segunda, 21 de maio de 2018
Educação
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Cooperativismo abre as portas para a educação na PB

Katiana Ramos / 15 de Fevereiro de 2018
Foto: Assuero Lima
Promover o acesso a uma educação de qualidade sempre foi o principal objetivo da Cooperativa Cultural Universitária da Paraíba (Codisma). Criada em 1962, a cooperativa do ramo educacional mais antiga do Estado, que começou com a revenda de livros acadêmicos para alunos dos cursos de Direito, Engenharia e Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é hoje uma das principais escolas para quem quer aprender um novo idioma, atividades artísticas ou até mesmo cursos profissionalizantes. Vale o que a comunidade pedir.

Acompanhar o desenvolvimento social e as demandas dos alunos, conciliando educação de qualidade a preço justo, é uma das ações que faz com que as cooperativas educacionais se consolidem no mercado brasileiro. São mais de 300 cooperativas desse ramo em todo o país e mais de 60 mil associados, segundo o último levantamento realizado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“Nós vivemos em uma época em que o estudo passa a ser um privilégio e é seletivo. Temos aqui muitos estudantes carentes, oferecemos também bolsas para aqueles que não podem pagar e temos alunos da própria universidade. Nossos alunos são pessoas que não podem pagar um curso de idiomas dessas escolas de rede de franquias. Mas os estudantes da Codisma não ficam para trás. Aprendem e saem daqui falando o idioma o qual se propuseram aprender”, destacou o presidente da Codisma, Sebastião Geriz.

“As cooperativas de educação vem para suprir essa necessidade dos alunos e pais terem uma educação de qualidade e sem pagar muito caro por isso. É um modelo de altamente viável para esse nicho, tanto que a Codisma está aí para provar, com mais de 50 anos de existência”, reforçou o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo na Paraíba (Sescoop-PB), Pedro Albuquerque.

Com a necessidade de aprender a língua espanhola por conta do trabalho, a advogada Mônica Oliveira conheceu, por acaso, os cursos de idiomas da Codisma e decidiu se matricular. Para quem já freqüentou cursinhos particulares, ela revela que tem se surpreendido com o resultado das aulas. “Está sendo uma experiência maravilhosa porque o custo é relativamente baixo, se for comparar com outras escolas de idiomas, e a qualidade é excelente. Percebo que em pouquíssimo tempo eu consegui desenvolver bem o aprendizado. Os professores são especializados e as aulas são bem dinâmicas”, frisou a aluna.

 

Escola que trabalha cidadania e participação da família

Com 25 anos de fundação o Sesquicentenário é, atualmente, a escola pública da rede estadual que melhor se destaca na Paraíba nas avaliações do Ministério da Educação e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O modelo adotado para gerir a escola gera mais participação da família no desenvolvimento dos alunos e possibilita ensino de qualidade com atividades interdisciplinares.

“Temos o diferencial de projetos na escola nos quais pais, alunos e professores podem desenvolver juntos, como projetos na área de educação física, leitura, recreação – para os mais novos – com o resgate de brincadeiras antigas. Além disso, nós contribuímos para a estrutura pedagógica da escola, com assessores pedagógicos e diretor de apoio em todas as séries, o que não se vê nas outras escolas estaduais”, detalhou o diretor-presidente da Cooperativa Sesquicentenário, José Etham Barbosa.

A escola conta com 455 pais cooperados cujos filhos somam 30% dos alunos da escola. A Cooperativa do Sesquicentenário contribui com cerca de R$ 21 mil por mês para a unidade de ensino. O fundo beneficia diretamente os cerca de 2.100 alunos da escola, entre filhos de cooperados e estudantes carentes da comunidade. “A cooperativa leva também a cidadania para a escola. Nós conseguimos agregar pais de diversos níveis sociais e não visamos o lucro porque todo dinheiro arrecadado é em prol do desenvolvimento da escola e do melhor aprendizado dos nossos filhos e dos demais alunos”, frisou Etham Barbosa.

O superintendente da Sescoop-PB, Pedro Albuquerque, lembrou ainda que nas cooperativas de educação os pais podem participar também doando a mão de obra, conforme a qualificação de cada um, o que também contribui para a sobrevivência das iniciativas.

“A experiência do Sesquicentenário mostra o quanto um modelo como esse é importante para a educação pública na Paraíba. Em uma cooperativa como essa o professor é cobrado pelos pais quanto à qualidade do ensino e esses pais também ajudam a escola pública a ter um padrão de qualidade, seja contribuindo para melhorias na infraestrutura ou até mesmo nos projetos pedagógicos. Além disso, há uma participação mais efetiva dos pais na vida escolar dos filhos”, pontuou.

 

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