segunda, 25 de janeiro de 2021

Educação
Compartilhar:

Redução de mais de R$ 90 milhões no orçamento coloca UEPB em risco, afirma reitor

Francisco Varela Neto / 17 de abril de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
O reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Rangel Junior, afirmou que é extremamente difícil administrar uma universidade do tamanho da UEPB, que tem recursos escassos se comparado as outras grandes universidades do Estado (UFPB e UFCG). De acordo com ele querer que a administração seja feita baseada em recursos de anos anteriores é impossível.

“É de fato extremamente difícil manter uma instituição deste porte que tem 84 cursos de graduação abertos ano a ano, que tem 24 programas de pós graduação, que em pouco mais de oito anos ela dobrou de tamanho, que tem oito campus. Então tentar voltar hoje a realidade orçamentária proporcionalmente a receita do estado, a realidade de 2005 e 2006 é querer colocar a universidade em um figurino que não cabe”, afirmou em entrevista a rádio correio Sat 98/FM.

Segundo o reitor, as obras que estão sendo feitas na instituição também estão sendo prejudicadas, tendo em vista a falta de dinheiro, e disse que o planejamento feito pela universidade foi muito menor que o repassado pelo governo do estado.

“Nos últimos quatro anos o nosso orçamento de capital foi menor do que o executado em 2012. Em quatro anos de gestão eu abri uma obra de um laboratório que era para ser construído com três pavimentos e só esta sendo construído um. Porque o dinheiro só dava pra licitar um pavimento. O orçamento que a UEPB propôs para o ano de 2017 importava em R$ 410 milhões ao ano, o governo do estado definiu R$ 317.900 milhões. O governo encaminhou para a Assembleia Legislativa esse projeto. Decisão do governo. Ao ser aprovado, nós nos programamos para esse valor”, disse.

Rangel Júnior também afirmou que não vai entrar em polêmica com secretários do estado com relação a administração da UEPB. O reitor falou isso se referindo as críticas feitas pelo secretário executivo de Planejamento, Orçamento e Gestão do estado Fábio Maia que havia afirmado que a culpa pela má gestão da universidade era única e exclusivamente do reitor.

“O que nós temos na prática e eu posso fazer uma avaliação política desse tipo de fala, é que é uma maneira de desviar do verdadeiro problema. Eu não quis, e nem vou polemizar com secretários de estado do governo que foram os que vieram a público falar sobre isso, notadamente um secretário, que ele não entende absolutamente nada de reparos e reformas, não conhece a universidade, nunca se deu o trabalho de falar comigo sobre um tema da universidade ou conhecer”, afirmou.

E acrescentou que não se pode comparar uma universidade com uma secretaria. “Eu não posso comparar uma universidade com uma secretaria de comunicação, ou com uma secretaria de saúde, eu tenho que comparar uma universidade com outra universidade, então esse conhecimento era necessário pra eu poder iniciar uma discussão política administrativa e chegar a seguinte conclusão”.

Audiência com o governo do estado

O reitor da UEPB também disse que já fez uma solicitação de uma audiência com o governador Ricardo Coutinho para tentar resolver todo esse conflito que a universidade vive.

“Eu já pedi a uns dois meses a audiência com o governador, quando este conflito surgiu, já pedi aos secretários, e eu dialogo frequentemente com o secretário de educação, mas o secretário de educação não decide sobre questões financeiras da UEPB, eu cheguei a ter um reunião com a secretária de finanças no ano passado , logo que ela tomou posse  , e pedi que a secretaria de finanças ao fixar o recurso pra universidade”.

Greve na UEPB

O reitor também falou sobre a greve que se iniciou na universidade na última quarta-feira (12). Na opinião dele a atitude é legítima e natural levando em conta que faz três anos que os professores da instituição não recebem aumento.

“Não há duvidas de que a greve como mobilização ela é um direito legítimo de qualquer trabalhador. Jamais eu me colocaria de frente aos trabalhadores e por que eu não faço isso? Mesmo discordando da tática escolhida a reivindicação dos professores e dos técnicos ela é incontestavelmente justa, porque estão há três anos sem reajuste salarial . Quem é que sustenta com inflação ano a ano, com tudo aumentando e o seu salário não cresce e não é que não cresça que não acompanhe a inflação, é não crescer nada”, afirmou.

Relacionadas