sábado, 16 de fevereiro de 2019
Educação
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Cresce número de negros sem escolaridade

Beto Pessoa / 19 de maio de 2018
Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas
Passo inicial para a conquista da cidadania, o acesso à educação ainda é uma barreira em alguns grupos populacionais. Segundo dados divulgados nessa sexta (18) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), entre 2016 e 2017 cresceu em 4,3% o número de pretos e pardos sem saber ler ou escrever na Paraíba, enquanto diminuiu em 2,2% o número de brancos analfabetos.

Na avaliação da educadora e coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), Samara Wanderlay Xavier, esse cenário demonstra que a população preta ou parda ainda está atrás no que diz respeito a educação básica no estado. “Por mais que tenhamos, nos últimos anos, investido no acesso dessa população ao ensino superior, com as cotas raciais, ainda notamos certa dificuldade dessas pessoas permanecerem na escola. Sem conseguir estar nesses espaços, nós continuaremos com o cenário de exclusão social das pessoas negras”, disse.

Em números absolutos, em 2016 a Paraíba tinha 372 mil pretos ou pardos acima dos 15 anos sem saber ler ou escrever, número que saltou para 388 mil no ano seguinte. No mesmo período, o volume de brancos analfabetos caiu de 132 mil para 129 mil, balança desigual que reforça a falta de investimentos na educação da população paraibana.

“É preciso que se invista em políticas de permanência nas escolas, que essas crianças e adolescentes sigam nas escolas. Um grande diagnóstico, mostrando esses dados e apontando esses obstáculos, podem ajudar a mudar a realidade da população negra do país e da Paraíba”, disse a especialista em Educação, Samara Xavier.

Acima da média

A taxa de analfabetismo da Paraíba ficou acima da média do Nordeste. Enquanto a região registrou 14,5% da população acima de 15 anos sem saber ler ou escrever, o estado teve 16,5% da sua população analfabeta. O percentual, entretanto, é considerado estável no comparativo entre 2016 e 2017, segundo o IBGE.

Além dos dados negativos da educação da população preta ou parda, a PNAD Contínua mostrou também que aumentou a proporção dos jovens paraibanos ‘nem-nem’, que nem estudam nem trabalham. Em 2016, esta taxa era de 25,7% da população, saltando para 26,9% no ano seguinte, aumento também constatado na região Nordeste, que no mesmo período saltou de 27,2% para 29,3%.

Repostas 

O CORREIO procurou a Secretaria de Estado da Educação (SES) para repercutir a pesquisa, mas não conseguiu contato, até o fechamento desta edição. Como a atribuição de alfabetizar é dos municípios, a reportagem ouviu o ex-prefeito da cidade de Pedra Lavrada, Tota Guedes, atual presidente da Federação dos Municípios (Famup). Segundo ele, o interesse dos gestores é ter o máximo possível de alunos em sala de aula, porque isso repercute nas arrecadações do município. "Quanto mais alunos, maior o repasse do Fundeb, que vai ajudar a gerir despesas como pagamento de professores, por exemplo. Agora temos orientado que, não basta criar vagas nas escolas. É preciso investir em políticas que façam com que o aluno permaneça na sala de aula, como oferece uma boa merenda e capacitar os professores", disse.

TAXAS. POPULAÇÃO PARAIBANA 

Instrução 























































































Nível20162017
Sem instrução14,7%13,8%
Fundamental incompleto ou equivalente40,6%39,6%
Fundamental completo ou equivalente6,2%6,2%
Médio incompleto ou equivalente4%4,2%
Médio completo ou equivalente20,3%20,4%
Superior incompleto ou equivalente2,9%3,1%
Superior completo11,4%12,7%


 

Estudantes por curso freqüentado

 





























































































































































Nível20162017
Creche e pré-escola (privada)35,7%39,7%
Creche e pré-escola (pública)64,3%60,3%
AJA, ensino fundamental e educação de jovens e adultos do ensino fundamental (privada)17,7%18,5%
AJA, ensino fundamental e educação de jovens e adultos do ensino fundamental (pública)82,3%81,5%
Ensino Fundamental (privada)18,7%19,5%
Ensino Fundamental (pública)81,3%80,5%
Ensino médio e Educação de jovens e adultos do ensino médio (privado)15,9%%10,9%
Ensino médio e Educação de jovens e adultos do ensino médio (público)84,1%89,1%
Ensino Médio (privado)16,9%11,7%
Ensino Médio (público)83,1%88,3%
Superior – Graduação (privada)49,7%59%
Superior – Graduação (pública)50,3%41%
Especialização, mestrado e doutorado (privado)59%65%
Especialização, mestrado e doutorado (público)41%35%


*Fonte: PNAD Contínua/IBGE

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