sexta, 22 de janeiro de 2021

Cidades
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Hoje é dia de ir às ruas pelo fim da cultura do estupro

Bruna Vieira / 01 de junho de 2016
Foto: Assuero Lima
 

Em João Pessoa, frentes feministas, como a Articulação Mulheres Brasileiras, Movimento Mulheres Negras e o Comitê de Mulheres da Frente Brasil Popular realizam hoje o ato “Por todas elas”, às 18h, no Busto de Tamandaré. O movimento ocorre em todo o País contra a cultura do estupro. Transformar a indignação em arte e alertar a sociedade para os crimes que ganharam repercussão nacional, como as jovens vítimas de estupro coletivo na Paraíba (a barbárie de Queimadas), no Piauí e, mais recentemente, no Rio de Janeiro. Mas, a mobilização também é contra aqueles crimes que permanecem silenciados.

Tintas, pincéis, cartolinas, faixas. Foi o começo da manifestação, quando o material estava sendo produzido. Bárbara Zen, mestre em economia e integrante da Marcha Mundial das Mulheres ressalta que a cultura do estupro está em todos os lugares. “Não é localizado. É a vulnerabilidade da mulher, de não poder sair na rua à noite, de não usar determinado tipo de roupa. É uma forma de privação da liberdade. O caso do Rio mostra que eles tinham a certeza da impunidade. E muitas pessoas ainda tentaram especular o que ela estaria fazendo no morro, se usava drogas, se traiu o namorado ou que já tinha transado com muitos homens, para, de alguma forma, justificar e culpar a vítima. Isso é uma violação grave”, afirmou.

Homens na luta. O estudante de teatro, Marcos Freitas, relembra que a mobilização é de todos. “Não é uma luta só das mulheres, é de toda a sociedade. Para conseguir erradicar da estrutura brasileira o patriarcado, o machismo e a cultura da violência. Os homens devem se sensibilizar e participar. Ser solidário com qualquer ato de violência em qualquer lugar do mundo. A mudança é de gota a gota, mas, o ato, mostra que não estamos concordando com o que está acontecendo”, declarou.

Paulo Adissi, professor universitário aposentado comentou sobre a discriminação pelas próprias autoridades. “O tratamento oferecido às mulheres nas delegacias não costuma ser o mais adequado. A cultura do estupro está no Estado e nas polícias também. É muito comum a mulher ser responsabilizada pelo crime. O combate é uma resistência há uma avalanche de medidas contrárias, como proibir o ensino de gênero nas escolas. A impunidade contribui para essa cultura, que quando não é assumida, é ignorada. É lamentável. O limite tem que ser dado na educação. Até na relação com a irmã, o menino é mais forte e tem que ser ensinado a respeitar”, destacou o membro da Frente Brasil Popular.

Ele acha que é inocente. “O sorriso no rosto do cara que postou vídeo do estupro coletivo no Rio mostra que ele acha que não fez nada errado. O caso repercutiu pela brutalidade e validade das imagens. Na sociedade patriarcal, é muito comum o julgamento das autoridades. A cultura do estupro impõe um padrão de comportamento e se a mulher infringir está dando margem para ser violentada”, reiterou a professora Emmy Lira, da Marcha Mundial das Mulheres.

A geógrafa explica que o tema merece mais visibilidade. “É importante dar visibilidade às ações locais. É pouco discutido e é um problema sistêmico. É preciso desconstruir a leitura do que é ser mulher. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada (no Brasil)”, disse Emmy.

65% dos casos não são notificados, conforme o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Alguns casos. Repercussão nacional

Fevereiro/2012

Em Queimadas, Agreste da PB, dez homens estupram cinco mulheres e duas delas - a professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos - são assassinadas.

Junho/ 2015

A adolescente Danielly Rodrigues, 17, morreu após estupro coletivo, no Piauí. Outras três adolescentes também foram torturadas e estupradas.

Junho/2015

Duas mulheres são sequestradas, estupradas e atropeladas (uma morre). Elas foram pegas no Bairro dos Bancários (JP) e abandonadas em PE.

Maio/2016

Uma adolescente de 16 anos é estuprada por 33 homens e exposta nua em vídeo na internet no Rio de Janeiro. O caso foi denunciado por pessoas que viram as cenas.

 

 

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