segunda, 16 de setembro de 2019
Cidades
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Fora das escolas, crianças trabalham nas ruas de Campina Grande

Wênia Bandeira / 09 de abril de 2019
Foto: Chico Martins
Campina Grande hoje tem 80 crianças e adolescentes que passam o dia nas ruas trabalhando ou pedindo nos semáforos. A estimativa é do Programa Ruanda, desenvolvido pela Prefeitura Muncipal, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, que ainda informou que, em período de férias escolares, a quantidade é ainda maior. O assunto foi tema de discussão na semana passada no Ministério Público da Paraíba (MPPB) junto com o Conselho Tutelar.

O coordenador do Programa Ruanda em Campina Grande, Emanuel da Nóbrega, explicou que o problema se deve principalmente à vontade dos meninos ter renda própria. Ele falou que é difícil convencer os garotos a se dedicar aos estudos.

“Eles estão nas ruas porque querem independência financeira, então ficam mendigando e trabalhando nos sinais e fazendo coletas nas feiras. Tem casos que a família obriga, mas são principalmente casos de que querem”, afirmou Emanuel da Nóbrega.

O Programa Ruanda trabalha fazendo a Busca Ativa de crianças e adolescentes em situação de rua. Com eles, são realizadas oficinas e grupos de futebol, além de serem encaminhados para o Conselho Tutelar.

O CORREIO foi aos sinais de trânsito para conversar com estes meninos. Todos serão identificados por nomes fictícios em respeito ao que regulamenta o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Adriano Souza, 12 anos, limpa para-brisas dos carros durante os sinais vermelhos. Ele falou que não deixou de estudar, mas prefere estar na rua realizando este trabalho para ganhar o seu dinheiro.

“Isso aqui é honesto, eu não estou roubando ninguém, eu estou trabalhando. Eu fico o dia todo aqui e depois, de noite, vou para a escola, não sei por que isso é um problema”, contou o menino.

Ao seu lado estava, Fabrício da Silva, 15 anos. O rapaz parou de estudar em 2016 e disse que não via futuro para a sua vida frequentando as aulas e que agora pode ajudar sua família com as contas de casa.

“Eu não vou ficar por aí roubando celular, não fui criado assim. Como eu não gosto de estudar, preferi vir vender água para os motoristas, até porque eu já sei ler e escrever”, contou o garoto.

Saiba



O artigo 53 do ECA, diz que “a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”.

O CORREIO tentou contato com a promotora de Justiça, Juliana Couto Ramos Sarda, e com a Conselheira Tutelar, Lana Menezes, mas não obteve êxito.

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