quinta, 26 de novembro de 2020

Educação
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Presidente ou presidenta? A explicação na coluna do professor João Trindade

João Trindade / 14 de agosto de 2016
Foto: Arquivo
A MINISTRA SE ENGANOU!...

Não se houve bem a futura presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia.

Respondendo a uma indagação do ministro Levandowski, ela sugeriu ser a única forma correta “presidente”.

Na verdade, a magistrada não disse, literalmente, mas ficou claro o deboche em relação ao termo presidenta quando afirmou:

“Eu fui estudante e sou amante da Língua portuguesa. O cargo é de presidente”.

Ao usar, propositadamente, os substantivos estudante e amante (comuns de dois gêneros), a presidente fez chacota, aludindo, subliminarmente, a um argumento ridículo de leigos – espalhado pelas redes sociais – que usam o “termo” “estudanta”, para debochar da forma presidenta.

Pois saiba, senhora ministra, que presidenta existe, sim!...

Ocorre que os substantivos terminados em “nte” muito geralmente são uniformes; porém, há algumas variações. É o caso de elefanta (feminino de elefante); infanta (feminino de infante) e presidenta (feminino de presidente). (Cf. Celso Cunha: Gramática da Língua Portuguesa. Fename, 1976. P.205).

Na verdade, o feminino de presidente pode ser presidente ou presidenta; apenas o segundo não era usual no Brasil, até a chegada da presidenta Dilma.

É lamentável que uma pessoa tão culta e tão preparada como é Cármen Lúcia tenha escorregado, em relação à língua-padrão. E o pior: usando argumento de leigos.

DE OLHO NA LÍNGUA...

O plural de modéstia

Você já ouviu falar em plural de modéstia? Está um pouco fora de moda, mas existe; eu, por exemplo, uso sempre; sobretudo, na sala de aula.

O que é plural de modéstia e qual a função?

O plural de modéstia ocorre quando você, mesmo se referindo apenas à sua pessoa, usa o verbo no plural (pessoa nós). Por exemplo: o professor chega à sala de aula e diz:

- Pessoal, nós somos o primeiro professor a abordar essa temática em livro.

Esse tipo de construção, outrora muito usada por advogados, professores, na comunicação com auditório, tem a finalidade de abrandar o discurso e fazer com que a pessoa não pareça pernóstica e antipática. Certamente, é bem mais agradável do que dizer:

- Pessoal, eu sou o primeiro professor (...)

O uso da primeira pessoa do singular geralmente soa agressivo.

É interessante ressaltar que quando na construção houver predicativo, mesmo sendo uma só pessoa que fala, pode-se colocar o pronome no plural, mas o predicativo no singular:

- Pessoal, nós chegamos atrasado hoje, porque (...)

De minha parte, prefiro colocar o predicativo também no plural:

- Nós chegamos atrasados, porque (...).

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