sexta, 18 de outubro de 2019
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Estudo da UFPB aponta que Lagoa precisa de nova reforma

Ainoã Geminiano / 28 de maio de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Após um estudo de mais de três anos, pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluíram que a Prefeitura deve fazer outra reforma no Parque da Lagoa, na Capital, para melhorar a mobilidade no local. O terminal de ônibus congestionado foi o foco do estudo, que revelou que usuários se deslocam para o Terminal de Integração, no Varadouro, apenas para fazer a troca de ônibus, que poderia acontecer na Lagoa, demandando mais tempo com a viagem e mais custos para o Sistema de Transporte Coletivo. A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob) informou que está avaliando as propostas apresentadas para decidir quais intervenções serão feitas no Terminal.

Segundo o professor Nilton Pereira Andrade, coordenador da pesquisa que é parte da disciplina de Transporte Público Urbano, do curso de Engenharia Civil da UFPB, a primeira etapa do estudo mostrou que mais de 90% dos passageiros que usam o Sistema de Integração, passam pela Lagoa e vão ao Terminal do Varadouro, apenas para integrar.

“Um levantamento inicial mostrou que, ainda hoje, mais 90% das pessoas que fazem a integração no Terminal do Varadouro, passam antes pela Lagoa. Antes da reforma do Parque, os passageiros seguiam direito para o Varadouro porque achavam a Lagoa escura, perigosa e se sentiam mais seguros no terminal lá de baixo, porque era fechado. O terminal ficavam lotados e havia fila de ônibus para entrar. Com a reforma, muita gente passou a integrar na Lagoa, mas a Prefeitura não tinha a dimensão do movimento que o novo terminal receberia e logo saturado, com congestionamento de ônibus e outros problemas. Por isso, muita gente continua passando para o Varadouro apenas para trocar de ônibus”, explicou.

A incapacidade do Terminal da Lagoa de atender a demanda da integração obriga os passageiros e as empresas que operam o sistema, a alongar a viagem em três quilômetros e mais de 13 minutos, até o Varadouro, apenas para integrar o transporte. Um problema que, ao final, reflete no preço da tarifa, segundo Nilton Pereira. “É uma perda de tempo para o passageiro e custo desnecessário para o sistema, que reflete no preço da passagem. Se essa integração fosse resolvida na Lagoa, a maior parte dos ônibus nem precisaria descer para o Terminal do Varadouro.

Encurtaria o tempo da viagem, o mesmo ônibus podeira dar mais viagens e baratear o sistema”, destacou. Pela proposta dos pesquisadores, uma vez resolvidos os problemas da Lagoa, a integração aconteceria nesse local e a maior parte dos ônibus deixaria de ir ao Terminal do Varadouro e retornaria aos bairros, após sair da Lagoa.

Intervenções

Entre os problemas identificados no Terminal do Parque da Lagoa, o principal deles é o congestionamento de ônibus tanto na entrada, quanto na saída do local.

“O terminal não suporta a quantidade de ônibus que recebe e isso resulta com congestionamento. Dentro do terminal, identificamos detalhes como o material e o modelo das plataformas, que esquentam muito e não protegem da chuva. Elas deveriam ser feitas com outro material e com uma coberta que passasse por cima dos ônibus, para proteger o passageiro da chuva. O piso da plataforma é muito baixo em relação aos degraus do ônibus e isso dificulta o embarque. Se o piso fosse no mesmo nível, aceleraria a entrada das pessoas no ônibus”, detalhou.

Semáforo na Miguel Couto



Na saída do terminal, o problema é o semáforo de três tempos, na entrada da Avenida Miguel Couto.

“Ele tem um tempo para o pedestre, um tempo para os carros e outro para os ônibus. Com isso, os ônibus ficam esperando dois tempos. Nossa proposta é construir uma passarela para o pedestre, com um largo espaço de espera entre a via dos carros e dos ônibus. O semáforo passaria a ter apenas dois tempos. Quando estivesse fechado para os ônibus, o pedestre faria metade da travessia e completaria quando fechasse para os carros. Com isso o tempo de espera do ônibus diminuiria e também a retenção na saída do terminal”, acrescentou Nilton Pereira de Andrade.

Falta de informação. No semestre passado, os pesquisadores da UFPB fizeram uma pesquisa com os passageiros apenas no Terminal do Varadouro, para saber os motivos pelos quais ainda passavam direto pela Lagoa.

“Alguns resultados nos surpreenderam, como por exemplo, as pessoas dizerem que não sabiam que fazia integração na Lagoa. Outras dizendo que tinham medo de perder o tempo da integração temporal, que é o tempo da viagem, mas 30 minutos. Percebemos que há uma falha de comunicação nesse sentido. O governo municipal poderia fazer mais campanhas para esclarecer a população sobre como funciona o Sistema de Integração de Transporte Coletivo na cidade”, revelou o professor Nilton Nilton Pereira Andrade.

Semob faz avaliação



O superintendente da Semob, Adalberto Araújo, disse que os resultados do estudo feito pela UFPB estavam sendo analisados. “Primeiro destacar a importância desse convênio, que dá aos alunos a oportunidade de pesquisar algo real e nos oferece uma mão de obra qualificada, sem custos. Algumas propostas já colocamos em prática, como substituir a biometria digital pela facial. Muitas vezes as pessoas estavam com o dedo suado, a biometria não pegava, isso causavam demora no embarque. Outras propostas estamos analisando, inclusive as de intervenção física no terminal, como alargamento da via, para caber mais ônibus dentro do local. Mas ainda não há um projeto definido para nova obra na Lagoa”, disse. AG

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