domingo, 17 de janeiro de 2021

Educação
Compartilhar:

Dia Mundial da Alfabetização: Paraíba tem 219 mil analfabetos com mais de 60 anos

Bruna Vieira / 08 de setembro de 2015
Foto: Arquivo
Nem a idade, nem a diabetes impediram dona Severina Maria da Conceição de realizar um sonho: aprender a ler. Aos 77 anos, ela resgatou a autoestima através da leitura, quando encontrou a professora aposentada Augusta Pereira Pacífico, que se prontificou a ensinar o universo das letras para a colega. As duas são um exemplo de que nunca é tarde para aprender. Hoje é o Dia Mundial da Alfabetização e a maior parte dos analfabetos na Paraíba estão na faixa acima dos 60 anos: 219 mil, segundo o IBGE.

Severina trabalhou na roça toda a vida e criou a filha com seu trabalho, mas  fez questão de matriculá-la na escola. Com três netos e quatro bisnetos, ela explica porque não conseguiu estudar: “Passei pouco tempo na escola, tinha que ir para a aula à noite e no outro dia às 4h da manhã ir trabalhar. Era tudo muito difícil naquele tempo. Eu gostava da lavoura, achava bonito plantar e ver nascer e colher”.

Mas a vida se tornou difícil para dona Severina: “Eu não podia nem receber as correspondências, pois tinha que assinar e eu não sabia. Entrava nas lojas, mas nem sabia o que estava escrito nas placas”. Em três meses de estudo, ela já consegue ler frase, reescrever, assinar o nome e entender algumas regras gramaticais.

Favor não, direito

A gerente-executiva de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação, Maria Oliveira, disse que mais de 80 mil foram atendidos este ano pela Seduc nos ciclos de alfabetização. “Alfabetizar não é um favor que o governo faz, é direito dessas pessoas”.

Uma vez mestra...

As duas senhoras se conheceram no Grupo Casa da Harmonia, que desenvolve diversas formas de terapia para resgate da auto-estima dos idosos. Aos 85 anos, dona Augusta convive com a leucemia. Superação dos dois lados, pois ela decidiu ensinar a colega a ler e escrever, mesmo afastada há 33 anos das salas de aula. “Eu pensava que nem tinha mais paciência para ensinar, mas temos que repartir o que sabemos”, disse a ex-professora.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

 

Relacionadas