sábado, 23 de janeiro de 2021

Educação
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Especialista defende que estudantes conheçam reforma antes da mudança

Bárbara Wanderley / 07 de janeiro de 2018
“É como reformar uma casa de dois quartos, e ao invés de construir um terceiro, você derruba um”. A comparação do diretor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Wilson Aragão Honorato, se refere à Reforma do Ensino Médio, aprovada em meio a polêmicas, através da Lei 13.415. Para Wilson Aragão, o Ensino Médio precisava realmente de mudanças, mas as alterações feitas deixaram tudo pior. “Sinceramente não vejo pontos positivos”, disse.

Com a reforma, o currículo escolar terá uma base fixa e comum a todas as escolas – a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – e uma parte flexível. O BNCC do Ensino Infantil e Fundamental já foi aprovador, mas a do Médio deverá ser definida ainda este mês de janeiro, para a implementação da Reforma, mas já se sabe que Língua Portuguesa e Matemática são disciplinas obrigatórias para os três anos. Na parte flexível, o aluno poderá escolher entre cinco áreas para aprofundar seus conhecimentos: Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Formação Técnica e Profissional.

O educador defende que o estudante precisa conhecer todas as possibilidades. Além disso, esses estudantes são muito jovens para definir quais áreas querem estudar. “Conheço casos de alunos que começaram a cursar Engenharia e depois mudaram para Pedagogia, ou que começaram em Medicina e mudaram para Direito”, comentou. Nesse caso, um estudante que opta por ter aulas em uma determinada área e depois resolve cursar uma graduação em outra ficaria prejudicado.

Wilson Aragão destacou que os estudantes que têm acesso ao Ensino Integral levam vantagem por poder passar mais tempo na escola adquirindo conhecimento, além de ficarem longe dos perigos das ruas, no caso dos que vivem em situação de vulnerabilidade. “Mas e os que não conseguirem ficar na escola integral?”, questiona.

Ele citou ainda, o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

“Quem vai financiar a reforma? Conseguimos chegar ao sexto lugar em economia no mundo, mas só conseguimos chegar ao 17º em educação. Isso porque falta investimento”, questionou Wilson Aragão.

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