terça, 02 de março de 2021

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JP é a cidade com maior número de obras paradas

Beto Pessoa / 19 de agosto de 2017
Foto: Assuero Lima
Quase 38% das creches e escolas públicas financiadas pelo governo federal estão com obras paralisadas na Paraíba. Segundo relatório divulgado pela Transparência Brasil, entidade que monitora investimentos governamentais, 77 dos 204 equipamentos previstos para serem entregues no estado tiveram a construção interrompida pelas administrações municipais. Quase 38% das creches e escolas públicas financiadas pelo governo federal estão com obras paralisadas na Paraíba.

Na Capital, a maior parte das escolas com obras paradas são em comunidades e bairros da periferia da cidade. Na Rua Sibipiruna, por exemplo, no Paratibe, Zona Sul da Capital, um piso de concreto marca o que deveria ser uma creche.

Segundo informações do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), plataforma usada pela Transparência Brasil para captar os dados, a obra deveria ter sido concluída no último 27 de julho. O valor pactuado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para esta obra foi de R$ 1,6 milhão.

A Transparência Brasil aponta ainda obras paralisadas no Alto do Mateus, Parque do Sol, Ernani Sátyro, Mangabeira VI, Paratibe 4, Bairro das Indústrias, entre outros.

Na região metropolitana da Capital, as obras também se arrastam. Santa Rita deveria entregar 5 equipamentos financiados pelo governo federal, mas todos eles estão com obras paralisadas. Em Cabedelo, 1 obra, das 3 previstas, estão paralisadas.

O relatório aponta também atraso nas construções no Sertão paraibano. Das 4 obras previstas para serem entregues em Sousa, 3 estão paralisadas. Em Patos, 2 das 5 construções de creches e escolas públicas estão paradas. Seguindo o caminho inverso, a segunda maior cidade da Paraíba, Campina Grande, tem 1 obra parada, das 14 previstas.

Impasse

O diretor executivo da Transparência Brasil, Manoel Galdino, avalia que o cenário mostra um descompasso entre os investimentos públicos e a execução dos projetos.

“É importante um programa que destina recursos aos municípios para construção de creches e escolas, mas observamos a incapacidade dos municípios em gerir estes recursos. Além disso, mostra a incapacidade do governo federal em ajudar os municípios a executar as obras da forma adequada”, disse o representante da Transparência Brasil.

Neste impasse, os mais prejudicados são os que dependem dos equipamentos públicos, destaca Manoel Galdino.

“Esses problemas refletem diretamente na vida das crianças, que ficam sem creches. São obras já pactuadas entre os municípios, obras em que os recursos já estão garantidos, mas as obras não executadas”.

Em todo Brasil a Transparência Brasil analisou dados de 12.925 obras de novas creches e escolas pactuadas entre municípios e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) de 2007 até 27 de julho de 2017. O estudo aponta que apenas  37% (4.830) das obras foram concluídas, 642 foram canceladas e restam ainda 7.453 obras para serem entregues.Destas, 29% encontram-se paralisadas e 17% atrasadas, o que representa 46% das obras que ainda precisam ser entregues.

Destaca-se ainda que já foram gastos, pelo menos, R$ 1,5 bilhão com 1.924 obras que estão paralisadas.

Sem resposta.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) e Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa para repercutir a paralisação das obras. As demandas, entretanto, não foram atendidas.

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