintura barroca, mostrando a cena da Glorificação dos Santos Franciscanos, atribuída a José Joaquim da Rocha, fundador da escola baiana de pintura), o Convento de Santo Antônio, as capelas da Ordem Terceira de São Francisco e de São Benedito, a Casa de Oração dos Terceiros (chamada de Capela Dourada), o Claustro da Ordem Terceira, mais uma fonte e um grande adro com um cruzeiro, constituindo um dos mais notáveis testemunhos do estilo barroco quinhentista do Brasil. Pela sua importância, foi tombado em 1952.

Igreja do Carmo - Localizado na Praça Dom Adauto, na Avenida Visconde de Pelotas, o Convento de Nossa Senhora do Carmo também abriga a Arquidiocese da Paraíba. A sua construção, toda em estilo barroco-rococó, começou entre os anos de 1605 e 1609, com a chegada dos carmelitas.

A sua torre, fachada, talhas e relevos foram esculpidos em pedra, enquanto que o destaque da nave evidencia os motivos florais desenhados em pedra calcária. Inicialmente, a obra estava destinada a servir de moradia dos carmelitas, que vieram com o propósito de evangelizar os nativos. Muitos detalhes históricos sobre o conjunto se perderam com a invasão holandesa e a perseguição aos carmelitas. Em 1906, Dom Adauto, primeiro bispo da Paraíba, transformou o convento no prédio hoje conhecido como Palácio do Bispo.

Mosteiro de São Bento – Após criarem abadias em Salvador (1581), Rio de Janeiro (1586) e Olinda (1590), os beneditinos só se fixaram na Filipéia de Nossa Senhora das Neves por volta de 1604. A partir daí, deram início às obras do Mosteiro de São Bento que, inicialmente feito em madeira rebocada, fora concluído provavelmente em 1618.

O conjunto tem estilo sóbrio, harmonioso e imponente. O mosteiro foi desativado em 1921 e seu prédio tem sido locado para o funcionamento de instituições educativas. O conjunto beneditino é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e fica na Rua General Osório, perto da Basílica.

Memória da Igreja de São Gonçalo – Os jesuítas foram os primeiros missionários a chegar à Capitania da Paraíba. Em 1585, levantaram uma capela onde hoje é a Ilha do Bispo e ergueram uma cruz para aldear e catequizar os tabajaras. No fim de 1591, iniciaram a construção da Igrejinha de São Gonçalo, situada nas imediações da hoje Praça João Pessoa.

No entanto, conflitos de interesses entre os administradores reinóis, os produtores locais e os jesuítas, principalmente sobre a quem caberia o controle dos índios, resultou na expulsão dos missionários em 1593. Eles só regressariam em 1683.

Desta vez, os jesuítas se voltaram para a fundação de uma residência efetiva na Paraíba, basicamente no mesmo sítio onde outrora fora levantada a acanhada Igreja de São Gonçalo. Ali, ao longo de aproximadamente 70 anos, dada a limitação de recursos, puderam concluir a Igreja e o Colégio de São Gonçalo, em 1757, onde ensinavam latim, filosofia e letras.

Mas a existência do espaço teve vida curta: já em 1760, a congregação foi novamente expulsa, agora não só da Paraíba, mas de todo o império português, em função da política de perseguição empreendida pelo Marquês de Pombal, ministro do Rei D. José I.

A Igreja de São Gonçalo, que depois foi transformada na Igreja da Conceição dos Militares da Confraria do Senhor dos Martírios, acabou sendo demolida em 1929, durante o governo de João Pessoa, para dar lugar ao jardim lateral do Palácio do Governo (Palácio da Redenção). Hoje a área abriga a cripta onde jazem os restos mortais do antigo governador cujo nome batizou a Capital por último.

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