quinta, 21 de março de 2019
Educação
Compartilhar:

Professor Trindade inicia curso de português Prático; confira lição nº 1

06 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
LIÇÃO Nº 1:  Frase, oração, período

A partir de hoje, e durante 22 semanas, vamos apresentar ao leitor um curso prático e gratuito de Português, que servirá prioritária, mas não obrigatoriamente, para preparação em concurso. Em verdade, serve a qualquer propósito; seja o já aludido, seja para o dia a dia profissional, escolar ou, simplesmente, para quem quiser aprender, sem compromisso, nosso idioma.

Esperamos agradar. E qualquer observação ou dúvida pode ser enviada para o “e-mail”: professortrindade1@hotmail.com

Teremos o maior prazer em responder.

A gramática que se estuda para concursos é chamada gramática normativa (normativa, porque traça normas). É dividida em três partes:

 



  1. a) Fonologia – estuda a palavra sob o ponto de vista sonoro.


  2. b) Morfologia – estuda a palavra isoladamente. É, basicamente, o estudo das classes de palavras.


  3. c) Sintaxe – estuda as relações entre os termos, quando se unem para formar frases e orações, com as quais exprimimos nossas ideias. Estuda, sobretudo, a relação de dependência – ou não – entre os termos.




Por exemplo: Casa, isoladamente, é substantivo.

A casa fica na zona rural (casa, no contexto sintático, é núcleo do sujeito).

Casa – do ponto de vista sonoro, é formado por letras e fonemas.

 

Nos novos concursos, a fonologia quase não aparece. Por exemplo: não se está mais pedindo (quando dizemos não se está mais pedindo, queremos dizer: é raro, ultimamente) quantos fonemas e quantas letras existem em determinada palavra. O estudo da fonética, hoje, basicamente se liga aos aspectos práticos, principalmente aos requisitos para o estudo da acentuação gráfica, semântica e variantes linguísticas.

Quanto à morfologia, também não se estudam mais as classes de palavras, isoladamente; hoje, predomina a morfossintaxe.

 

FRASE – ORAÇÃO – PERÍODO

 

1.Frase: Qualquer enunciado que tenha sentido: Fogo! Socorro!

2.Oração: Qualquer enunciado que contenha verbo: O fogo se alastrava pela plantação.

3.Período : Enunciado desentidocompleto, que contém verbo, e se encerra com ponto final, reticências, exclamação, interrogação ou dois pontos.

 

O período pode ser simples, ou composto.

 

É simples quando apresenta uma só oração: O fogo se alastrava pela plantação.    É composto quando apresenta mais de uma oração: As pessoas corriam, porque o fogo se alastrava pela plantação.

Sabemos o número de orações de um período contando os verbos ou as locuções verbais. O número de orações será o mesmo do número de verbos ou de locuções verbais*

*Locução verbal: dois ou mais verbos fazendo as vezes de um só.

 

Termos da oração

 

Antes de estudarmos os termos da oração, vamos observar algo muito importante, fundamental para quem quer aprender gramática: Predicação verbal.

 

Quanto à predicação verbal, os verbos* podem ser:

* Verbo: É a palavra da língua que expressa uma ação, fenômeno ou intermedeia o sujeito e um estado, situada num tempo e em determinado modo. (teremos, no decorrer do curso, uma lição sobre verbo).

O homem saiu (ação).

Chove lá fora! (fenômeno).

O homem está doente (a forma verbal está intermediou o estado: doente).

 



  1. Significativos: o significado da frase está no verbo.




Ex.: O Homem saiu.

 



  1. Não significativos (de ligação): apenas ligam o sujeito a um predicativo*. Osignificadodafrasenãoestánoverbo, mas sim, no nome (predicativo).




Ex.: O homem está triste.

* Predicativo: termo que indica um qualificativo, um estado ou atributo qualquer, dirigido ao sujeito ou ao objeto.

Maria é bela (qualificativo).

Maria está doente (estado).

Aquele estado elegeu José senador (atributo).

 

Os verbos significativos se dividem em:

 



  1. a) Intransitivos (não exigem complemento): O homem saiu.




b)Transitivos diretos (exigem complemento, sem preposição obrigatória): Comprei um terreno na praia.

É interessante perceber que há verbos transitivos diretos acompanhados de preposição, o que gera o chamado objeto direto preposicionado:

Ela ama a Deus.

Bebeste do meu vinho e comeste do meu pão.

Na verdade, tais verbos são transitivos diretos. Apenas por questão estilística ou para esclarecer determinados contextos, foi colocada a preposição.

No primeiro caso, você poderia, simplesmente, dizer: Ele ama Deus. O afoi usado só por uma questão estilística. No segundo, para esclarecer determinado contexto. Observe:

Comeste o bolo (o bolo inteiro).

Comeste do bolo (uma parte do bolo).

Em ambas as frases, o verbo comer é transitivodireto.

 

c)Transitivos indiretos (exigem complemento, com preposição obrigatória): Gostei do seu sorriso.

d)Transitivos diretos e indiretos, simultaneamente (exigem os dois tipos de complemento citados): O pai doou um rim ao filho.

 

Há um critério fácil para reconhecer se um verbo é intransitivo, transitivo direto ou indireto. Faça o seguinte, querido leitor: bote a mão no verbo; pare no verbo. Se ele não exigir qualquer pergunta, será intransitivo. Se exigir alguma pergunta, atente para o seguinte:

 

O verbo transitivo direto (vtd) exige as perguntas: oquê? quem?

Note:

Comprei (o quê?) uma casa na praia.

vtd

Conheci (quem?) tua namorada.

vtd

O verbo transitivo indireto (vti) exige as perguntas: dequê?,aquê?, comquê?eemquê?. Ou: dequem? aquem? comquem e emquem? . Sendo que, no primeiro dos dois últimos casos, é preciso ter cuidado, porque o complemento pode ser um adjunto adverbial de companhia.

Exemplos:

Gostei (de quê?) do seu sorriso.

(vti)

Gostei (de quem?) da sua namorada.

(vti)

Eu me referi (a quê) ao seu sorriso.

(vti)

Eu me referi (a quem?) a você

(vti)

Impliquei (com quê? com sua nova blusa.

Briguei (com quem?) com minha namorada.

(vti)

 

Ele passeou (com quem?)com a namorada, pelas ruas da orla marítima.

Nesse último exemplo, com a namoradanão é objeto, mas sim, adjunto adverbial de companhia.

           

Observação;

O objeto indireto também pode exigir as preposições por/para.

Ex.: Chorei muito porvocê, no passado.

(oi)

Trouxe este livro paravocê.

(oi)

 

ATENÇÃO:

A transitividade, ou não, de um verbo depende do contexto.

Exemplos:

Eu amo demais (verbo intransitivo).

Eu amo você (verbo transitivo direto).

O pai doou um rim ao filho (verbo transitivo direto e indireto).

“Operário doa rim, em São Paulo” (verbo transitivo direto).

 

O mesmo se diga em relação aos verbos de ligação. Não há tabelas para verbos de ligação. Um verbo pode ser, ou não, de ligação, na frase. Tudo depende do contexto.

Exemplos:

O homem anda pelas calçadas (verbo de significação: intransitivo).

O homem anda triste (verbo de ligação).

Ele está triste (verbo de ligação).

Ele está em São Paulo (verbo de significação: intransitivo).

Ele virou a mesa (verbo de significação: transitivo direto).

Ele virou senador (verbo de ligação).

Relacionadas