sábado, 23 de janeiro de 2021

Educação
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Faltam vagas nas creches de João Pessoa e pais reclamam

Lucilene Meireles / 11 de abril de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Que o número de vagas nos Centros de Referência em Educação Infantil (Creis) de João Pessoa aumentou ninguém duvida. O problema, segundo alguns pais, é que apesar da ampliação da oferta, permanece a dificuldade para conseguir matricular uma criança. Eles criticam o fato de pessoas com melhor poder aquisitivo, que levam os filhos em ‘carros de luxo’, estarem ocupando as vagas que ‘deveriam’ ser voltadas para os que não têm condições de pagar um berçário. A Prefeitura admite que as vagas são insuficientes, mas enfatiza que a educação é para todos.

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O pai de uma criança que mora no Ernesto Geisel, por exemplo, relatou à reportagem da Rádio Correio, que procurou todas as creches do bairro e não conseguiu vaga. Ele preferiu não se identificar para não sofrer discriminação, caso seja atendido em algumas delas, mas afirmou que a dificuldade é muito grande porque quem tem dinheiro está tomando a vaga dos pobres.

A coordenadora de Educação Infantil de João Pessoa, Francineide Ribeiro, confirmou que, de fato, existe uma dificuldade nesse aspecto. Ela informou que a educação infantil é um direito da criança e, para o município, fica complicado ter a vaga e negar porque a família tem uma condição melhor. De acordo com a gestora, a Prefeitura tem garantido creches em áreas de vulnerabilidade. No Geisel, por exemplo, há uma creche na Comunidade Nova República, assim como no bairro São José. Em Mangabeira, maior bairro da Capital, são 12 Creis.

“Por mais que a gente abra creche, a demanda é maior. Além disso, o carrão pode ser o carro do patrão de alguém. Sem contar que a creche é um direito da criança e, por lei, não podemos negar a vaga porque o pai tem boas condições financeiras”, afirmou.

Francineide orientou que o pai da criança que não conseguiu a vaga procure a Coordenação de Educação Infantil, da Secretaria de Educação do município para tentar localizar vaga disponível em um Crei, mesmo que seja um pouco mais distante.

Período de procura. O período para que os pais procurem as creches é nos meses de dezembro e janeiro, quando é feita a matrícula universal. Mesmo assim, durante todo o ano as matrículas são feitas, desde que existam vagas disponíveis.

“Às vezes, acontece de uma criança de seis meses a três anos, que tem uma demanda muito grande, ser matriculada, mas ela não se adapta e sai. Então, imediatamente, chamamos quem havia procurado a unidade ou crianças que vieram de conselho tutelar”, explicou a coordenadora Francineide Ribeiro.

Ela observou que, como o trabalho tem sido muito bem visto, a demanda tem sido grande. “Não sei se é por conta da realidade que vivemos no país, a crise econômica, a demanda tem sido muito maior. Quem tinha condições antes de pagar em algum lugar, tem nos procurado”, completou.

Reforma e ampliação. Nos 100 primeiros dias de gestão, o prefeito Luciano Cartaxo entregou a reforma e ampliação da Escola Municipal Dom Hélder Câmara, no bairro Valentina Figueiredo, e o Centro de Referência em Educação Infantil (Crei) Maria Auxiliadora Amaral Di Lorenzo, no Planalto da Boa Esperança, ambos dentro do novo padrão de qualidade implementado pelo governo municipal desde 2013, com a reorganização dos espaços, acessibilidade e ensino mais humanizado para as crianças e os adolescentes.

“João Pessoa está chegando à marca de 46 novas unidades, construídas e reformadas. Passamos a receber três vezes mais crianças em nossas creches em tempo integral, saltando das 4 mil matrículas para 12 mil. O número de bebês atendidos saiu de pouco mais de 250 para 1.600. Tudo isso, em unidades com alto padrão, que superam as estruturas do ensino privado, com cinco refeições por dia, salas climatizadas, berçários e lactários”, destacou o prefeito Luciano Cartaxo.

A Prefeitura de João Pessoa também entregou o novo prédio do Centro de Línguas Estrangeiras (Celest), ampliando em 50% o número de vagas para quem tem interesse em aprender um novo idioma. O quantitativo de estudantes no ensino em tempo integral triplicou no ano letivo de 2017 e os professores da rede municipal receberam aumento 20% acima do Piso Nacional da Educação.

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