segunda, 15 de julho de 2019
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Já choveu mais que a média de fevereiro e precipitações podem continuar

Katiana Ramos, Aline Martins e Ainoã Geminiano / 14 de fevereiro de 2019
Foto: Assuero Lima
“Um verdadeiro dilúvio”. Foi assim que o coordenador da Defesa Civil de João Pessoa, Noé Estrela, definiu o dia de ontem, quando a Capital acumulou cerca de 120 milímetros de chuva em 15 horas corridas. O volume superou a média esperada para todo o mês de fevereiro. Hoje, as precipitações devem continuar, segundo a meteorologia, porém, com menos intensidade e em pontos isolados da cidade. Por conta disso, o risco de alagamentos segue em 12 localidades consideradas críticas pela Defesa Civil Municipal.

De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Ednaldo Araújo, a tendência é que as chuvas sejam mais fracas na Capital paraibana e que as nuvens carregadas sigam em direção ao interior do Estado. “João Pessoa registrou de terça para ontem mais chuva do que o esperado para o mês. Surpreendeu até mesmo a gente”, disse o meteorologista. Ele acrescentou ainda que “a maior quantidade de chuva deve ocorrer na região do Sertão já que em janeiro não choveu o esperado na climatologia. Há muita nebulosidade em direção ao Oeste da Paraíba, por isso deve continuar chovendo nessas áreas”, frisou.

A chuva que caiu na Capital desde às 21h da última terça-feira até o meio dia de ontem não deixou pessoas desalojadas, nem provocou ameaças de deslizamento de terra de encostas, de acordo com a Defesa Civil Municipal. No entanto, quem saiu de casa enfrentou um trânsito caótico. Mesmo com o trabalho de obstrução de galerias pluviais, que tem sido feito pela Defesa Civil Municipal desde o último sábado, a Capital ainda tem 12 pontos de alagamentos emergenciais. O coordenador do órgão, Noé Estrela, explicou que a limpeza das galerias deve continuar ao longo da semana para prevenir novos transtornos.

“Nós começamos a limpeza desses pontos na semana passada. Infelizmente, por conta do volume grande de chuva, tivemos alagamentos. Priorizamos a limpeza desses 12 pontos, que estão localizados principalmente na área central da cidade, mas vamos fazer em todos os bairros”, explicou Noé Estrela.

Ele lembrou ainda que o monitoramento das equipes da Defesa Civil continua e alertou que o descarte irregular de lixo nas ruas é um fator importante para o entupimento das galerias por onde deveria escoar a água da chuva. “Não era lixo pequeno. Retiramos sacos plásticos, garrafas pets que entupiam as galerias. A gente pede para que a população também contribua e evite sujar as ruas”, orientou Noé, lembrando a retirada de pelo menos 20 metros cúbicos de lixo das galerias no último final de semana.

Já sobre os “velhos” problemas de infraestrutura, afirmou que a Prefeitura está trabalhando para resolver e pontuou que o volume registrado de chuva alagaria qualquer cidade. “Qualquer cidade do mundo ficaria alagada com tanta chuva. É impossível não alagar. O que percebemos é que quando dá uma trégua de 20 ou 30 minutos não há mais pontos de acúmulo de água”, ressaltou.

Veículo ‘engolido’ e pescaria na rua



Todos os dias, o servidor público Nicolas Nóbrega, que trabalha na Avenida Rio Grande do Sul, no Bairro dos Estados, estaciona o veículo no local, mas ontem teve uma péssima surpresa. “Deixei meu carro às 8h, quando foi umas 10h30 algumas pessoas ligaram para mim dizendo que meu carro tinha caído em uma cratera. Fiquei surpreso. Agora é acionar o seguro e aguardar”, contou.

De acordo com a secretária de Infraestrutura, Sachenka da Hora, a cratera é de responsabilidade da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa). “Mandamos uma equipe e verificamos que não era de nossa competência”, frisou. No entanto, é importante destacar que, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ressalta que qualquer problema nas vias terrestres são de competência de quem tem a jurisprudência.

O presidente da Cagepa, Marcos Vinícius Fernandes, disse que o buraco aberto durante a chuva foi consequência do rompimento da tubulação de concreto, que recebe o esgotamento sanitário. “Isso acontece porque a rede de esgoto sofre uma sobrecarga, recebendo água da chuva que vem de ligações em residências e prédios privados. Em muitos imóveis, ao invés de a água da chuva ser direcionada para a rua, são lançadas na rede de esgoto. No caso do Bairro dos Estados também houve um alagamento da rua, que provocou infiltração na tubulação do esgoto e contribuiu para o rompimento”, explicou.

Sobre as avarias do veículo, Marcos Vinícius disse que a Cagepa vai arcar com o prejuízo.

Ontem, a Semob-JP interditou o trecho para que a Cagepa possa fechar o buraco. A estimativa da Companhia é que esse trabalho só deverá ser finalizado segunda-feira.

Peixes

A chuva foi tão intensa que no Terminal de Integração do Varadouro os passageiros pescaram peixes trazidos pelas águas das galerias que ligam o Parque da Lagoa ao Rio Sanhauá. Isso não é a primeira vez que acontece. Durante as obras da galeria a população que passava pelo local foi surpreendida com a quantidade de peixe que saía do local.

No bairro da Torre, onde na semana passada as vias ficaram intransitáveis, na região do mercado, um morador usou um caiaque para transportar a população que precisava se deslocar. Os vídeos circularam na internet.

