terça, 13 de novembro de 2018
Educação
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Feras buscam conhecimento no mundo digital

Lucilene Meireles / 06 de outubro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Em um mundo cada vez mais digital, o quadro de giz se torna cada vez menos essencial. Há um mês das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além do conteúdo visto em sala de aula e dos cursinhos, a tecnologia dos aplicativos pode incrementar essa fase final de preparação, facilitando a vida de quem quer entrar na universidade. São diversas opções disponíveis com planos de estudos personalizados, provas de exames anteriores, simulados, testes, aulas on-line e avaliações. Para os alunos, ter o material na palma da mão é um suporte valioso na preparação para o Enem. Especialistas em educação e professores aprovam o método, mas afirmam que isso não substitui um cursinho, nem a presença do ‘mestre’.

Luiz de Sousa Júnior, especialista em educação, acredita que os cursinhos devem, inclusive, começar a utilizar mais fortemente estas plataformas e os alunos, por outro lado, poderão gerir o tempo de estudo. “As informações hoje estão disponíveis, mas é preciso ter mais interação com os colegas e professores para debater a informação, buscando a compreensão e a contextualização dos fatos. Minha preocupação é que, às vezes, se toma uma informação como dado completo quando aquilo é uma base para buscar mais aprofundamento. Se prender em determinada linha não permite que se abram os horizontes do conhecimento. Tudo tem que ser combinado com o debate presencial”, ressaltou.

“A tendência é haver cada vez mais interação entre as tecnologias e os elementos presenciais, mas não a substituição. É um processo natural e os alunos estão buscando esses mecanismos. A ideia é dar mais flexibilidade e eles terão mais autonomia para o tempo que achar necessário, o dia e a hora de estudo. É uma tendência praticamente determinada. Acredito que as escolas e os sistemas de ensino têm que se adaptar a esta realidade. Não vai ter como fugir disso”, afirmou Luiz de Sousa Júnior.

Para os professores, as novas tecnologias são, de fato, úteis, mas representam um complemento à forma tradicional de estudar. Maria José da Silva é professora de Inglês e acredita que esta é uma nova forma de estudar para o Enem. Ela destacou, inclusive, que o aluno pode optar por ver o mesmo assunto em várias plataformas, reforçando assim seu conhecimento. “A presença do professor é importante, mas para quem não pode pagar um cursinho, essas ferramentas trazem uma grande contribuição”, disse.

O professor de Matemática, Assiclero Lacerda, citou o PBVest, que oferta videoconferência e um professor tira dúvidas presencialmente nos aulões. “Temos provas, simulados, exercícios e até elaboramos material se o aluno não quiser usar provas de outras instituições. Mesmo assim, não acredito que a tecnologia possa substituir. É uma ferramenta a mais”.

Para estudar a disciplina, ele sugere, ainda, o site da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). “Sem dúvida, as plataformas ajudam, assim como as redes sociais, principalmente na escrita, mas a figura presente do professor traz uma troca mais efetiva e esse contato ajuda o aluno a ter mais argumentos. Não há fórmula mágica para a redação. Costumo dizer que não tem como aprender a tocar violão sem ter um violão, ou seja, tem que praticar”, declarou a professora de Língua Portuguesa, Luciana Gomes.

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Alunos encontram facilidade

Os estudantes afirmam que há, de fato, muitas opções e que isso tem ajudado a melhorar o desempenho nas provas. “Uso o Descomplica, vejo aulas aleatórias no YouTube e também o PBVest, do Governo do Estado, que tem aulas on-line e presenciais. Acredito que essas ferramentas ajudam bastante na preparação, e as dúvidas também podem ser tiradas”, declarou a concluinte do Ensino Médio, Katarina Maria Costa Medeiros, 18, que pretende cursar Arquitetura.

Para Evelyn Vaneska Figueiredo Costa, 19, que quer uma vaga para o curso de jornalismo, a escola tem incentivado os alunos. “A escola está muito dedicada. Com isso, ganhamos um estímulo. Me sinto mais preparada com o uso da tecnologia para estudar, embora ainda bata uma certa ansiedade com a proximidade das provas”, declarou.

Também concluinte do Ensino Médio, Júlia Campos, 18, faz cursinho, participa do PBVest e ainda estuda através do ‘Questões Enem’, que baixou no Google Play. “Nele, tenho a possibilidade de escolher entre temas como Ciências da Natureza e Humanas, Matemática, Espanhol, por exemplo. São 44 questões de cada matéria e é possível ver a resposta na hora. O bom é que dá para tirar as dúvidas e esclarecer assuntos escolhendo as questões por ano”. Segundo ela, a maioria dos colegas de turma utiliza algum aplicativo para estudar.

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