quinta, 04 de março de 2021

Educação
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Informação é o melhor caminho para fim do bullying

Rammom Monte / 12 de novembro de 2015
Foto: Assuero Lima
A presidente da República, Dilma Rouseff, sancionou na segunda-feira (09) a lei que cria o programa de combate em todo país. No texto, que foi divulgado no Diário Oficial da União de ontem, fica determinado que escolas, clubes e agremiações recreativas desenvolvam medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying. A lei entra em vigor em 90 dias. Para a promotora da Infância e Juventude, Soraya Escorel, a lei irá ajudar ainda mais no combate a este tipo de ação. Mas segundo ela, apenas isto não será suficiente.

“É importante a lei, mas se não tiver a consciência e a informação de que exista essa lei, não vai adiantar. O mais importante é existirem na prática decisões para ratificar esta lei. O que importa é trabalhar na prevenção, para que não precise nem ter leis. É preciso que aja um trabalho de prevenção”, disse.

Segundo a promotora, caso seja identificada este tipo de ação, há várias maneiras para o adolescente ou a própria família denunciar. Mas, para ela, a melhor solução é tentar uma medida restaurativa.

“Caso haja suspeitas de bullying, a vítima ou a família pode denunciar de várias maneiras, como através do Disque 100, em que não há identificação ou ainda o adolescente pode fazer a denúncia direto ao Conselho Tutelar ou Ministério Público. Ainda há a opção de procurar a delegacia da infância, caso haja uma agressão física, por exemplo. Porém, mais do que a punição, é melhor conscientizar quem está praticando e até mesmo quem está sofrendo, já que muitas das vezes os papeis se invertem, e a pessoa passa de vítima para agressor. Muitas vezes o agressor não tem noção do mal que está fazendo”, explicou.

Para a promotora, é preciso ter bastante cuidado quando se trata de bullying, já que muitas vezes o agressor confunde o que está fazendo com brincadeira. Para ela, é difícil estabelecer uma diferença clara, mas há uma forma simples de tentar diferenciar.

“De maneira subjetiva é complicado diferenciar. Mas eu costumo dizer que quando todos estão se divertindo, é brincadeira. Se alguém se sentir ofendido ou estiver sofrendo, já passa a ser bullying, por mais que o agressor não perceba. É uma diferença bem sutil”, afirmou.

Na Paraíba, alguns casos de bullying tomaram grande repercussão. Um dos mais noticiados aconteceu em 2007, em um colégio particular da capital. Na ocasião, a vítima chegou a fazer ameaças anônimas de ataque ao colégio em que estudava. Segundo a promotora, hoje em dia, está mais fácil coibir o bullying e o ciberbullying (quando o crime é cometido na internet) e que a Paraíba tem um forte trabalho de prevenção.

“Hoje já existem mecanismo de identificar o ciberbullying. Já existem técnicas que tem como identificar os agressores, mas às vezes pode demorar. Muito tempo na Paraíba já vem sendo feito este tipo de trabalho de prevenção, levando a discussão para a escola, não só com professores, mas com a família e com os adolescentes e tem um efeito muito bom Isso é um trabalho de prevenção que tem ajudado bastante”, finalizou.

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