sexta, 23 de abril de 2021

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Fungos e cupins danificam árvores em João Pessoa

Lucilene Meireles / 09 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Pelo menos 12 árvores foram suprimidas este ano, em João Pessoa, por conta dos fungos que atingiram suas estruturas. Outro motivo que pode levar à retirada delas é a presença de cupim, que danifica não só galhos e troncos, mas também as raízes, aumentando o risco de queda. Para evitar que mais árvores sejam sacrificadas, a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) do município está realizando a poda programada, com avaliação das que ficam nos principais corredores, diagnóstico e serviços necessários. Esta semana, o Parque da Lagoa foi um dos locais visitados. Por lá, houve a retirada de uma árvore que estava oca e seca.

O engenheiro agrônomo Anderson Fontes, diretor da Divisão de Arborização e Reflorestamento (Divar), da Semam, disse que o diagnóstico da situação dos vegetais é feito durante o serviço de poda programada. Além de podar copas desequilibradas por crescimento em cima de fiação, sobre pista de rolamento, em área de circulação de pedestres, os técnicos avaliam a saúde das árvores. Dependendo das condições, pode ser indicado um tratamento ou a medida mais drástica que é a retirada.

“Estamos realizando um serviço, dentro da poda programada, que funciona como uma prevenção, poda que antecipa a situação de um risco”, observou, lembrando que a Defesa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) também têm equipes que também fazem outros tipos de podas.

As espécies mais afetadas por problemas fitossanitários são as exóticas. “A mangueira, por exemplo, é frutífera e muito susceptível a infestação de fungo. Temos também as castanholas, os fícus onde há proliferação rápida de fungos, que prejudica a saúde das árvores, podendo levá-las à morte”, explicou Anderson Fontes.

A programada atinge área de preservação, parques urbanos, grandes praças, canteiros centrais, grandes avenidas, focando num número maior de árvores, maior circulação de veículos e pedestres. Ontem, o trabalho foi feito na Avenida Hilton Souto Maior, próximo ao centro hípico.

Serviço prioriza o Centro. O serviço de poda programada acontece, gradativamente, desde janeiro, nos principais corredores da Capital, como as avenidas Epitácio Pessoa, Beira Rio, João Machado, mas prioriza a área central da cidade, como as avenidas Eurípedes Tavares, Tabajaras, Camilo de Holanda, Monsenhor Walfredo Leal. Além do Centro, áreas como as Três Ruas, nos Bancários; principais do Valentina, a Via Oeste serão contempladas pela poda programada, um trabalho que vai sendo feito classificando o risco maior entre eles. “Esses corredores são bastante arborizados, mas existem alguns com mais complexidade em relação ao risco do que outro, e a gente pondera para definir onde ataca primeiro”, disse Anderson Fontes.

Cupim de solo

É prevenido com os tratamentos feitos pela prefeitura com o programa de controle e combate ao cupim, através de empresa terceirizada, que faz a prevenção através de uma barreira química. O trabalho combate o cupim de solo para que não volte à árvore e venha prejudicá-la. Existe, na cidade, cupim de madeira seca, morta, e o de solo, que é o que mais invade as árvores.

Poda presencial ou pontual



Um dos serviços realizados pela Semam, além da poda programada, é a presencial ou pontual, feita na frente das residências. Para esta atividade, são três equipes realizando o trabalho diuturnamente. “São dois serviços dentro de uma programação: uma poda prevenindo rapidamente a questão. Através da estatística, verificamos as árvores mais antigas, onde há maior número de árvores, o risco. A outra, a pontual, é na casa do cidadão que solicita”, esclareceu Fontes.

Ele afirmou que todos os tipos de podas têm que ser autorizadas pela Semam, que realiza os estudos, o diagnóstico em relação ao risco dessas árvores, principalmente com a aproximação do inverno. Os técnicos vão ao local, analisam e informam que tipo de poda deve ser feito. As podas seguem as regras da Norma Técnica Brasileira de Poda (16.246-1). “Ao ser diagnosticado um problema, monitoramos a área próxima num raio de 200 metros. Através do diagnóstico, vamos mapeando, dentro das estatísticas, dizendo quais as que estão com doenças, determinando o grau de risco”, acrescentou.

"As árvores que não têm mais condições de tratamento, onde o fungo avançou em mais de 90% da planta, nós substituímos por outras espécies mais resistentes aos fungos." - Anderson Fontes, diretor da Divisão de Arborização e Reflorestamento, da Semam

Sobre a poda programada



O que é feito com as podas Os galhos são colocados no caminhão caçamba. Eles são triturados e o material é enviado para o Viveiro Municipal de Plantas Nativas para ser utilizado na adubação das árvores e no paisagismo da cidade.

Como solicitar Através do Telefone da Semam, 3264 1680, das 8h às 12h e das 13h às 17h, de segunda a sexta-feira. A população também pode ajudar, informando à Semam se houver algum problema nas árvores.

Dias Segunda a sexta-feira, sábados e domingos só em casos de urgência.

Técnicos 12

Equipamentos Caminhões munck tipo sky, que têm um cesto que eleva o podador até a copa das plantas.

300 mil É o número total de árvores existentes em João Pessoa, conforme o pré-inventário arbóreo. Destas, cerca de 800 estão no Parque da Lagoa.

2 mil É o número de árvores que foram podadas no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica. Entre elas, estão ipês amarelos e roxos, sucupira, pau brasil, jacarandá mimoso, jatobá, oitizeiro, todas espécies da Mata Atlântica.

Fonte: Semam

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