quinta, 01 de outubro de 2020

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IDHM da Paraíba salta de médio para alto de 2011 a 2014

Rammom Monte / 23 de novembro de 2016
Foto: Divulgação
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da Paraíba saltou de médio para alto de 2011 para 2014. O IDHM é um número que varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Em 2011, o Estado tinha um índice de 0,681 e pulou para 0,701 em 2014, o que o classifica como alto, que vai de 0,7 a 0,799. O levantamento foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (22).

Em 2012, o IDHM era de 0,682 e em 2013 foi registrado o índice de 0,692. No Brasil, apenas os estados do Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina ficaram inseridos na faixa de IDHM muito alto. Cinco apareceram como médio e 19 (incluindo a Paraíba), entre os altos. No geral, o Brasil saltou de 0,738 (em 2011) para 0,761, em 2014.

O levantamento também trouxe dados sobre áreas específicas, como longevidade, educação e renda. Apenas no primeiro, a Paraíba se manteve na faixa do IDHM alto, com um índice de 0,794 em 2014. Já em educação e renda, o Estado ficou na faixa média, com valores de 0,631 e 0,678, respectivamente. Confira a evolução ano a ano no quadro abaixo.

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O Radar IDHM utiliza informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para monitorar tendências desse Índice – e de 60 indicadores socioeconômicos – nos anos intercensitários.

Análise no Brasil

No período de 2011 a 2014, quando os indicadores econômicos deram os primeiros sinais de desaceleração e estagnação, o desenvolvimento humano no Brasil continuou a crescer. Isso significa que, no início da crise, as pessoas continuaram vivendo mais, estudando mais e até ganhando mais. No entanto, mesmo mostrando uma tendência positiva, no período de 2011 a 2014 os dados de longevidade e educação apresentaram taxas de crescimento anual inferiores se comparadas com o último período intercensitário (2000 a 2010). Por outro lado, no mesmo período, a renda apresentou taxa de crescimento anual ainda superior se comparada aos anos de 2000 a 2010.

Representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Niky Fabianic creditou esses resultados à robustez dos programas sociais no país: “É importante manter e aprimorar programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que deram suporte à população”.

O leve avanço do IDHM no início da década de 2010 pode estar relacionado com natureza dos dados considerados e com a rede de proteção social existente no país. No período analisado, a proporção de pessoas vulneráveis (com renda domiciliar per capita inferior a R$ 255) decresceu a uma taxa média anual de 9,3% (contra 3,9% no último período intercensitário). Já a proporção de pessoas extremamente pobres (com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70) teve decréscimo médio anual de 14% (contra 6,5% no último período intercensitário).

O panorama da desigualdade, por sua vez, continuou apresentando tendência estável, com taxa de decrescimento inexpressiva tanto no período analisado como no período de 2000 a 2010. Para a coordenadora do Atlas do Desenvolvimento Humano do PNUD, Andréa Bolzon, é necessário um conjunto complementar de políticas que possam reverter esse quadro. “Por uma decisão política, um set de políticas foram implementadas com o objetivo de aumentar a renda das pessoas mais pobres. No entanto, para diminuir a desigualdade, outro conjunto de políticas, como taxação de grandes riquezas, é que conseguiriam diminuir esse fosso”, defendeu.

No que se refere aos dados de educação, no Brasil, tanto a escolaridade como a frequência escolar cresceram a taxas médias anuais muito inferiores às observadas de 2000 a 2010. Um dos destaques é a estagnação no percentual de pessoas com 18 anos ou mais e ensino fundamental completo (que somavam 60,1% em 2011 e 61,8% em 2014).

Também chama a atenção a taxa de crescimento significativamente mais lenta do percentual de pessoas com 18 a 20 anos com ensino médio completo (saindo de 48,4% em 2011 para 52% em 2014). Na faixa etária de 15 a 17 anos, apenas 61% tinham ensino fundamental completo em 2011. Em 2014, esse número alcançou 65,5%, ainda muito longe do ideal.

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