terça, 13 de abril de 2021

Educação
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Confira a Coluna Língua e Linguagem do professor Trindade desta semana

João Trindade / 24 de setembro de 2017
Foto: Reprodução
1.CONCORDÂNCIA DO VERBO SER

Na concordância do verbo ser, quando o sujeito e o predicativo forem substantivos, pessoa ganha de coisa; substantivo próprio ganha do comum; concreto ganha do abstrato; pronome pessoal ganha do substantivo e pronome não pessoal perde para o substantivo.

Então, observe a maneira correta de falar (e escrever):



  • O homem (pessoa) é cinzas (coisa).


  • Por acaso, Dr. Romildo (próprio) é, na empresa, muitos presidentes (comum)?


  • O neto (concreto) era as alegrias (abstrato) do avô.


  • O poeta (substantivo) aqui sou eu (pronome pessoal).


  • Nem tudo (pronome não pessoal) sãoflores (substantivo) na vida.




ATENÇÃO:

Esta é a construção correta.

Alguns professores, porém, afirmam, em sala, que muitos gramáticos dizem estarem corretas duas construções: “Nem tudo são flores na vida” ou “Nem tudo é flores (...)”.

Os gramáticos nunca afirmaram isso. O que os eles dizem é que a construção correta é “Nem tudo são flores na vida”, mas costumam-se encontrar, nos clássicos, exemplos em contrário, o que é bem diferente de afirmar que ambos estão corretos.

 

Observação:

No caso de empate, o verbo ser deve ir para o plural. Aliás, na dúvida, prefira o plural, porque este casa melhor com o verbo em questão.

NA INDICAÇÃO DE DATAS

Quando usarmos o verbo ser, na indicação de datas, seguiremos o seguinte critério:

Senãohouverapalavradia, o verbo concordará com o numeral da data; havendo a palavra dia, o verbo ficará no singular.

Exemplos:

Hoje são 19.

Amanhã serão vinte.

Ontem foram 18.

Hoje é primeiro.

Hoje é dia primeiro.

Hoje são dois.

Hoje é dia dois



  1. USO DA VÍRGULA (I)




Não se separam por vírgula:

O sujeito do verbo; o verbo do objeto; o nome do complemento nominal; o nome do adjunto adnominal; o nome do aposto especificativo.

Exemplos:

A vida daqueles homens, estava em perigo (não deve haver vírgula depois da palavra homens, porque a vida daqueles homens é sujeito de estava).

Ele esperava, que a mulher fosse embora. (Não deve haver vírgula depois de esperava, porque a oração quea mulher fosse embora é objeto direto de esperava).

Ele tinha receio, de que ela voltasse. (Não deve haver vírgula depois de receio, porque a oração de que ela voltasse é complemento nominal de receio).

O povo, de Campina Grande, é hospitaleiro. (Não deve haver vírgula isolando a expressão deCampinaGrande, porque ela é adjunto adnominal de povo).

A cidade, de Campina Grande, tem um bom São João. (Não deve haver vírgula isolando a expressão deCampinaGrande, porque esta é um aposto especificativo).

Observe a frase:

O homem de barba pedia à mulher que esquecesse o nome daquela garota ruiva.

Viu? Não há uma só vírgula. Vírgula é pausa, mas nem toda pausa é vírgula.

A Vírgula, nas orações coordenadas, deve ser colocada antes da conjunção; e não, depois.

Exemplos:

Eu iria ao cinema, mas não fui.

(Note que a vírgula não é depois do mas; e sim, antes).

Não vá à festa, pois haverá confusão.

Somente se admite a vírgula depois do conectivo, quando há um elemento intercalado. Nesse caso, a vírgula não é devido à conjunção; e sim, ao termo intercalado.

Exemplo:

Iria ao cinema, mas, porfaltadetempo, não fui.

VÍRGULA (II)

Nas orações coordenadas ligadas por e, devemos observar o seguinte:

Se os sujeitos das orações forem diferentes, haverá a vírgula; caso contrário (as orações têm o mesmo sujeito), não haverá vírgula.

Note:

O homem beijou a mulher e saiu (um só sujeito: o homem).

O homem deixou a mulher no shopping, e ela foi fazer compras (sujeitos

diferentes).

É raro haver vírgula depois de e eque (mas como o pessoal coloca!). Só haverá vírgula depois de eeque se houver intercalação.

Exemplo:

O réu admitiu que chegou a apontar a arma para a vítima (não há vírgula após o quê).

O réu admitiu que, aochegara casa, apontou a arma para a vítima.

O réu apontou a arma para a vítima, disse-lhe uns palavrões e saiu.

O réu apontou a arma para a vítima, disse-lhe uns palavrões e, quandosaíadolocal, atirou.

O réu deu um soco na vítima, e, mesmoestandoferida, ela reagiu.

O réu apontou a arma para a vítima, que, mesmoferida, reagiu.

3.APÓS DOIS PONTOS: LETRA MAIÚSCULA OU MINÚSCULA?

É simples. Se a oração que vem após os dois pontos está no mesmo período (dá uma continuidade de pensamento), começará com letra minúscula; se iniciar novoperíodo, usa-se letra maiúscula.

Exemplo:

No trânsito, tudo era caos: batidas, engarrafamentos, carros destruídos... Enfim, um inferno!

Após várias derrotas, o homem desabafa: “Que sina esta minha!...”

ATENÇÃO:

É possível, num período, haver dois pontos seguidos de dois pontos, como no seguinte exemplo de Ruy Barbosa:

“A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.”

4.HÁ VÍRGULA, OU NÃO, ANTES DA EXPRESSÃO ETC.?

O vocábulo etc. é derivado da expressão latina “etCetera” e significa “e o resto”; e outras coisas. No entanto, deve-secolocar vírgula, antes de etc. sim, já que ao usarmos tal abreviatura nãoestamosescrevendoa expressão“et Cetera”, que contém o et (= e); estaremos usando uma  abreviatura danossalíngua; uma novaexpressão, independente da latina.

Conosco, Celso Cunha, Adriano da Gama Kury, entre outros.

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