Semáforos e trens param



Na Capital, além dos alagamentos em várias ruas, avenidas e viadutos, houve pane em 14 dos 219 semáforos espalhados pela cidade, segundo o superintendente adjunto da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana, Wallace Massini. Os trens urbanos, que passam por João Pessoa, Bayeux, Santa Rita e Cabedelo, também pararam para que as equipes de funcionários da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU) fizessem a limpeza dos trilhos. De acordo com a Companhia, 2.340 passageiros deixaram de ser transportados.

A secretária de Infraestrutura da Capital, Sachenka da Hora, disse que em relação a obra executada pela Prefeitura na principal dos Bancários solucionou o problema e que o alagamento de ontem pode ter ocorrido devido a algum entupimento de um dos canais que saem perto da universidade.

Sobre a CBTU, disse que já está em estudo um projeto de drenagem que deve ser feito logo após a conclusão das obras da Avenida Sanhauá, prevista para o final deste mês. “Também foram colocadas equipes para trabalhar nas ruas”, ressaltou.

Os alagamentos em vias principais da região central de João Pessoa também afetaram o transporte coletivo.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivos Urbanos de João Pessoa (Sintur-JP), várias linhas tiveram o trajeto alterado, aumentando assim o tempo de viagem e comprometendo os horários.

Muita dificuldade para sair de casa



Por conta da chuva, algumas pessoas tiveram dificuldades de sair de casa na manhã de ontem. “Aqui na rua onde moro, a Maria do Socorro do Nascimento Rocha, no bairro João Paulo II, não passava carro na hora da chuva mais forte. Aqui é sempre assim quando chove. É muito complicado. A água entra nas casas e, por isso, tem gente que improvisou até uma mureta na entrada, principalmente quem mora no final da rua que é o ponto que alaga mais”, comentou a artesã Lúcia Lima.

Já a moradora do bairro de Miramar, Narjara Lins, lamentou a recorrência dos problemas. “Pra onde está indo o dinheiro do IPTU, IPVA, TRSD dos impostos absurdos que a gente paga?!”, reclamou. A servidora pública, Lorena Borges, consultou o trajeto antes de sair de casa para não ser pega de surpresa.

“Consultei as informações de trânsito no twitter da Semob e consultei as imagens das câmeras de trânsito. Para os trajetos que a Semob não tinha disponibilizado informações ou não tinha câmeras instaladas, consultei amigos que por ventura poderiam ter alguma informação. Assim, optei por fazer caminhos que estariam mais seguros para transitar, mesmo que fossem mais longos. Também escutei notícias nas rádios para obter informações mais atualizadas. Mesmo assim, ainda passei por trechos parcialmente alagados”, contou.

Energia

Em vários bairros da cidades foram registradas oscilações de energia elétrica. Sobre o fato, a Energisa informou que ocorreram variações de curtíssima duração, provocadas por religamentos automáticos do sistema de proteção elétrica no suprimento de energia elétrica para a faixa do Litoral Norte do Estado de Pernambuco. Além de alguns bairros de João Pessoa e de Bayeux, foram registradas variações de tensão de curtíssima duração, que não provocaram interrupção do fornecimento de energia elétrica, em toda extensão dos municípios da faixa litorânea Sul do Estado. Foram quatro ocorrências em um intervalo de 1 hora, das 6h às 7h.

Conforme a concessionária de energia, os motivos de atuação dessas proteções estão relacionados a falhas transitórias, com destaque para chuvas e descargas atmosféricas registradas no início da manhã de ontem. Uma das grandes orientações é que a população evite tocar em cabos de energia soltos nas vias e também manusear o aparelho celular enquanto ele está sendo carregado.

Chove 24,6 mm em Campina Grande



Ao contrário de João Pessoa, onde em 15 horas choveu mais que o esperado para o mês inteiro, em Campina Grande também foram registradas precipitações, porém em menor volume e não houve transtornos. Na Rainha da Borborema choveu 24,6 milímetros, quantidade esperada, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).

Embora o volume pluviométrico seja considerado dentro do normal e apesar do não registro de transtornos, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estão em alerta.

Conforme o coordenador da Defesa Civil de Campina Grande, Ruiter Sansão, as chuvas não são motivo de preocupação, uma vez que a cidade está dentro da normalidade e não há áreas em alerta.

O Corpo de Bombeiros também informou que não houve registros e nem atendimentos realizados pela cidade.

Trânsito. Em Campina Grande o dia foi de tranquilidade. Segundo informou a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos de Campina Grande (STTP), dois semáforos localizados na Avenida Assis Chateaubriand, na Zona Sul do município, tiveram queda de energia, mas tudo foi restabelecido ainda durante a manhã.

Na Grande JP



Ontem, o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba atendeu pelo menos oito ocorrências relacionadas às fortes chuvas na Grande João Pessoa. Conforme o Centro Integrado de Operações Policias (Ciop), os chamados foram de casos de alagamentos e inundações, além de quedas de árvore, mas sem vítimas de maior gravidade.

Ainda conforme os registros do Ciop, uma árvore caiu sobre uma residência no Alto da Boa Vista, em Bayeux, atingido a cozinha da casa, mas não houve vítimas. Os Bombeiros realizaram a poda no local. O serviço de poda também foi feito em árvores que ameaçavam cair no Roger, no bairro de Mangabeira e no Jardim Veneza . Já na avenida Valdemar Galdino Nazeazeno, no Geisel, a guarnição fez o corte e a retirada de uma árvore que que caiu e obstruiu a via.

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