sexta, 26 de fevereiro de 2021

Cidades
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Idosos são principal alvo de golpes; já foram 28 neste ano

Beto Pessoa / 26 de julho de 2017
Foto: Arquivo
O número de fraudes contra a pessoa idosa nos primeiros sete meses deste ano já supera a marca de 2016. Somente na Região Metropolitana de João Pessoa, entre janeiro e julho, foram 28 ocorrências, contra os 26 golpes registrados em todo ano passado. Comente no fim da matéria.

De acordo com o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, Lucas Sá, os números reforçam a necessidade de maior cautela desta parcela da população. “Os dados mostram que as pessoas estão denunciando mais, mas também podem revelar aumento nos golpes. O chamado ‘golpe do bilhete premiado’ é um clássico do estelionato, há mais de 50 anos é praticado, mas ainda assim muitas pessoas caem neste golpe antigo”, disse Lucas Sá.

Na maioria das vezes este tipo de fraude acontece em áreas próximas às agências bancárias, Previdência Social e até mesmo clínicas de fisioterapia. Geralmente envolvem dois ou mais criminosos, que teatralizam uma situação antes de concluir o golpe. “Mais de 95% das vítimas são mulheres. Uma pessoa, demonstrando ser humilde, se aproxima da vítima, mostrando um suposto bilhete premiado da loteria. Uma segunda pessoa entra em cena, se apresenta como advogado e atesta que aquele bilhete está premiado, oferecendo dinheiro para comprar o bilhete do suposto ganhador. A vítima, que também quer se beneficiar do bilhete falso, faz empréstimos e compra o bilhete, achando que vai ficar com o prêmio milionário”, explicou Lucas Sá.

Os valores dos golpes são variados, alguns sacam toda a aposentadoria do mês para comprar o bilhete, outros fazem empréstimos de R$ 30 mil ou R$ 40 mil, mas também há registros de valores bem maiores, destaca o delegado. “Já tivemos casos de idosos que levam os criminosos para casa, dão jóias, bens de valor, já perderam por volta de R$ 100 mil no golpe”. Na maioria dos casos, segundo o responsável pela Delegacia de Defraudações e Falsificações, os criminosos vêm de outros Estados, consequência muitas vezes da alta taxa de idosos que há na Paraíba.

Mais atenção

De acordo com o delegado Lucas Sá, a maioria destes crimes sequer deixam vestígios. “Muitas vítimas só denunciam meses depois, quando fica mais difícil conseguir registros. Muitos criminosos nem entram nas agências, eles passam certa credibilidade aos idosos, que vão sozinhos às agências, sacam os valores e entregam em espécie aos criminosos. O idoso muitas vezes não sabe informar as características do criminoso, não lembra rosto, roupa, modelo do carro. Tudo isso dificulta a investigação’. A orientação é sempre ficar atento, duvidar de estranhos e evitar frequentar agências em horários alternativos.

Violência física

Além dos golpes financeiros, há outros tipos de violências que comprometem a vida dos idosos. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), este ano já foram mais de 70 casos de violência física em toda a Paraíba, mais de 51% do volume total do ano passado, quando foram registradas um total de 137 ocorrências. Outras violências também chamam a atenção. Somente neste primeiro semestre já foram registrados 17 atendimentos por agressões psicológicas, 43,59% de todo volume do ano passado (39). Já o número de torturas registradas neste semestre é quase o mesmo do ano passado: enquanto em 2016 foram cinco casos, este ano já foram registrados quatro. A SES ainda registrou um caso de violência sexual, dois casos de violência financeira e cinco abandonos neste primeiro semestre. Foram 16 agressões autoprovocadas.

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