quarta, 14 de novembro de 2018
Cidades
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Em instituições ou grupos, paraibanos realizam ações para ajudar o próximo

Fernanda Figueirêdo / 04 de novembro de 2018
Foto: Jornal CORREIO
Artistas, médicos, psicólogos, advogados, estudantes e tantos outros paraibanos juntos em prol de uma única causa: fazer o bem. Do Sertão ao Litoral não faltam instituições e grupos de amigos que resolveram, sozinhos, sem ajuda de governos, realizarem ações para promover a igualdade social e recuperar a dignidade de pessoas que vivem em situações de risco. “A elas é devolvido o direito de sonhar, de terem esperança, de se sentirem compreendidas. Não importa se a ação é individual ou em grupo, o que importa é se importar”, disse a psicóloga Helyssa Lopes, que nos últimos dias divulgou seu contato telefônico para atendimentos gratuitos. Segundo ela, a banalização de comportamentos violentos nos dias atuais tem gerado um impacto negativo ao bem-estar das pessoas.

Helyssa decidiu, a princípio, agir sozinha. Mas outros profissionais de saúde já se unem para prestar assistência psicossocial gratuita a crianças consideradas “economicamente desfavorecidas” e seus familiares. Assim acontece na “Casa de Lili”, que funciona na Rua José de Alencar, no bairro Prata, em Campina Grande, há pouco mais de dois anos.

Composta por um grupo de fundadores e de apoiadores, o local tem esse nome em homenagem à dona Maria Arli Albuquerque Araújo, mãe da idealizadora do projeto, Ana Amélia Araújo Arruda, 65 anos, dos quais 40 foram dedicados a ouvir e ajudar o próximo através da sua profissão.

Ana Amélia é psicanalista. Ela decidiu que precisava contribuir com as crianças do município de alguma forma e hoje atende 130 crianças entre 0 e 12 anos.

“Coordenei a saúde mental no município por muitos anos e fiquei com a ideia de que deveríamos fazer algum trabalho pelas crianças. Tenho bons amigos que acolheram essa ideia. Hoje somos em seis profissionais entre médica, psicóloga, fisioterapeuta e enfermeira. Temos uma equipe preparada. O nome do lugar foi em homenagem à minha mãe, porque ela teve muitos filhos e muita gente ia estudar lá. Os colegas dos filhos de todas as idades eram acolhidos na nossa casa”, explicou.

A analista ambiental Fabiana Barros, 37 anos, frequênta o consultório com o filho João Pedro, de 8 anos, e sabe da importância desse atendimento.

“Descobri a Casa da Lili através da escola, desde maio estamos aqui. Meu filho teve uma brusca mudança de comportamento depois que a avó faleceu, pedi ajuda e a psicóloga da escola me indicou a casa. Aqui é um trabalho diferenciado, não é só a relação entre o psicólogo e a criança, eles fazem um trabalho familiar completo, e isso foi muito importante. Estamos batalhando para que a mudança ocorra. O contato com outras mães é enriquecedor, cada uma com seus sofrimentos e lutas. As vezes a gente até compara e vê que o que a gente está passando não é tão grave”, afirmou.

Na Casa da Lili cada um tem uma função diferenciada e todos se ajudam, seja para ouvir as crianças, individualmente, realizar triagens, reuniões em grupo, entre outras atividades. A psicóloga Juliana Cavaliere se emociona quando fala sobre como é trabalhar com as crianças.

“É difícil trabalhar com diagnósticos, rotular as crianças, aqui nós não fazemos isso. Muitas vezes uma mãe chega com uma criança autista e ela nem vê mais o filho, só o autismo. Já tivemos casos em que nem era esse o diagnóstico, apesar do laudo médico”, disse.

História, futebol e ecoterapia

A Fundação Edvaldo do Ó, localizada nos municípios de Campina Grande e Lagoa Seca, e hoje presidida pelo advogado Raymundo Asfora Neto, é uma instituição sem fins lucrativos que ajuda crianças através de uma escolinha de futebol no bairro Santa Rosa, e ecoterapia realizada na Granja Solidão, em Lagoa Seca. Além das ações visíveis, o diferencial da fundação é tentar ajudar através da história, perpetuando o nome do economista Edvaldo do Ó e suas ações, tão importante para a Rainha da Borborema.

