sexta, 19 de abril de 2019
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Especialista diz que fim das lombadas contribui para aumento de acidentes

Lucilene Meireles / 09 de março de 2019
Foto: Assuero Lima
“Em qualquer lugar do mundo, as lombadas contribuem para a redução de acidentes. É um tremendo absurdo, que vai na contramão de tudo o que se recomenda do ponto de vista técnico”. A observação é do especialista em Trânsito, Nilton Pereira, em relação à declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro que, na última quinta-feira, dia 7, anunciou que as lombadas eletrônicas em todo o País não serão renovadas. Na Paraíba, em 2018, foram registrados 1.542 acidentes nas rodovias paraibanas, com 1.122 feridos e 133 mortes. Em 2019 foram 268 acidentes, com 319 feridos e 27 mortes, número que poderia ser bem maior se não fosse a fiscalização eletrônica.

Na visão do especialista, por mais que não acabem com a violência no trânsito, os equipamentos eletrônicos contribuem para coibir o excesso de velocidade em trechos considerados mais perigosos e, em consequência, reduzir os riscos e os números de ocorrências, muitas fatais e outras que deixam sequelas.

“Basta olhar a Paraíba que, onde as lombadas foram retiradas, a velocidade aumentou. Ou seja, a tendência é a situação piorar ainda mais nas BRs”, constatou Nilton Pereira. Ele reforçou que a medida poderá trazer prejuízos, com o aumento no número de acidentes, de feridos e mortos nas estradas.

Mestre na área de Transporte pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde também é professor no campo da Mobilidade Urbana, e PHD no Setor de Transporte pela University of Southampton, na Inglaterra, Nilton Pereira afirmou que não há justificativa para a determinação. “Se os contratos estão sendo utilizados para usar o dinheiro para outros fins, tem que investigar e não acabar com as lombadas que são extremamente importantes para a sociedade”, analisou.

O anúncio. Durante uma transmissão ao vivo, via rede social, na última quinta-feira, dia 7, o presidente Jair Bolsonaro disse que as lombadas eletrônicas não serão renovadas. Ele justificou que os equipamentos só servem para multar motoritas, arrecadar dinheiro e não diminuir acidentes.

Ele anunciou que o contrato com a empresa responsável pela instalação não será renovado. “É uma decisão nossa. Não teremos mais nenhuma nova lombada eletrônica no Brasil. As lombadas que porventura existam - e são muitas - quando forem perdendo a validade, não serão renovadas”, disse Bolsonaro.

Mais ocorrências



Em fevereiro deste ano, o CORREIO mostrou que regiões onde os redutores de velocidade (lombadas eletrônicas e radares) foram retirados para substituição por novos equipamentos nas rodovias federais na Paraíba apresentaram ocorrências de acidentes, como perda do controle de veículos e colisões. Os equipamentos estão sendo substituídos, tendo em vista a celebração de novo contrato, que sucedeu o anterior vigente, devido ao limite legal para contratações continuadas no serviço público. Os 71 equipamentos estão sendo substituídos e acrescidos de mais 115, totalizando 186.

Na epóca da matéria, foi observado que em determinadas localidades e horários, como no trecho da BR 230 em Intermares, Cabedelo, era perceptível que muitos condutores aceleravam para chegar mais rápido ao seu destino, sem levar em conta os perigos e trechos onde há circulação de pedestres e ciclistas. A PRF alerta, porém, que a ausência dos equipamentos não podem ser determinantes para a causa de acidentes, já que o condutor é o principal responsável na condução. BP

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