domingo, 25 de outubro de 2020

Educação
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Professor Trindade ensina sobre ‘ponto e vírgula’

João Trindade / 24 de fevereiro de 2019
Foto: Arquivo
Curso Prático de Português, em 22 lições

Lição nº 8: PONTUAÇÃO (II) – Emprego do ponto-e-vírgula e demais sinais

São poucas as “regras” relativas ao uso do ponto-e-vírgula. Na verdade, aprende-se o uso desse sinal praticando a leitura; principalmente a leitura em voz alta.

O ponto-e-vírgula é uma pausa um pouco longa (maior do que a da vírgula e menor do que a do ponto) e que representa continuidade de pensamento. Ou seja: você dá uma pausa um tanto longa, mas continua o mesmo pensamento, como no exemplo:

Aqueles que não leem pagam caro a certa altura da vida; infelizmente, só muito tarde é que vão perceber isso.

Usa-se o ponto-e-vírgula:

1.Para separar, num período, orações da mesma natureza, que tenham certa extensão:

“Os dois primeiros alvitres foram desprezados por impraticáveis; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito tão alto.”

2.Para separar partes de um período já dividido por vírgulas:

“O incêndio é a mais impaciente das catástrofes; a explosão, a mais impulsiva e lacônica; o abalroamento, a mais colérica; a inundação, a mais feminina e majestosa.”

3. Para separar os diversos itens de enunciados enumerativos (em leis, decretos, regulamentos, portarias, etc.).

Tomemos como exemplo o título I (Dos Princípios Fundamentais) da Constituição da República Federativa do Brasil:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e o Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;

II – a cidadania;

III – a dignidade da pessoa humana;

IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V – o pluralismo político.

(...).”

EMPREGO DOS DOIS-PONTOS

Os dois pontos indicam, na escrita, uma suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída (Celso Cunha – adaptado). Empregam-se para anunciar:

1. Uma citação: Desabafa o homem: “Que sina a minha!”.

2. Uma enumeração explicativa: “De vez em quando, o olhar distraído se fixa num ponto da cidade baixa: as casas vazias, quase destruídas, a estação, o Porto do Capim...”.

3. Um esclarecimento, uma conclusão, uma síntese ou uma consequência do que foi dito:

Teve uma ideia brilhante: levar os alunos ao circo para explicar o que é cultura popular.

Não és apenas uma mulher bonita: és, simplesmente, a mais bela do lugar.

“A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.” (Ruy Barbosa, citado por Celso Cunha).

EMPREGO DO PONTO FINAL

Usa-se o ponto final para denotar uma pausa longa de encerramento de períodos que não sejam exclamativos ou interrogativos diretos:

a) Nunca mais pude esquecer aquela moça.

b) Nunca mais pude esquecer aquela moça, porque ela me feriu profundamente com o seu desprezo.

EMPREGO DO PONTO DE INTERROGAÇÃO

Usa-se o ponto de interrogação:

a) Nas orações interrogativas diretas: Afinal, por que estou triste?

b) Nos diálogos; sozinho ou acompanhado de outro sinal: - Conheceu gente pior do aquele homem?!

EMPREGO DAS RETICÊNCIAS

Usam-se para denotar hesitação, interrupção do pensamento:

“Sei não... sei não... a vida tem sempre razão.” (Vinícius de Moraes)

EMPREGO DO TRAVESSÃO:

Emprega-se o travessão:

1.Para iniciar discurso direto:

- Ele foi à festa?

- Não.

2. Para intercalar elementos. Nesse caso, substitui a vírgula:

Castro Alves – poeta baiano – é uma das glórias do nosso país.

3. Para destacar, na frase, um elemento:

Disso não duvidem amigos: Aquele rapaz – desonesto como é – não hesitará em nos enganar.

EMPREGO DAS ASPAS

Usam-se para transcrever expressões (geralmente de outrem):

a) Disse Vandré: “Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim merecem nosso respeito.”

b) ressaltar expressões: É preciso destacar que certas “verdades” não devem ser ditas.

c) destacar nomes de publicações: No caderno “Cotidiano”, da “Folha de São Paulo”, encontram-se crônicas de Danuza Leão.

d) destacar gírias: Na verdade, ele estava a fim de uma “grana”.

e) expressar pensamento irônico: Aquele “respeitável” governante já fora preso várias vezes.

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