quinta, 27 de junho de 2019
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30 anos depois, as histórias de quem ‘construiu’ a maternidade Frei Damião

Mislene Santos / 26 de outubro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Na parede uma exposição de fotos com lembranças históricas. No corredor pessoas que vivenciaram vários desses momentos. E, na plateia, 68 funcionários que trabalham lá desde o primeiro dia de funcionamento e a primeira pessoa que nasceu na maternidade Frei Damião, que completou trinta anos de fundação nesta quarta-feira (26). Atualmente, cerca de 400 partos são realizados mensalmente na maternidade.

As auxiliares de limpeza Mércia Maria do Nascimento Aranha, 68 anos, e a amiga Mirian Nascimento Noronha, de 59 anos, reavivaram as lembranças do primeiro dia de trabalho na maternidade. “Tinha muita pedra e areia para a gente tirar, a gente limpou as salas, tiramos muita tinta do chão. Nós tiramos muito sangue dos lençóis, sentada no chão em uma bacia, porque não tinha lavandeira. Foi muita luta para chegar aonde chegamos”, lembrou Mércia.

Mirian Nascimento diz que a sua história se confunde com a história da maternidade. “Na época, como muita gente ainda estava começando na profissão, eu ajudei muitas enfermeiras, as mulheres que estavam no banheiro e elas entravam em trabalho de parto e como você estava lá tinha que fazer alguma coisa. Com isso eu aprendi a fazer muita coisa. Hoje eu sei colocar uma sonda, aplicar injeção, sei fazer muita coisa mesmo”, relatou a funcionária.

Ela disse ainda que não esquece do dia em que presenciou a chegada de um bebê que não esperou a mãe chegar na maternidade e nasceu dentro na ambulância. “Essa mulher chegou e já tinha ganhado o menino na ambulância e a gente correu para acudir, mas a criança já tinha nascido porque não espera quando quer sair. Quando os médicos chegaram para pegar ela já tinha nascido e estava com a calcinha da mãe na cabeça. Até hoje essa cena me chama a atenção, porque o parto normal é uma coisa muito linda”, declarou emocionada Mirian Nascimento.

Acompanhamento em casa

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A pediatra Fátima Paiva também é umas das fundadoras da maternidade Frei Damião. Um fato que tocou muito a médica foi  o nascimento de uma criança prematura. “Na época não existia alojamento canguru e um recém-nascido extremamente prematuro que eu acompanhei, após a alta, indo diretamente na casa da família. O pai dessa criança é pescador que hoje já é pai e seu filho também nasceu aqui e nós acabamos ficando muito próximos. Fiquei muito feliz de realizar a assistência sem uma estrutura como era no tempo da fundação da maternidade. Foi decididamente um episódio que marcou a minha trajetória”, afirmou a pediatra.

Ajuda se eternizou na memória

Recém-formada no curso de enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Morgana Wanderley Queiroga, teve o seu primeiro emprego na Maternidade Frei Damião. Atualmente ela é diretora administrativa da unidade e declarou que a sua história profissional se confunde com a história da maternidade. “Houve um parto e eu sem experiência na profissão, tive a ajuda de dona Zélia, uma auxiliar de enfermagem já falecida. Essa passagem foi um momento muito marcante na minha vida”, lembrou Morgana.

Comemoração     

Nesta quarta-feira (26), a Maternidade Frei Damião, da rede hospitalar do Estado, completou 30 anos. Durante todo mês estão sendo realizadas várias atividades.  Para comemorar a data uma exposição de fotografias da trajetória da maternidade foi exposta ao público e aos funcionários. Também teve uma cerimônia oficial que contou com a presença da vice-governadora, Lígia Feliciano, e da secretária de Saúde do Estado, Roberta Abath.

A Maternidade Frei Damião é referência no método Canguru que assegura aos bebês prematuros o aquecimento pelo contato pele a pele com troca de calor contínuo, aumento do vínculo afetivo, melhorando o funcionamento do seu sistema respiratório como resposta ao ritmo respiratório da sua mãe.

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