domingo, 17 de janeiro de 2021

Em 2016
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Paraíba deve registrar 2,1 mil novos casos de câncer de pele este ano

Mislene Santos / 08 de dezembro de 2016
Foto: Mislene Santos
No pingo do meio dia, como diz o sertanejo, Marcelino Fernando Pontes transita entre carros, ônibus e motos vendendo água mineral para matar a sede quem passa no cruzamento das avenidas Dom Pedro II e Tabajaras, no Centro de João Pessoa.  A quentura, ao alto índice de incidência de raios ultravioletas faz com que as vendas aumentem, mas também coloca a saúde do vendedor em risco.

Sem nenhuma proteção, Marcelino passa horas exposto aos raios ultravioletas, sete dias por semana, o que pode causar um câncer de pele. A Secretaria Estadual de Saúde estima que 2,1 mil novos casos da doença sejam registrados este ano. Foram 407 mortes desde 2011, sendo que 2015 foi o que mais registrou mortes, 89. Este ano 59 paraibanos já morreram vítimas de câncer de pele.

“Não estou usando nada para me proteger do sol não”, afirmou o jovem de pele clara e apenas 18 anos.  Perguntado se sabia dos riscos que corria devido à exposição direta ao sol sem nenhuma proteção, respondeu que já ouviu falar que não é bom. “Já ouvi falar  que causa mancha na pele, problemas de saúde e um monte de coisa”, comentou Marcelino.

Sobre a possibilidade de a exposição ao sol causar câncer de pele, o rapaz foi conciso e destemido. “Também já ouvir falar que causa câncer de pelo, mas eu não tenho medo não, porque quem trabalha Deus ajuda, né?”, disse o jovem. Marcelino informou que está esperando ‘apurar’ algum dinheiro para começar a se proteger. “Vou comprar protetor solar”, arrematou.

Motoboy quase protegido

Camisa de proteção para raios solares, calça jeans e óculos escuros. É dessa forma que o motoboy Frederico Lins Vilar trabalha diariamente das 8h às 18h. Ciente do risco que corre devido a exposição aos raios ultravioleta procura proteger o corpo e pálpebras, mas esquece de uma parte importante que já apresenta a mudança na cor da pele devido ao sol.

"Confesso que me descuido da proteção do rosto e das mãos. Eu passo protetor solar, mas infelizmente esqueço mais do que lembro de colocar o protetor”, afirmou  Frederico Lins e complementou. “Sei que não posso me descuidar e a partir de hoje vou passar o protetor regularmente, porque já vi em várias entrevistas que isso pode dar câncer de pele”, afirmou Frederico. O descuido tem uma justificativa. “Por ser moreno imagino que não tenho muita chance de pegar alguma doença com o câncer de pele por conta disso”, brincou.

Alerta da dermatologista  

A dermatologista da Associação Brasileira de Dermatologista Kamila Magno, alertou que o câncer de pele é uma doença perigosa que pode causar danos irreversíveis e até matar. “Alguns tipos de câncer de pele podem ser tratados com cirurgias mais simples, outros podem causar amputação de tecidos nobres e há ainda o mais agressivo que pode causar metástase para outros órgãos, inclusive provocando danos seríssimos ao cérebro, e levando o paciente a morte”, afirmou a médica.

Segundo ela, as pessoas que se expõem ao sol não podem abrir mão de todos os tipos de proteção. “A camisa de proteção UV é muito eficaz, o uso do protetor solar com fator acima de 30 é indispensável e o óculos também com proteção UV, pois as pálpebras também podem ser acometidas por um câncer de pele”, comentou Kamila Magno.

De acordo com a médica as pessoas muitas vezes usam o protetor solar mais não de forma correta. “Para a face, braços, pernas, troncos anterior e posterior é necessário a utilização de duas colheres de chá de protetor para cada parte do corpo. Também é importante fazer a reposição a cada três horas no dia a dia, a cada duas horas para quem está na praia ou piscina sem tomar banho e a cada uma hora para quem está tomando banho de mar ou piscina”, explicou a dermatologista.

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Incidência de raios ultravioletas

A incidência de raios ultravioletas na Paraíba tem alcançado índices extremos, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que aumenta o risco da população desenvolver câncer de pele. Numa escala que vai até 16, algumas áreas do Estado devem registrar IUV 13.

De acordo com o Inpe, o IUV mede a intensidade da radiação UV. Essa radiação causa efeitos sobre a pele e pode desencadear um câncer. O IUV representa o valor máximo diário da radiação ultravioleta, ou seja, no período referente ao meio-dia solar, o horário de máxima intensidade de radiação solar. Os efeitos do raios UV na pele humana podem ser agudos, que são imediatos e surgem em como queimaduras, bronzeamento ou produção de vitamina D; e crônicos, que ocorrem em longo prazo e causam o fotoenvelhecimento e câncer de pele.

Tipos de câncer de pele



  • Carcinoma basocelular (CBC): o mais frequente e menos agressivo.


  • Carcinoma espinocelular ou epidermoide (CEC), mais agressivo e de crescimento mais rápido que o carcinoma basocelular.


  • Melanoma cutâneo, mais perigoso dos tumores de pele, tem a capacidade invadir qualquer órgão e espalhar pelo corpo.


  • Aproximadamente 80% dos cânceres de pele não melanoma são CBC e 20% são CEC.




Outros tipos de câncer



  • Tumor de células de Merkel


  • Sarcoma de Kaposi


  • Linfoma de cutâneo de células T (câncer do sistema linfático que pode atacar a pele)


  • Carcinoma sebáceo (surge nas glândulas sebáceas)


  • Carcinoma anexial microcístico (tumor das glândulas sudoríparas).


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