terça, 19 de janeiro de 2021

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Em JP, árvores são cortadas e não são repostas; Prefeitura garante replantio até o fim do ano

Lucilene Meireles / 10 de maio de 2017
Foto: NALVA FIGUEIREDO
João Pessoa está cada vez menos verde. Árvores que caíram, outras que foram suprimidas por conta de obras públicas e ainda as que foram retiradas por problemas como fungos não foram repostas. A Prefeitura de João Pessoa (PMJP) garante que tem priorizado áreas degradadas, mas prometeu que até o final do ano serão 30 mil novas mudas e que a rua está entre as que serão beneficiadas. A Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (Apan) vai solicitar formalmente à PMJP a reposição das árvores.

O comerciante Almir Morais trabalha no local há mais de uma década e afirmou que tem sentido na pele a falta das árvores. “Acho que há muita campanha hipócrita e se faz o contrário. Retiram as árvores e não replantam. Essa rua era uma referência. Hoje não é mais”, lamentou. Em frente ao seu comércio, ele fez questão de plantar uma árvore, mas destacou que esse papel é do Município.

Na Avenida Coremas, Centro da Capital, também houve retirada, na altura do Instituto Cândida Vargas (ICV). “O pessoal corta as árvores e não planta outras. A cidade vai ficando menos verde, mais quente e mais feia”, observou a vendedora Normiram Melo. A mesma observação foi feita pela aposentada Neuza Guedes em relação à Avenida Epitácio Pessoa. Para ela, que é do Sertão, o verde deve prevalecer em relação ao cinza das construções. “No Jardim Treze de Maio, onde moro, também faltam árvores”, constatou.

O ambientalista Antônio Augusto Almeida, presidente da Apan, disse que a ONG já havia constatado a situação. “A arborização urbana tem diminuído, tanto pela retirada de árvores inadequadas ao local que não são repostas, como também pela derrubada em avenidas como Beira Rio, que a prefeitura fez para implantar a ciclovia e não compensou essa perda. João Pessoa, apesar de ser tida como cidade verde, é uma das que menos tem arborização nas vias públicas” declarou.

Parque Solon de Lucena. No Parque Solon de Lucena, segundo o presidente da Apan, Antônio Augusto Almeida, foram retiradas árvores para dar espaço ao novo projeto. “Concordamos, com a condição de que a Prefeitura iria repor um número dez vezes maior, mas não vimos isso ainda. Vamos fazer um ofício falando sobre a redução da arborização urbana, solicitando a reposição das árvores que foram retiradas e a intensificação da arborização, além da reativação do viveiro municipal com mudas da Mata Atlântica e não apenas das exóticas, onde os pássaros nem pousam para fazer ninho”, completou.

Replantio. Só este ano, de acordo com a Semam, foram plantadas 3 mil mudas de árvores em João Pessoa. Porém, nenhuma nas vias percorridas pela reportagem. O engenheiro agrônomo, diretor de Controle Ambiental e da Divisão de Arborização e Reflorestamento da Semam, Anderson Fontes, afirmou que, dentro do programa Carbono Zero, a expectativa é fechar o ano com 30 mil mudas, especialmente em áreas degradadas.

Ele observou que, de fato, não houve replantio nas vias percorridas pela reportagem e isso dá a impressão de que a cidade está menos verde.

“Mas, não é que o verde esteja diminuindo. É que estamos cuidando das áreas degradadas. A questão é que conseguirmos plantar quatro mudas na Coremas todo mundo vai ver que a Prefeitura está trabalhando. Com relação a essas ruas, não é que não vamos fazer. O plantio tem aumentado”, disse.

O diretor admitiu que faltam ações prioritárias nas áreas de canteiros centrais, onde foram retiradas ou caíram árvores. Nessas vias, segundo ele, haverá replantio este ano. Na Epitácio Pessoa, inclusive, em parceria com os donos de lojas, mas haverá mudas novas para a Coremas, Prefeito Osvaldo Pessoa e Beira Rio.

Algumas áreas degradadas beneficiadas foram a nascente do Rio Cuiá, no Grotão/Colinas do Sul; Beira Rio, onde houve trabalho da Defesa Civil junto à ponte nova; e no Rio do Cabelo.

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