terça, 17 de outubro de 2017
João Pessoa
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Comerciantes esvaziam Centro Histórico de João Pessoa

Ainoã Geminiano / 21 de março de 2016
Foto: Rafael Passos
Aluguéis caros, IPTU nas alturas, prédios sujos e abandonados e violência que espantam clientes são alguns dos motivos que estão fazendo comerciantes desistirem do Centro Histórico de João Pessoa. Durante o dia, quando não há turistas na praça Antenor Navarro, o clima no local é de abandono. Os comerciantes que resistem à ideia de deixar a região, estão usando de muita criatividade e mesclando as atividades para conseguir tornar os negócios viáveis.

Um dos estabelecimentos mais conhecidos do local é o Espaço Mundo, que funciona como restaurante durante o dia, como bar e centro cultural durante a noite. A variedade de atividades no mesmo prédio foi uma das formas encontradas pelos proprietários de tornar viável o investimento. "Somos uma família grande, dividindo o mesmo espaço com várias atividades. Se fosse só o restaurante dificilmente teríamos como continuar funcionando. Temos custos muito altos como aluguel, IPTU, energia elétrica, além de que o Centro Histórico está abandonado, o que afasta os clientes", disse a comerciante Carla Lins.

Duas lojas à direita do Espaço Mundo está o casarão 39, onde funciona uma revenda de produtos feitos à base de algodão natural. Mas há quatro meses os donos resolveram iniciar uma atividade noturna no mesmo espaço, como bar e apresentações culturais, mas a queixa principal é a falta de clientes. "João Pessoa não tem Centro Histórico de verdade. Isso aqui não tem atrativos. A venda de nossos produtos depender de alguns turistas que vêm em excursões. Decidimos investir na noite, porém vários de nossos clientes foram assaltados que estavam chegando aqui, que saíram de dentro do Conventinho (prédio abandonado ao lado da praça Antenor Navarro). Essas pessoas disseram que não viram nunca mais por aqui. A quem vamos vender?", questionou o empresário, que preferiu não ser identificado.

Do outro lado do quarteirão, em frente ao Hotel Globo, os empresários de um restaurante reclamam da falta de incentivo do Governo municipal, para que os empreendedores do local invistam mais na manutenção dos prédios. "O grande problema aqui é a quantidade de prédios abandonados, destruídos, sujos, pichados. Quem vai ter interesse de visitar um lugar desse?", questionou a comerciante Duília Mastorano. Segundo ela, por se tratarem de prédios centenários, as estruturas precisam passar por frequentes reparos. "Não podemos usar uma tinta que dura mais, por exemplo, porque ela tem brilho e altera o acabamento original. Daí precisamos fazer várias pinturas. A prefeitura poderia fazer uma dedução no IPTU por exemplo, para incentivar os comerciantes e proprietários a zelar por suas fachadas", sugeriu.

A Prefeitura

O coordenador do patrimônio do município, Fernando Milanez Neto, reconhece que o Centro Histórico da Capital não é atrativo mas disse que isso é fruto de um abandono histórico da região, que nunca foi encarada como política pública. "O zelo por essa região da cidade tem sido uma política de governos. Os governos de Agra e de Cartaxo se preocuparam com isso e fizeram vários investimentos. Mas os anos anteriores nos quais não se fez nada, deixaram um saldo histórico de abandono, que vai levar muito tempo para ser zerado", disse.

Segundo Milanez, a prefeitura já concluiu e está terminando obras importantes no Centro Histórico. "Há três anos todos os prédios foram pintados e a própria população depredou e pichou tudo. Entregamos a Casa da Pólvora, a Praça da Independência, Praça da Pedra. Estamos prestes a concluir a reforma do Hotel Globo e a construção de um posto de polícia, que será compartilhado pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar, para reforçar a segurança do local", acrescentou.

O coordenador ainda disse que está prestes a começar a construção do "Moradouro", um projeto de revitalização de casarões, próximos da Praça Antenor Navarro, que serão reabitados. "Tudo isso é muito pouco para o abandono acumulado ao longo dos anos em que nada foi feito pelo Centro Histórico", comentou. Milanez concordou com a idéia de deduzir investimentos dos locatários, no pagamento do IPTU, mas não crê que fará diferença. "Isso também é pouco. O Centro Histórico só voltará a ser atrativo quando todos os governos se comprometerem com ele e forem recuperando ao longo dos anos", concluiu.

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"Ha uma promessa de transformar uma creche abandonada que temos aqui perto em uma base para a polícia e para a Guarda Municipal. Isso poderia nos ajudar, reduzindo a violência por aqui. Mas ainda é só promessa", Carla Lins, comerciante

Valores

R$ 1.500,00 de aluguel

R$ 600,00 de PITU

R$ 800,00 de energia

São algumas despesas fixas do Espaço Mundo

 

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