sábado, 16 de janeiro de 2021

Educação
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Enem: mais de 73% dos que obtiveram nota maior que 600 são das classes ‘A’ e ‘B’

Rammom Monte com assessoria / 06 de maio de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (7) pelo Mundo Vestibular, portal de referência em Educação, apontou o impacto da desigualdade social nos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Outro dado levantado leva em conta se os estudantes vêm de escolas públicas ou privadas. A diferença não é tão gritante entre os melhores resultados, com 56% das privadas contra 44% das públicas. Porém, a desigualdade se torna alarmante entre as notas mais baixas, uma vez que 94% de todos que fizeram menos de 450 pontos cursaram o ensino médio em escolas estaduais ou municipais.

Para o professor e especialista em educação, Wilson Aragão, os números refletem bem as condições dos estudantes. Segundo ele, os dados apontam “claramente a questão da desigualdade social”. “Estes dados mostram claramente a desigualdade social existente em nosso país. Alguns tem todas as condições para estudar, têm que se preocupar apenas com isto, enquanto outros precisam conciliar o estudo com uma série de outros fatores, como o trabalho, por exemplo,” explicou.

O levantamento também levou em consideração o número de estudantes que precisam trabalhar e estudar. De todos aqueles que fizeram mais de 600 pontos, apenas 32% já passaram pelo mercado de trabalho, índice que sobe para 52% entre os que tiraram menos de 450.

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Para o professor Wilson, a necessidade de investir em educação é algo latente. Ele demonstra que, por exemplo, o montante gasto em presídios é bem maior do que o investido no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“É preciso pensar como pode ser investir na universidade ou educação básica para dar uma educação de qualidade. A sociedade tem que pensar no valor do Fundeb, que é proporcionalmente muito abaixo do fundo prisional. Se investe-se mais em educação certamente vai se investir menos nos presídios. É necessário investir mais na educação daqueles que fazem parte da população”, afirmou.

Educação: privilégio de alguns, necessidade de todos

Para o professor, um grande problema do brasileiro é não enxergar a educação como necessidade para toda a população. Segundo ele, no Brasil se coloca sempre a família em primeiro lugar, esquecendo-se do contexto de sociedade. Para ele, o atual modelo perpetua a desigualdade social, a partir do momento que coloca alguns agentes da sociedade no papel de “mandantes” e outros no local de “mandados”.

“Os filhos das classes mais abastadas estão tendo a condição de se dedicarem apenas a isto, enquanto os menos favorecidos não. Uns estão sendo preparados para saber mais e outros para saber menos, uns para mandar e o outro para obedecer. Para o país seria melhor o investimento de qualidade, como feito na Coréia do Sul, França... uma busca da educação boa para todo mundo. Assim quem cresce é o país e não só as famílias. No Brasil, e principalmente no Nordeste, algumas famílias detêm os poderes. Desta maneira, só reforça essa estrutura de sociedade que está ai, uns vão saber mais e outro menos”, explicou.

Futuro é incerto

Para o professor, o caminho a se seguir até que se chegue ao ideal ainda é muito longo e lento e não há perspectiva de melhoras.

“É um processo muito lento, não é uma mudança a curto prazo, não tenho expectativa de melhora. Nós tivemos nos últimos 10 anos uma ampliação da quantidade, falta investir na qualidade”, finalizou.

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