terça, 11 de dezembro de 2018
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João Pessoa recicla apenas de 2% a 5% do lixo

Aline Martins / 13 de novembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Embora a discussão sobre a importância de preservar o meio ambiente tenha ganhado destaque nos últimos anos em vários países, o reaproveitamento de materiais recicláveis ainda está aquém do esperado. Em um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado no ano passado mostrou que apenas 13% de todos os resíduos sólidos produzidos no Brasil são destinados a reciclagem. Em João Pessoa, o valor coletado varia de 2% a 5%, que segundo a Autarquia Especial Municipal, está em conformidade a Lei Municipal 12.957.

A reciclagem de resíduos é apontada como uma das ações eficazes, uma vez que parte dos resíduos pode ser reaproveitada. Na Capital, a coleta seletiva foi estabelecida por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei nº 12.305/2010) e pelo Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de João Pessoa (PMGIRS), que transformado em lei municipal em 2014 (Lei 12.957). Ela é feita pelos catadores integrantes das associações: Astramare/ Ascare-JP e Acordo Verde, que trabalham nos galpões localizados no Roger, Jardim Treze de Maio, Cabo Branco, Bessa, Mangabeira IV e Jardim Cidade Universitária, além da Central de Triagem no Aterro Metropolitano.

Uma dos setores responsáveis por coletar os resíduos recicláveis na Capital é a Associação dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Astramare), que funciona em um galpão instalado no antigo Lixão do Roger. Um dos coordenadores, Marcos Osório, explicou que o recolhimento ocorre em algumas localidades da cidade. “Nós fazemos com um carro que pegamos emprestado de um amigo. Colocamos a gasolina e o óleo porque o caminhão que temos está quebrado e não temos condições de consertar. Até pedimos o apoio de alguém que possa nos ajudar”, comentou. Ele informou ainda que a Emlur paga a energia, cede o transporte para os associados irem aos pontos de reciclagem e almoço que já havia sido acordado desde o encerramento do lixão em 2002.

Nesse galpão, o coordenador separa os resíduos por tipo (plástico, papelão, vidros e latas) e prensa em uma máquina. Depois de uma certa quantidade vende para atravessadores, pois informou que a Associação não consegue ter contato direto com os proprietários das empresas que adquirem os materiais. “Se a gente chega na porta de uma empresa eles não nos recebem porque não temos carro bom ou vestidos do jeito deles, por isso nós só conseguimos vender para atravessadores”, frisou, acrescentando que o valor de 1 kg de papelão custa em torno de R$ 0,25 a 0,27 quando a Astramare repassa. Caso o caminho fosse apenas as empresas o valor seria R$ 0,54. Isso representa uma perda de pouco mais de 50%.

Já na entrada do antigão Lixão do Roger há uma sucata que coleta de materiais recicláveis de empresas de grande porte. “Eu pego dessas empresas e da coleta seletiva, separo as garrafas por cores e prenso. Depois, por semana ou mês, vendo para as empresas que compram plástico, alumínio ou papelão”, contou.

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