quinta, 01 de outubro de 2020

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Estrangeiros do “Mais Médicos” salvam assistência nos PSFs da Paraíba

Fernanda Figueirêdo / 03 de outubro de 2015
Foto: Divulgação
Dois anos após a implantação do programa federal 'Mais Médicos', a realidade vivenciada na Paraíba é de unidades de saúde superlotadas ou totalmente vazias. O primeiro caso é verificado onde médicos cubanos atuam e se desdobram para dar conta da demanda de pacientes deixada por profissionais brasileiros que não cumprem a carga horária para a qual são contratados.

A equipe de reportagem percorreu cidades do Sertão e verificou que os cubanos atendem até 100 pacientes por dia, enquanto unidades com médicos brasileiros seguem sem atendimento.

Para a dona de casa Lucineide dos Santos, 36 anos, mãe de três filhos, moradora do município de Pombal, Sertão do Estado, os cubanos são a solução, mas ela sabe que eles não ficarão para sempre.

Importados em sete ciclos

O Estado “importou” médicos cubanos nos sete ciclos do programa, desde setembro de 2013. “O médico cubano reside no município onde atende, é obrigatório. Os brasileiros, geralmente não moram nas cidades onde atendem, embora isso não justifique a falta aos expedientes, pois eles também precisam cumprir horário”, disse a coordenadora estadual do programa.

CRM critica: programa é ‘eleitoreiro

O presidente do Conselho Regional de Medicina na Paraíba, João Medeiros, chamou de “medida eleitoreira, política e ideológica” o Programa Mais Médicos, que desde o início do ano incorpora também o Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica (Provab) para médicos brasileiros. Segundo ele, apesar dos benefícios, a medida do governo é somente paliativa a uma série de problemas como falta de estrutura e condições no atendimento à saúde básica.

Sobre o não comparecimento de médicos contratados ou concursados nas Unidades Básicas de Saúde existentes no Estado, como acontece no município de Patos, João Medeiros disse que o problema é administrativo, de gestão municipal, e que deve ser comunicado ao CRM para que o órgão possa fiscalizar e agir mediante a lei.

População aprova cubanos

“Nessas cidades do Sertão, atendimento básico de saúde só funciona mesmo com os cubanos. Não quero nem imaginar quando forem embora, porque médico brasileiro não está nem aí pra pobre, só quer dinheiro”, disse a presidente da Associação de Moradores do Bairro São Sebastião (Patos), Maria Goreti da Silva.

A médica cubana Eglis Mabel Casa Mayor, 53 anos, que atende em Juazeirinho, afirmou que a educação e a saúde do país têm que sofrer muitas mudanças para que a população evolua junto às medidas adotadas pelo governo.

“No princípio havia muito receio em relação aos cubanos, agora não, creio que a população esteja muito contente com nosso trabalho. É uma pena que a medicina no país seja mercantilista e não vise apenas o bem estar do povo”, disse Eglis.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba. 

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