terça, 19 de janeiro de 2021

Educação
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Mulheres representam quase o dobro de homens no ensino superior

Katiana Ramos / 14 de janeiro de 2017
Foto: Rafael Passos
Após trabalhar o dia inteiro em uma loja, no Centro de João Pessoa, Rayana de Andrade parte para o terceiro turno em uma faculdade, onde faz Ciências Contábeis. Priorizar os estudos sempre esteve nos planos da vendedora e sinaliza uma realidade na Paraíba. Em 2015, 101 mil mulheres estavam matriculadas no ensino superior. Dezenove mil alunas a mais do que o registrado em 2014. Os dados são da Pesquisa por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada recentemente.

Conforme o estudo, o total de mulheres que cursavam uma graduação em 2015 foi quase o dobro do que a matrícula de homens, que somou 62 mil registros. Para dar conta dos afazeres da faculdade, a vendedora e estudante de Contabilidade deixa o cansaço do trabalho de lado e estuda na madrugada. “O tempo que eu tenho para estudar é só a noite, quando chego em casa. Fico de meia-noite até 2h, 3h da manhã estudando. Às9h15 já tenho que estar na loja”, revelou Rayana de Andrade, que futuramente quer atuar como contadora.

Na análise do mestre em Administração e coordenador-geral da pós-graduação da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), Martins Silva, o empenho das mulheres em ingressar no ensino superior e dar continuidade aos estudos são sinais importantes do avanço da participação feminina na sociedade e no mercado de trabalho.

“Estamos falando de uma sociedade ocidental construída em cima de padrões onde a mulher não tinha um papel ativo, era escanteada. Então, essas pesquisas mostram uma evolução, porque o quadro já foi bem pior. Ainda temos que melhorar essa realidade e a qualificação cada vez mais forte das mulheres contribui para essa mudança”, disse o professor.

Faixa etária. Aos 24 anos, Rayana de Andrade já possui o curso de tecnóloga em Logística e é exatamente nessa faixa etária onde está a maior parte das mulheres que frequentam um curso superior na Paraíba. Segundo a Pnad, são 37 mil alunas, na faixa etária dos 20 aos 24 anos. Na sequência (30 mil), aparecem as mulheres no grupo etário de 30 anos ou mais de idade.

“Até o começo da globalização, nós tínhamos aquela mulher que era dona de casa, educada para casar e cuidar da família. Pouquíssimas participavam do processo operacional do mercado de trabalho. Hoje, o cenário é outro e as mulheres estão cada vez mais buscando a qualificação, fazendo pós-graduação, se empenhando para galgar espaço no mundo do trabalho. Embora, muitas não sejam remuneradas a altura para isso”, reforçou o professor.

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