sábado, 28 de novembro de 2020

Educação
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Professor Trindade relembra Figueiredo Agra: ‘um poeta injustiçado e esquecido’

João Trindade / 29 de outubro de 2017
Foto: Rafael Passos
João Trindade

FIGUEIREDO AGRA: um poeta injustiçado e esquecido

É inadmissível o esquecimento a que se relega (por razões que nada têm a ver com o homem, mas sim com a vida) a obra do grande poeta paraibano e campinense Figueiredo.

Tenho me empenhado em resgatar a obra desse escritor que, como já disse no título, foi relegado a quase total esquecimento.

O texto reproduzido a seguir, de minha autoria, é um dos pequenos estudos da “Coletânea de Autores Paraibanos”, obra coletiva publicada em 1987, organizada pelo poeta Sérgio de Castro Pinto e publicada pela Secretaria de Educação e Cultura (SEC) – Pp. 88 e 89:

Antônio de Figueiredo Agra, filho de Agripino da Costa Agra e Maria Figueiredo Agra, cursou as primeiras letras em Campina Grande, cidade onde ocupou diversos cargos administrativos e deixou sua marca peculiar: a altivez no estilo de administrar.

Brilhante como advogado, político e poeta, Figueiredo Agra se constitui numa das principais vozes da intelectualidade campinense, em nível nacional.

Como poeta, investigou em profundidade o sofrimento humano, enfatizando o fato de que quanto mais o homem se conhece e é “dono” do seu destino, mais se torna infeliz.

Em nível estético, sua poesia, sem chegar ao exagero do verbalismo extremo, é profundamente trabalhada, tendo, inclusive, certas incursões no concretismo. Mas é o lado humano dela que se destaca; sua dicção profundamente vivencial, o universo louco e lúcido do poeta que tem como obrigação captar o real e, através da fantasia, devolvê-la (a poesia) a um leitor, carregada de emoção e consciência do trabalho artesanal.

OBRAS POÉTICAS DO AUTOR

Guarda Esses Poemas, Luciene (1965)

Os Hemisférios Loucos (1973)

Concerto de Espaços (1973)

Vida Flauta (1974)

Tempos da Noite (1975)

Café das manhãs Amargas (1976)

Poema selecionado:

UM FESTIM PARA HERODES

Trinta e cinco círios

acendem hoje

este meu aniversário

e nem Salomé

nem Herodíades

estão comigo.

A sua dança

traçou no ar

a estranha coreografia

que foi sugerida

na cabeça de João Batista.

Chegam as bandejas,

vazias,

menos mesa que música

e dançam o meu pandemônio.

Eu os sei aqui,

convivas redivivos,

e nenhuma ideia por cabeça

me trarão.

As bandejas me chegam

por certo,

sem o pedaço de João Batista,

o que já foi doado.

As bandejas estão aqui,

vazias,

e querem que elas voltem

com a minha cabeça...

(OsHemisfériosLoucos, Gráfica Igramol, João pessoa, 1972, sem numeração de páginas).

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