quarta, 22 de maio de 2019
Cidades
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Estações de trem na Grande JP estão em situação precária

Ainoã Geminiano / 02 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Moradores das comunidades do Poço e Jacaré, em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, usuários do transporte ferroviário, estão reclamando do que chamam de abandono das estações de trem que atendem as duas localidades. Em visita ao local, a reportagem constatou que os dois terminais estão completamente abertos e apenas os moradores que se declaram conscientes, pagam a passagem. Os muros estão parcialmente derrubados, portões com trancas quebradas e a vegetação invadido o entorno das estações. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CTBU-JP) informou que tem projetos para restauração das estações, mas falta verba para execução.

Na estação da comunidade do Poço praticamente não há mais muro em volta, o que indica que só paga passagem quem de fato quiser. Em um dos trechos derrubados do murro, alguém pichou a frase “Área de embarque dos lisos e miseráveis”, indicado que o buraco foi aberto para que as pessoas entrem sem pagar na estação e consequentemente no trem.

Além da depredação do terminal, os usuários reclamam da insegurança. “Isso aqui aberto e as outras estações também abertas, dá acesso a todo tipo de gente. Quase todo dia acontece assalto e arrastão dentro do trem. Eu mesmo já fui vítima de um arrastão desse, que normalmente acontece quando o trem vai passando por Mandacaru.

Desde que moro aqui só vi ser instalada essa coberta, que é muito alta e aberta, de um jeito que quando chove molha todo mundo que tá esperando o trem”, contou a dona de casa Adriana Félix, moradora do Poço.

Na comunidade do Jacaré, a dona de casa Rejane Sousa reclama dos usuários que se aproveitam da estrutura quebrada para andar sem pagar no trem.

“A situação já está ruim desse jeito e ainda as pessoas querem andar de graça, como isso vai se resolver? Eu mesmo faço questão de entrar pelo portão da bilheteria e pagar minha passagem, mas infelizmente tem muita gente que quer levar vantagem com isso”, disse.

Já a comerciante Vânia Cavalcante, que trabalha na estação do Jacaré, lembrou da escuridão que fica no local, quando anoitece.

CBTU quer fazer reforma



O CORREIO procurou a CBTU-JP e, seguindo orientação da assessoria de imprensa e da Gerência de Operações, conversou com o Setor de Engenharia, que informou da existência de vários projetos, para reforma, não só das estações, como de todo o sistema ferroviário. “A situação é complexa. Estamos com um projeto de reforma das estações em andamento, mas o orçamento cobre uma quantidade de serviços que fica a quem da necessidade. Desde 2016 que temos um projeto pronto, que prevê novos modelos de estações. A ideia é construir quatro novas estações e reformar as existentes, de forma que as estruturas deixem apenas o espaço para o trem passar, sem possibilidade de usuário entrar, que não seja pelos portões de bilhetagem”, explicou o engenheiro Pedro Augusto Farias.

Outro problema lembrado por ele é a invasão das faixas de domínio da CBTU, que dá direito à companhia de usar 15 metros de cada lado da linha férrea, em toda extensão da ferrovia. Mas em várias localidades esse espaço foi invadido por construções irregulares. “Estamos fazendo mapeamento para depois buscar soluções jurídicas para reaver essas faixas. Além da ocupação de espaço que poderia ser usado para melhorar a estrutura da ferrovia, há uma questão de segurança, porque o trem acaba passando muito perto de barracas e construções improvisadas”, acrescentou.

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