segunda, 23 de outubro de 2017
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Fedentina na riqueza e na pobreza: esgotos clandestinos estão por toda parte em JP

Aline Martins / 29 de março de 2016
Foto: Assuero Lima
Nos primeiros dois meses deste ano, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam) de João Pessoa registrou 147 denúncias de esgotos clandestinos na cidade. Esse número representa, em média, duas reclamações por dia. No ano passado, a quantidade de reclamações cresceu 54% se comparado ao ano anterior. Em diversos bairros da Capital ainda é possível encontrar locais sem saneamento básico, com esgotos a céu aberto. Quem mora perto dessas áreas reclama dos insetos e do mau cheiro.

Mas a fedentina não é exclusividade da periferia, quem nunca se deparou com um esgoto na orla da Capital. Embora servidos de sistema de esgotamento e estando em área turística, alguns donos de imóveis insistem em jogar dejetos no meio da rua ou simplesmente lançá-los criminosamente na rede pluvial que deságua no mar.

Moradores da Avenida Almirante Tamandaré, orla marítima de Tambaú, na Capital, reclamam de um problema que ocorre com frequência e, segundo eles, é provocado por um restaurante da área. A dona de casa Lucinete Kjaer, contou que o estabelecimento mantém uma caixa de gordura na calçada e que ela enche e a sujeira vai pra a rua. “É a pior podridão. Ninguém pode sair de casa, porque é terrível. O esgoto escorre pela rua. Eles limpam, mas não passam 15 dias que volta tudo de novo”, comentou.

Do outro lado da cidade, na Rua Bartira, no Rangel, não há saneamento básico, segundo contou a aposentada Luzia Alves Teixeira, 75 anos. Nesse local, a água utilizada nas residências escorrem pela via, causando mau cheiro e muito mosquito. “Fizeram o saneamento de várias ruas, mas essa aqui não tem. A água de todas as casas vai para a rua. É tanto mosquito que ninguém aguenta”, reclamou. A água dessa via acaba escorrendo para a Rua Souza Rangel.

Mais denúncias. O chefe da Divisão de Fiscalização da Semam, Allison Cavalcanti, informou que os bairros da orla marítima, Mangabeira e Bancários são os que mais registram denúncias. A maior parte dos esgotos é lançada diretamente na rua, em especial nos locais onde não há o serviço da coleta de esgoto, onde a rede está subdimensionada ou o relevo imprime forte pressão sobre o sistema.

Para aqueles que ligam clandestinamente seus esgotos, equipes de fiscalização da Semam fazem notificação para corrigir o problema a lavratura de um auto de infração imputando multa. A fiscalização conta com o apoio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), que verifica a ligação. Em relação ao problema do esgoto sendo lançado no mar, Cavalcanti explicou que na cidade não há ligação legal de esgoto para o mar. No entanto, em alguns trechos da praia de Manaíra se registram lançamentos.

“Todo o sistema de coleta de esgoto da cidade é encaminhado para as diversas estações de tratamento espalhadas pelo território do município e reciclado para o sistema de abastecimento de água. Existem algumas galerias de águas pluviais que deságuam para o mar e que recebem manutenção periódica da Seinfra. Elas estão localizadas nas praias do Cabo Branco, Tambaú e Manaíra”, explicou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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