segunda, 23 de novembro de 2020

Educação
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“As cigarras de Jaguaribe” é o título da nova coluna do professor Trindade

João Trindade / 21 de agosto de 2016
Foto: Arquivo
AS CIGARRAS DE JAGUARIBE

Nunca mais passarei ali, por detrás da Escola Técnica, próximo à Cagepa. A melancolia não me permite aceitar a ausência do canto das cigarras, que grassava, na década de 70.

Que saudade delas, e... ai como era bom!

Como era bom passar, logo cedo, bolsa a tiracolo, para o Estadual de Jaguaribe.

Jaguaribe... Esse nome tem todo um significado para mim. Foi lá que tudo começou... Jaguaribe é metonímia do meu grande amor por João Pessoa.

Ah, “célebres” tardes de férias (quando ainda morava em Patos) na casa de “seu” Paulo Jerônimo. Companhias de Paulino, Pedro, Geraldo, Antônio, (esses, irmãos), Luís Carlos... Um pouco mais à frente, eu já morando aqui, Tiririca, Sérgio, Ricardo, Wálter, Manguito, Lincoln, Soutinho, Plínio e tantos outros.

No colégio, Geraldo Gomes, Geraldo Pantera (grande enxadrista), Walberto (fanático torcedor do Botafogo do Rio), Wálter Galvão, Wálter Licínio...

Tardes de times de botão; tardes em que conheci abacate. Tardes em que sonhei, fui artista, ao lado dos colegas, a quem mostrava minhas músicas, com as quais chorava meus pseudograndes amores.

E as cigarras me acompanhavam, no bom dia, todas as manhãs; desde a Escola até o Estadual, numa sinfonia perfeita:

- Zszszszszszszszszszszszszs...

Onde estão todos agora? Onde está dona Judith, “carrasca” professora de Matemática? Onde está dona Bernadete, a mulher da vaca mecânica, da sopa com pão, que todos abominavam (a sopa), mas era minha salvação? Não importavam as lagartas que, às vezes, apareciam no arroz. Lá estava eu, novamente, na fila; aquilo era minha grande alimentação.

Onde estão todos, agora? Alguns desses, mas poucos, “dormindo profundamente”. Mas por que os ainda vivos não se encontram mais?

Luís Carlos me pergunta:

- João, cadê Toinho? Por que a gente jamais se encontra, mesmo morando na mesma cidade?

Só a vida, essa correria, o “progresso” que levou minhas cigarras podem responder.

Ao escrever esta crônica, fico pensando: interessam ao leitor essas minhas reminiscências?

Creio que sim. O leitor, certamente, teve uma infância; povoada, ou não, de cigarras.

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