domingo, 25 de outubro de 2020

Educação
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Especialistas discordam da nova base da educação

Rammom Monte / 07 de abril de 2017
Foto: Ilustração Correio
O Ministério da Educação anunciou nesta quinta-feira (6) a nova Base Nacional Comum Curricular que determina, entre outras coisas, que até o 2º ano do ensino fundamental, geralmente aos 7 anos, os estudantes deverão ser capazes de ler e escrever. Além disto, aprenderão conteúdos de estatística e probabilidade. Mas para o professor e diretor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, Wilson Aragão, não adianta aplicar uma medida sem dar condições para cumpri-la.

“Neste caso especifico é um retrocesso. Antes era até o terceiro ano e agora até o segundo. Menos tempo, mas e a formação dos professores? Estão investindo? Tem que analisar, como formar melhores professores, como aumentar os salários e estimular os profissionais. Não adianta baixar o limite e não dá condições”, explicou.

Segundo o professor, enquanto o Brasil coloca até o 2º ano do Ensino Fundamental (em média aos 7 anos de idade) como limite, outros países partem deste patamar.

“Os países que tem melhor educação do mundo, como a Finlândia, por exemplo, eles começam a alfabetização a partir dos 7 anos. Aqui é até os 7 anos. E lá eles estão ensinando três idiomas. Na Índia, por exemplo, não tem estrutura nas escolas, não tem conforto, mas eles ensinam em três idiomas. Português e matemática são decisivos na vida do estudante”, afirmou.

Por fim, o professor disse que o que está acontecendo no Brasil é uma espécie de tentativa de separação para a educação dos ricos e dos pobres.

“O que está ocorrendo no Brasil é um processo de uma criação de uma certa dualidade. Os filhos da classe alta em suas escolas têm certo padrão alto de qualidade, estudam mais de um idioma. Já para os da baixa renda, o governo está querendo voltar aquela ideia de estudar só até o ensino médio ou fazer alguns cursos de menores salários. Veja a propaganda da reforma do Ensino Médio que o governo federal está veiculando, nenhum dos estudantes fala que quer fazer medicina, direito, engenharia, são só os cursos de baixa renumeração financeira. Este projeto de separar a educação está ocorrendo neste governo”, finalizou.



 

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