domingo, 09 de maio de 2021

Cidades
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Fim de semana de São João tem festas na Paraíba

Fernanda Figueirêdo e Katiana Ramos / 23 de junho de 2018
Esta é a época do ano em que paraibanos e turistas podem curtir as festas juninas em qualquer parte do estado, que vira um grande ‘arraiá’. Quadrilhas juninas, shows e outras manifestações culturais típicas do período é o que não faltam em espaços públicos e privados, do Litoral ao Sertão.

No estado, os festejos que ocorrem em Campina Grande e Patos já estão na agenda de muita gente. Além de participar dos shows no Parque do Povo, quem está em Campina Grande pode arrastar o pé nas viagens proporcionadas pelo ônibus e pela locomotiva do forró até o distrito de Galante. A cada percurso o passageiro dança ou aprende a dançar o autêntico forró pé de serra. São sete vagões que contam com uma estrutura de bares, banheiros, equipe médica e segurança especializada. Ao chegar ao distrito, os forrozeiros podem usufruir dos bares, restaurantes, shows e passeios locais, além de interagir com a população e turistas. Os preços do trem variam entre R$ 125,00 e R$ 150,00 (dependendo do dia da viagem) e no Vagão Vip com o preço único no valor de R$ 230,00.

Enquanto isso, no Sertão outros municípios também se destacam no período junino, como Santa Luzia. Em toda a cidade tem a tradição de “arraiás” familiares, nas calçadas, e forrós nos sítios, com trios pé de serra e comidas típicas para todos os gostos.

Ainda no Sertão, em Sousa, a tradição das fogueiras e do milho assado nas ruas segue forte, apesar de ser uma das poucas cidades dessa região que ainda mantém a tradição dos forrós em praça pública. “O São João de Sousa foi resgatado nos últimos anos. Antes nós íamos para a festa de Cajazeiras, hoje é o contrário, eles que vêm pra cá. Mas nossa tradição de fogueiras nas ruas, milho assado e forrós nos sítios continua”, afirmou o engenheiro Gláucio Meneses, natural de Sousa.

Confira abaixo as principais atrações dos festejos em alguns municípios da PB:

PROGRAMAÇÃO POR CIDADES

JOÃO PESSOA

Projeto Sabadinho Bom Junino

(Praça Rio Branco, das 12h30 às 15h)

23/06: Expressão Nordestina

30/06: Fulô de Mussambé

Forró na Feira

(Feirinha de Tambaú, das 20h às 22h)

23/06: Raízes do Forró

30/06: Forrozão Bom Que Só

São João Pessoa

(Ponto de Cem Réis, a partir 19h30)

23/06: Filhos do Forró, Ranniery Gomes e Walkyria Santos

24/06: Jairo Madruga, Forró Caçuá e Cavalo de Pau

CAMPINA GRANDE

23/06: Fagner, Capilé, Alexandre Tan e Banda Palov

24/06: Eliane, Andreza Formiga, Novinho da Paraíba e Pinto do Acordeon

25/06: Atos 2 (Programação religiosa )

26/06: Xand Avião e Banda Coco Seco

27/06: Matheus e Kauan, Felipe Warley e Caninana do Forró

28/06: Magníficos, Amigos Sertanejos e Wallas Arrais

29/06: Wesley Safadão, Gegê Bismarck e Henry Freitas

30/06: Forró da Barka, Avine Vinny, Amazan e Rapha Mello

01/07: Gusttavo Lima, Raniery Gomes, Forró D2 e João Lima

04/07: Camila Holanda, Tiago Brado e Eliana Ribeiro

05/07: Márcia Fellipe, Devinho Novais e Fabrício Rodrigues

06/07: Flávio José, Dorgival Dantas e Maria Clara

07/07: Luan Estilizado, Forró 3x4, Niedson Lua, Bob Léo Mercadoria

08/07: Bell Marques, Forró da Resenha, Os 3 do Nordeste e Samyra Show

PATOS

23/06: Léo Magalhães, Avine Vinny, Douglas Pegador, Maria Clara, Gustavinho

24/06: Padre Nilson, Padre Evandro, Toinho e Banda Fonte de Água Viva

SANTA LUZIA

23/06: Geová e Forró no Jeito, Giullian Monte, Cavalo de Pau, Avine Vinny

24/06: Santino Braz e Os 3 do Forró, Woxton Nóbrega, A Loba, Solteirões do Forró

BANANEIRAS

Dia 23/06: Nando Cordel, As Nordestinas, Forró Zabumbando, Wagner Viana e Forró Caboclo

