terça, 26 de janeiro de 2021

João Pessoa
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Cemitério de obras no Campus I da Universidade Federal da PB

Bruna Vieira / 10 de fevereiro de 2017
Foto: Assuero Lima
A decoração em grande parte da Universidade Federal da Paraíba são os tapumes das obras em andamento ou até mesmo paradas. Alvo de protestos por parte de docentes e estudantes, que até bolo de aniversário fizeram para uma das obras que há seis anos está parada, a instituição quer evitar projetos deficitários, um dos motivos para os atrasos e garante que tudo será concluído.

Mesmo assim, outras 19 construções novas devem ser iniciadas até o fim do semestre. Serão mais de R$ 15 milhões investidos.

O prefeito universitário ue assumiu em dezembro, João Marcelo Alves, explicou que projetos incompletos são responsáveis pelas paralisações de algumas construções. “Obras que foram iniciadas e não tiveram projetos complementares entregues no momento adequado (infraestrutura, elétrico, hidrosanitário, lógica, combate a incêndio, desastres climáticos) ou que foram licitadas e aprovadas muito depois, ficando com orçamento desatualizado, necessitando verificar se a empresa ainda tem interesse, solicitar as licenças ambientais, então ela já começa atrasada. Os projetos são feitos por empresas contratadas ou pela nossa equipe, que tem outras atribuições”, justificou.

Todas as obras do campus I, em João Pessoa, estavam atrasadas. João Marcelo informou que entre 15 e 20 delas estão sendo retomadas pelo método As Built e recebem novo prazo. “Reconstruímos a obra dizendo o que está pronto e o que precisa fazer, em termos de planta e orçamento e relicitamos. Todas serão recuperadas, mas, não podemos dar um prazo, pois é um trabalho muito minucioso. Cada obra leva entre dois e três meses para conclusão do estudo. Não é como começar do zero. No Cbiotec (Centro de Biotecnologia) até sexta-feira a gente termina”, assegurou.

Dinheiro jogado fora. As paradas nas obras geram prejuízo, pois, a estrutura que já foi construída começa a se deteriorar, a vegetação começa a crescer e abrigar insetos, como o próprio Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Das cerca de 46 obras não concluídas que haviam no início da gestão da reitora Margareth Diniz, 15 foram terminadas, de acordo com o prefeito. Não é o caso do Centro de Arte e Cultura, em frente à reitoria, uma das maiores edificações que está abandonada.

“É um caso emblemático, contempla uma pinacoteca, oito salas de apoio para comportar quase 800 pessoas e um auditório para 1.200, que só tem a rampa. Vamos trabalhar com o projeto do Memorial Sivuca para captar recurso do Ministério da Cultura. Acreditamos que até o fim do ano conseguiremos a liberação do recurso para iniciar no próximo ano”, declarou.

João Marcelo destacou que as obras só estão sendo iniciadas com projeto completo, para reduzir o índice de paralisações e critica as liberações irregulares.

“A reitora cunhou de obras casca de ovo, pois, foram iniciadas apenas com o projeto arquitetônico e a construtora tinha que parar por falta de projetos hidráulico e elétrico. A torneira não saía água porque não tinha cano na parede, a luz não acendia porque não tinha fio. São mais de 100 processos internos de servidores que deram ordem de serviço porque exerciam certos cargos, sem a licença, projeto e uma série de coisas. Isso não acontece mais para evitar aditivos e prejuízos financeiros, mas, já houve demissão a bem do serviço público”, revelou.



Outro exemplo de abandono é a Escola de Música. “O projeto foi pensado para salas de aula. Mas, numa orquestra, teremos quatro trompetistas, por exemplo, então serão aulas para poucos alunos de vários instrumentos, que precisam ter conforto acústico interno, não pode reverberar o som de forma a agredir a audição, como também não pode passar para fora e incomodar outras salas. Existia uma solução acústica com vidro duplo e porta revestida de espuma. A primeira foi reprovada porque não fazia isolamento acústico externo. Foram requisitadas placas acústicas que fossem móveis, para retirar e fazer a higienização, pois, acumula poeira. As salas de dança precisam de piso em que possa fazer sapateado”, apontou João Marcelo.




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