sábado, 19 de setembro de 2020

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Espera de até um ano para radioterapia pode ser fatal

Lucilene Meireles e Wênia Bandeira / 20 de novembro de 2016
Os pacientes que precisam de radioterapia na Paraíba têm esbarrado em dois problemas: a demora para conseguir os exames especializados e a quantidade de fichas disponibilizadas pela rede pública. Entre a consulta e o início do tratamento pode levar mais de um ano pelo atraso na realização de uma ressonância magnética, por exemplo, e pela grande demanda para um limite de aplicações de 300 sessões por dia no Hospital Napoleão Laureano, na Capital, que é referência regional.

Na rede pública, só há mais um lugar onde o procedimento é oferecido no Estado, o Hospital da FAP, em Campina Grande. Na particular, a aplicação radiológica chega a custar R$ 1,6 mil, mas apenas um serviço dispõe de um acelerador linear na Paraíba.

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) destacou que os principais problemas no setor estão relacionados com a remuneração inadequada da manutenção dos aparelhos e a escassa capacidade instalada, tanto do ponto de vista do número de equipamentos como de sua distribuição geográfica. Além disso, conforme a SBRT, metade das pessoas com indicação para radioterapia acaba por não recebê-la e, as que recebem, frequentemente fazem com atraso e sob tecnologias ultrapassadas.

Luta por exames. É difícil receber um diagnóstico de câncer e mais ainda saber que, para ter o direito ao tratamento, será necessário tirar dinheiro do próprio bolso para pagar os exames que deveriam ser custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com um câncer no reto, o pedreiro Severino Ramos da Silva, 57, conseguiu iniciar o tratamento dentro dos 60 dias previstos por lei. Passou por 10 sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia, mas para garantir o início do tratamento precisou desembolsar R$ 950 para um exame e R$ 800 para outro. “Não sei dizer quais foram, mas se fosse esperar pelo SUS, ia demorar demais. A família se juntou e pagou”, constatou.

A agricultora Marinalva Vieira da Silva, 29, que mora em Caiçara, a 143 km de João Pessoa, tem leucemia. Ela também cansou de esperar pelos exames no SUS e pagou por eles com a ajuda de familiares. Com os resultados em mãos, passou pela quimioterapia e aguarda o início da radio para esta semana. A realidade agrava o quadro de quem já está debilitado e coloca em risco a vida dessas pessoas. Outros acabam padecendo pela falta de eficiência do SUS, que deveria garantir acesso integral, universal e gratuito para toda a população.

"As peças e manutenção dos equipamentos são pagos com referência no valor do dólar dia. É impossível manter qualquer instituição nestas condições. O ministro da Saúde reconheceu que estes valores não podiam realmente arcar todas as despesas das instituições. Mas, qual a providência até a presente data? Nenhuma", afirmou  Saulo de Almeida Ataíde, chefe da Radioterapia do Hospital Napoleão Laureano.

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