Sala de Reboco

Coreto Junino

Dia 23/06 Arroxados do Forró

Dia 24/06 Trio Bananeirense

Apresentações culturais todas as tardes

Eventos Particulares

Arena da Serra

Walkyria Santos

Rita de Cássia

Eliane

Vinícius Mendes

Arraiá da Estação

Bruno e Marrone

SOUSA

Dia 23/06: Léo Magalhães, Spydo Rei e Breno Andrade.

CAJAZEIRAS

23/06 – Os Nonatos, Chico Amaro e Banda, Bruno Batista e Luan Pakerô;

24/06 – Yohanes, Vaval Amaro, Flávio e Pisada Quente e Tora Chinela;

25/06 – Bonde do Brasil, Biguinho Show, Judimar Dias, Forró do Bole-Bole;

26/06 – Felipão, Sara Lorena, Robertinha Maia, e Rafinha do Arrocha.

MONTEIRO

23/06 - Solteirões do Forró e Maciel Melo

24/06 – Capilé, Maria Clara e Dejinha de Monteiro

25/06 - Gabriel Diniz e Walkyria Santos

26/06 - Gusttavo Lima, Nanara Bello e Banda Magnificos

27/06 – Aviões, Lara Amélia e Xodó do Cariri

UM PÉ NA ESTRADA, OUTRO NO FORRÓ

Outro “costume de interior” é formar uma turma de amigos e fazer um roteiro de arrasta-pé. Foi exatamente o que fez o grupo “Tente Entender”, formado em 2013 nas vésperas do São João, no município de Várzea, região do Seridó. “Um mês antes do São João resolvemos juntar uma turma de amigos e organizar locais onde pudéssemos fazer o que chamamos de 'esquenta pra festa'. De lá pra cá, todos os anos a gente passa o mês de junho praticamente colado. Apesar de todos sermos de Várzea, tem gente que mora em João Pessoa, Campina Grande, Caicó (RN) e outros municípios. Viajamos pra Campina Grande, Patos, Santa Luzia e onde mais a gente achar festa boa. O grupo tem mais ou menos 15 integrantes, mas sempre tem os agregados que também são muito bem vindos”, disse a cirurgiã-dentista Gabriella Araújo.

Como muitos forrozeiros resolvem enfrentar grandes distâncias para curtir as festas nas regiões do Brejo e Sertão, é bom ficar atento aos planejamentos de viagens, seja em ônibus, transportes coletivos e até carro próprio.

“Sou natural do Pernambuco, e moro em João Pessoa, mas todo ano dou um jeito de viajar para o Sertão e aproveitar as tradicionais festas de Santa Luzia e de Patos, que para mim são as melhores. Não troco o São João do Sertão por nada, até a gastronomia é diferente, sem contar que encontrar as festas alternativas, com quadrilhas de rua, é sempre uma alegria à parte. Já passei por muita coisa engraçada, desde ser deixada pelo carro que ia me levar de volta, entrar em outra casa que não era a que eu estava hospedada e só depois perceber o engano, até pedir demissão para brincar todos os dias de São João no interior”, disse a psicóloga Amanda Vasconcelos, 32 anos, que há pelos menos oito anos viaja para o interior do estado no período junino e hoje garante: “Com o tempo, aprendi que planejar todos os detalhes antes e viajar tranquila é bem melhor”, pontuou.

Apesar do Sertão do estado ser preferência do paraibano na hora de escolher o destino para arrastar o pé, tem quem faça o caminho inverso. A estudante Caroline Alves, 24 anos, residente no município de Marizópolis, Sertão paraibano, conta que no São João prefere ir para a Capital aproveitar a praia. “Não sou muito festeira e sempre achei a Capital muito mais calma no mês de junho, porque parece que todo mundo que gosta de forró se concentra em Campina Grande ou no Sertão, então vou pra lá curtir a praia e fugir da agitação”, disse.

