quinta, 27 de junho de 2019
João Pessoa
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Chuva para um mês inteiro e problemas por todo canto

Lucilene Meireles/Beto Pessoa / 14 de junho de 2019
Foto: Divulgação/Nalva Figueiredo
O inverno só começa oficialmente em uma semana, mas a força das chuvas já foi vista durante todo o dia dessa quinta-feira (13). Em 24 horas, choveu em João Pessoa o esperado para todo o mês, segundo informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), repassados pela Defesa Civil Municipal. Até o final da tarde de ontem foram 257 milímetros registrados na Capital, quando eram esperados cerca de 300 milímetros para os 30 dias de junho.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuvas fortes e risco de deslizamentos que vale até esta sexta-feira. A Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB) também prevê chuvas de moderadas a fortes para o período de 48 horas, principalmente no Litoral.

O resultado de tanta chuva gerou contratempos para quem precisou sair de casa. Na comunidade do Engenho Velho, em Gramame, seis famílias ficaram desalojadas e uma casa de taipa caiu. Já na comunidade São Luiz, no Bessa, dez famílias também tiveram que sair de casa. A Defesa Civil fez os atendimentos e as famílias do Engenho Velho foram para a Associação de Moradores do local e as do Bessa para uma escola municipal.

Além desses casos, foram vários pontos de acúmulo de água por toda cidade. Bem cedo, parte da Rua da Mata, no bairro Cabo Branco, ficou alagada. Na principal dos Bancários, em frente ao Equilíbrio do Ser, o problema se repetiu. Na Avenida Epitácio Pessoa, parte do muro de uma escola desabou sobre a calçada no sentido praia-Centro.

No bairro do Geisel, a Rua Valdemar Naziazeno apresentou alguns pontos de alagamento. Outro exemplo clássico foi em frente à estação ferroviária, no Varadouro, o que obrigou os veículos a transitarem pela faixa da esquerda. Na Avenida Maciel Pinheiro, um ônibus caiu em um bueiro, e no bairro São José, houve ponto de alagamento na Rua Edmundo Filho. A via ficou interditada. Uma árvore caiu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na entrada principal do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) em direção à Biblioteca Central.

Rodovia federal. A chuva também provocou o rompimento do asfalto na BR-230, quilômetro 39, no município de Santa Rita, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). No km 16 da BR-230, água acumulada na via, sentido João Pessoa – Cabedelo, e os veículos passando apenas entre as duas faixas. No km 31, no município de Bayeux, houve acúmulo de água, e os veículos tiveram que transitar apenas entre as duas faixas. No município de Santa Rita, quilômetro 39 da BR-230, o asfalto rompeu. No sentido Natal João Pessoa, Km 73, da BR-101, uma árvore caiu e foi retirada pelos bombeiros.

Na Avenida Epitácio Pessoa, uma das vias mais importantes da cidade, a forte chuva fez o muro de uma escola privada desmoronar. A calçada onde está localizada a instituição e parte da faixa de tráfego de veículos ficaram interditadas, pelo volume de pedra e terra. Apesar do alto fluxo na região, ninguém ficou ferido.

No Centro. Um deslizamento de terra na descida do viaduto da Via São Miguel, que dá acesso à Cidade Baixa, causou transtornos no trânsito. Por conta do deslizamento, parte da massa de terra que invadiu a pista e bloqueou a faixa da direita.

Agentes de trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) estiveram no local orientando motoristas. A Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) também mandou equipe para realizar a limpeza.

100% do previsto



Em nota, a coordenação da Defesa Civil Municipal disse que registrou chuvas de 257 milímetros (até à tarde de quinta-feira) no curto período de 24 horas em João Pessoa. Trata-se de um dos maiores volumes de precipitações registrados num único dia nos últimos anos na Capital paraibana. O volume representa praticamente 100% do que era previsto para o mês inteiro.

A nota informa que a Prefeitura de João Pessoa tem adotado providências permanentes para atender a população, com plantões e ações da própria Defesa Civil e das secretarias de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Infraestrutura (Seinfra), Desenvolvimento Social (Sedes), Meio Ambiente (Semam), Saúde (SMS), Semob e Emlur.

Comunidades ribeirinhas alagam





Basta chover um pouco mais forte para a dona de casa Aucilene Felipe do Nascimento perder o sono e o sossego. Moradora da comunidade Tito Silva, no bairro de Miramar, ela afirmou que já está recolhendo tijolos para colocar sob os móveis e tentar proteger o pouco que tem.

“Minha casa fica numa parte baixa. Então, com a chuva e a cheia do rio Jaguaribe, é certo que a água vai invadir tudo. Se chover mais, vou ter que sair e só volto quando a água baixar”, relatou a dona de casa, que mora com o marido e uma criança de 7 anos.

O pedreiro Luciano José Bezerra também mora na comunidade, mas na parte alta. Embora a água não chegue até sua casa, ele afirma que sofre com a realidade dos vizinhos. “É uma preocupação grande aqui. A água entra nas casas e os moradores sofrem muito com essa situação”, afirmou.

Ações da Defesa Civil. A Coordenadoria da Defesa Civil de João Pessoa está monitorando as áreas de risco de João Pessoa, especialmente onde há comunidades ribeirinhas. “Infelizmente, com a natureza é complicado e pode ser que um volume de chuva muito grande, apesar de ter sido feito o desassoreamento do Rio Jaguaribe, a água invada”, declarou Noé Estrela.

Entre as localidades que mais preocupam está a Tito Silva e a Padre Hildon Bandeira, mas a Defesa Civil recebeu um chamado no bairro do Bessa, em uma área invadida onde a água subiu e começou a entrar nas casas. Houve chamado também do Engenho Velho para onde foi enviada uma equipe de técnicos. O coordenador ressaltou que recebeu um alerta de chuvas da Defesa Civil Nacional na madrugada de ontem.

Previsão meteorológica



“Ainda existe possibilidade de chuva na faixa litorânea e poderá ocorrer algum evento mais forte neste final de semana”. A afirmação é da meteorologista Marle Bandeira, da Aesa-PB. Ela lembrou, porém, que as chuvas são normais, já que o inverno começa no próximo dia 21 e este é o período chuvoso na região. O maior volume foi registrado em João Pessoa. Marle explicou que existem dois regimes de chuva no Estado. De abril a julho, as precipitações são esperadas nas regiões do Agreste, Brejo e também no Litoral. No outro período, que vai de fevereiro a maio, chove nas demais regiões. A partir de agora, a temperatura começa a diminuir, embora não haja uma redução significativa no Litoral.

Protesto. Moradores de regiões às margens das rodovias federais fizeram protestos ontem. Na região das Três Lagoas, próximo a Oitizeiro, a população interditou a BR230 de meia em meia hora, queimando pneus e o trânsito parou.

 

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