“Na verdade ele era um visionário. Quando a fundação surgiu na década de 80, tinha o nome Bolsa de Mercadorias, porque foi no auge de movimentação econômica ocorrida por iniciativa dele. Em 1993, quando faleceu, a fundação passou a ter o nome dele. Inicialmente a função era manter a bolsa de mercadoria de Recife, ajudando o desenvolvimento. Hoje temos o acervo da Gazeta do Sertão, que fechou também na década de 80 e é um importante patrimônio imaterial da cidade. Então, temos buscado digitalizar esse acervo e buscar parcerias de incentivo à cultura através de um passado grandioso e de homens empreendedores como Edvaldo do Ó”, explicou Raymundo.

O presidente disse ainda que há pouco mais de um ano a frente da Fundação, a missão tem sido lançar sementes de projetos diversos com o objetivo de contribuir de alguma forma com o desenvolvimento social.

A ecoterapia, especialidade da fisioterapia que utiliza o movimento da marcha do cavalo para proporcionar movimento terapêutico para quem cavalga, funcionou na Granja Solidão, em Lagoa Seca, por cinco anos, ajudando crianças autistas, com Síndrome de Down e deficiência visual a resgatarem a autoconfiança e o equilíbrio.

“Esse projeto está parado há alguns meses por falta de recursos, mas estamos buscando viabilidade para execução. Já a escolinha de futebol funciona todos os sábados com crianças até no máximo 16 anos, buscando o caminho de que através do esporte é possível afastá-las das drogas e incentivar práticas saudáveis”, disse Asfora Neto.

Arte e educação

A Fundação Piollin, no bairro do Roger, em João Pessoa. Fundada em 1975 por alguns artistas, entre eles o ator Luiz Carlos Vasconcelos, natural de Umbuzeiro, no Cariri, o centro recebeu esse nome em homenagem a um palhaço. É formada pelo Centro Cultural Piollin e pelo Piollin Grupo de Teatro.

“No centro cultural temos um trabalho de educação com crianças, adolescentes e jovens principalmente dos bairros do Roger e Tambiá. Trabalhamos com técnicas circenses, música e apoio ao ensino regular através da escrita, entre muitas outras atividades. Recentemente, desde o semestre passado, temos construído uma praça chamada Jardins do Baobá. Eu trouxe uma muda da África que plantamos na área da Piollin e hoje está com 12 metros de altura, completou cinco anos. Em torno criei canais de irrigação, gramamos, jardinamos, e virou uma praça linda, essa é a minha ação mais potente lá. Será um espaço cênico onde as pessoas sentarão em bancos de pallets e no gramado os atores apresentarão performances”, explicou Luiz.

Casa sertaneja

A Casa do Béradêro é uma associação sem fins lucrativos no município de Catolé do Rocha, Sertão do Estado, criada em 2001 pelo cantor e compositor Chico César e sua primeira professora de música, a freira Iracy Barboza. Natural de lá, o cantor tem como foco a formação de crianças e adolescentes através de atividades ligadas à cultura e educação. Também se investe na qualificação profissional do jovem sertanejo.

A associação já atendeu a quase 2 mil crianças, adolescentes e jovens da região, tornando-se referência por oferecer o primeiro curso gratuito de formação musical de Catolé do Rocha. Alguns alunos egressos do curso já integram diversas orquestras, como a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba. Lá são ensinadas a teoria e a prática de instrumentos musicais como flauta, contrabaixo, violão, viola, violoncelo e violino.

Além disso, a Casa do Béradêro qualifica profissionalmente monitores de música que atuam no Instituto e também em outros projetos.

Graças a esse projeto, a música erudita e a iniciação musical foram levadas paras todas as públicas e particulares do município de Catolé do Rocha, inclusive as localizadas nos sítios mais distantes. FF

 

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