Em João Pessoa, inclusive, há shows nas tardes e noites dos sábados, na Praça Rio Branco e na Feirinha de Tambaú. “Na verdade é o que a gente chama de esquenta antes das tradicionais festas de São João no Ponto Cém Reis, que são as noites de maior movimento, com as bandas que atraem maior público. Mas a verdade é que o São João daqui não é tão tradicional como é em outras cidades”, disse a estudante de Serviço Social, moradora do bairro Castelo Branco, Elisa Batista.

O jornalista Élison Silva, morador do Geisel, em João Pessoa, lembra que desde 2016 frequenta o São João de Campina Grande. “Tinha ido outras vezes, mas um dia ou outro, esse ano resolvi aproveitar mais, fui dez dos trinta dias, sempre de bate volta, porque é perto, motorista confiável de van, então a comodidade de dormir em casa depois conta muito. Além disso, hospedagem nessa época em Campina Grande é muito caro. Sempre tem um grupo de amigos que curte ir, então a gente combina os melhores dias e vamos juntos. Ano passado fui algumas vezes, e nesse fui na abertura, no segundo dia, na sexta passada e com certeza nos dias de Fagner, Flávio José e Dorgival Dantas”, afirmou.

SÃO JOÃO ALTERNATIVO

O “São João Alternativo”, que há seis anos acontece no município de Patos, foi pensado pelo Coletivo Espinho Branco, que é um grupo de jovens patoenses que se reúnem frequentemente com o objetivo de realizar atividades culturais no município.

Tudo teve início quando uma parte desse grupo cogitou a possibilidade de produzir o I Grito Rock Patos, evento nacionalmente conhecido e também realizado em alguns países da América Latina. Na ocasião, o Centro Cultural Banco do Nordeste/Sousa e a Fundação Ernani Satyro - FUNES foram importantes incentivadores.

A partir disso, iniciou-se uma parceria com essas instituições, que culminou com o São João Alternativo integrando paralelamente a programação do São João oficial da cidade. “Nossa festa geralmente ocorre durante três dias, em um espaço cedido pela prefeitura, vizinho ao Hotel JK. No último dia, nossa programação é à tarde, no Bar do Tião. Reunimos bandas de rock, reggae, rap e forró pé de serra dos estados do Rio Grande Norte, Paraíba e Pernambuco, evitando o que a gente chama de 'forró de plástico'. Não temos apoio financeiro. As bandas vêm na 'brodagem' [sem receber pagamento, 'na amizade']. Nós hospedamos os integrantes nas nossas próprias casas e conseguimos patrocínio de alimentação e, às vezes, transporte. Somos a resistência e somos muitos. O espaço não é tão grande, mas é o ideal pra gente se divertir”, explicou a fotógrafa e organizadora do evento, Hozana Moreira.

ARRASTA-PÉ “DE CASA” 

Tradição recorrente no município de Santa Luzia, também no Sertão, são os forrós familiares, feitos na frente de cada residência, carinhosamente enfeitadas por tendas de palha, faixas e bandeirolas. Em cada rua se encontra uma festa particular, mas sempre receptiva aos visitantes. Na Rua Ábdon Nóbrega, no Centro da cidade, a família Nóbrega batizou sua festa de “Arraiá Escarião”, em homenagem ao patriarca da família, Osório Escarião.

“Este ano estamos comemorando 10 anos do “Arraiá Escarião”, que tem esse nome em homenagem ao meu bisavó. O grupo é formado por filhos dele e seus descendentes, meus tios e tias, netos e bisnetos. Todo ano vem todo mundo da família para a casa de Sadora e Teomar, na rua perto da igreja matriz. Nos reunimos e cada um dá alguma coisa, dividimos e contratamos trios de forró, som, um dá o mugunzá, outro caldo de mocotó, feijoada. Depois do almoço já começamos o forró que segue até o fim da tarde. Só paramos para nos aprontamos para começar tudo de novo durante a noite, no Parque do Forró”, afirmou a advogada Nathalie Nóbrega.

Ela lembra ainda que a festança reúne parentes que moram em São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa, Santa Rita e Campina Grande. “É sempre uma alegria. O diferencial daqui é a tranquilidade e o clima de reencontro. Aproveitamos a tradição do pé de serra à tarde e os shows da noite. Eu gosto demais do São João de Santa Luzia”, pontuou.

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